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Sob protesto, Secretaria lança plano de saúde para atender desastres na Copa

Arthur Carvalho, especial para a GE.net São Paulo (SP)

No Estado de São Paulo, a Secretaria da Saúde garante que os torcedores que acompanharem partidas da Copa do Mundo na Arena Corinthians terão toda a assistência médica necessária. Em conturbado evento realizado na capital paulista nesta quarta-feira, o secretário David Uip apresentou o plano de ação elaborado para a contenção de eventuais catástrofes durante o Mundial. A coletiva acabou interrompida devido a um protesto de servidores da Saúde, que reclamam aumento de salário e estudam entrar em greve no período dos jogos.

Além de tentar prevenir riscos na saúde da população envolvida na Copa do Mundo, o plano elaborado pela Secretaria da Saúde tem objetivo de estruturar o setor. A ideia é manter a estratégia em eventos deste porte após o torneio, evitando ameaças.

David Uip assegura que médicos e enfermeiros do GRAU (Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências) estarão prontos até para casos extremos, como ataques tóxicos e bioterrorismo. O secretário ainda defende que os quatro profissionais presentes na Arena Corinthians terão a companhia de muitos outros caso seja necessário.

“Se tivermos uma situação especial, obviamente colocaremos todo o staff profissional do estado, com todos os hospitais e ambulatórios trabalhando”, afirma, explicando as diferentes linhas de atendimento para eventuais ocorrências deste tipo. “São 11 hospitais gerais em regiões próximas ao estádio, que envolvem a Zola Leste (da cidade de São Paulo), todo o ABC e Guarulhos. A segunda linha de atendimento é composta por nove hospitais gerais em todo o município, enquanto a terceira compreende todos os hospitais estaduais na região metropolitana”, completa.

Nelson Almeida/AFP
Secretaria da Saúde garante assistência à Fifa no atendimento de torcedores durante a Copa do Mundo
Caso pessoas acabem feridas na Arena Corinthians durante as partidas, elas serão encaminhadas em primeiro momento ao Hospital Santa Marcelina, que fica no próprio bairro de Itaquera, a cerca de 3 km do palco da abertura da Copa do Mundo.

Mas em caso de catástrofe de qualquer tipo, o secretário David Uip elucida que a equipe médica pode atender os feridos rapidamente dentro do próprio estádio. “Serão montadas duas tendas infláveis caso haja necessidade. Conseguimos montar em cerca de cinco minutos duas barracas que se transformarão em hospitais de campanha”, garante.

Coletiva é interrompida por manifestantes – Para ser posto em prática, todo o planejamento elaborado depende da mobilização dos servidores e a Secretaria parece não ter esse apoio. Exatamente quando o secretário David Uip justificava os aumentos não concedidos a alguns funcionários, cerca de 30 pessoas entraram na sala gritando palavras de ordem e prometendo a “maior greve da saúde pública do Estado de São Paulo” exatamente para o dia de abertura da Copa do Mundo: 12 de junho.

Emerson Trindade, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo e representante dos manifestantes, ameaça paralisação ainda nesta quarta-feira. “Nós já vamos começar a parar hoje. Na segunda-feira vamos entrar em greve, pelo menos no setor administrativo”, garante. “É capaz de o Hospital do Coração entrar em greve. Nós suspendemos (a greve) porque o governo prometeu que iria dar o aumento no último dia 23 e não deu”, cobra.

Os servidores prometem que aceitam negociar caso o governador Geraldo Alckmin tome esta iniciativa. A reinvindicação gira em torno do aumento do salário, pois cerca de 17 mil trabalhadores não tiveram os vencimentos revistos. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde afirma estar “acertando os últimos detalhes burocráticos e técnicos para efetivação total da folha de pagamento dos funcionários administrativos”.