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Com "gatinha linda", Rosenberg diz não esquecer "casamento perfeito"

Marcos Guedes São Paulo (SP)

Luis Paulo Rosenberg já não diz sentir “aquela alergia” a Itaquera, como chegou a manifestar, mas não consegue se esquecer do Pacaembu. O dirigente do Corinthians lutou para que o clube assumisse o controle do estádio municipal e, mesmo satisfeito com a nova casa alvinegra na zona leste de São Paulo, lamenta a despedida da antiga, alugada por tantos anos.

“Agora que o estádio está lá, lindo, maravilhoso, continuo com sentimentos conflitantes. É como alguém que estava em um casamento perfeito, de muitos anos, e perde a esposa porque o desgraçado do médico a deixou morrer. Vou atrás de uma gatinha, linda de morrer, mas não esqueço a primeira mulher. Era uma ligação muito forte. Assim é com o Pacaembu e com Itaquera”, afirmou, em lançamento de livro sobre a arena nova.

Andrés pede a "pobres de Higienópolis" que paguem manutenção do Pacaembu

O vice-presidente do Corinthians – ele mantém o cargo, embora esteja efetivamente afastado da administração do presidente Mário Gobbi – recordou as negociações travadas com o prefeito Gilberto Kassab entre 2008 e 2010. Elas não deram certo, e a equipe alvinegra rumou na direção de sua ZL, palco da abertura da próxima Copa do Mundo.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Luis Paulo Rosenberg vê em estádio de Itaquera espécie de Pacaembu 70 anos mais jovem
“Era tão óbvio que o Pacaembu tinha que ser nosso. Fizemos de tudo. Infelizmente, não tivemos a compreensão do prefeito. Pensei: ‘Após dois anos de batalha, não temos nada’. E o Andrés (Sanchez, então presidente do clube) avisou: ‘Está chegando o centenário, não podemos chegar à festa sem isso resolvido’”, contou Rosenberg.

Foi na celebração dos cem anos do clube do Parque São Jorge, em 1º de setembro de 2010, que foi anunciada a construção do estádio em Itaquera. Sem a opção do Pacaembu, foi vencida a alergia de Luis Paulo Rosenberg. E a de mais gente, como o corintiano Geraldo Villin, diretor da Odebrecht, construtora da arena da abertura do Mundial.

“Eu disse que o torcedor não iria a Itaquera, Andrés. Você disse: ‘Prova’. A gente fez um estudo, e eu não consegui provar”, lembrou Villin, que viu recentes fotos aéreas de Itaquera e se empolgou com as mudanças na região. “Está do c... Eu estava errado, você estava certo. Muito obrigado por me deixar fazer parte disto aqui.”

O estudo referido foi uma pesquisa de um instituto inglês encomendada pelo clube. Os resultados apontaram que um estádio em Itaquera, região pobre da tão corintiana zona leste, atrairia muitos torcedores e não afastaria o público endinheirado de que tanto faz questão a diretoria.

Aí, foi partir para o segundo casamento, ainda que moldando a nova mulher à imagem da antiga. “O estádio é tão parecido com o Pacaembu quanto dá para ser, 70 anos mais jovem”, sorriu Luis Paulo Rosenberg.

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