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Com Oberdan Cattani, morre o Palestra Itália

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

Morreu na noite desta sexta-feira o último elo entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e o Palestra Itália. Aos 95 anos, o ex-goleiro Oberdan Cattani, vítima de uma infecção pulmonar, era o único remanescente do clube original fundado em 1914. Com ele, morre parte da agremiação que comemora seu centenário em 2014.

De 1941 a 1954, Oberdan disputou 351 jogos pela equipe. Neste período, foi tetracampeão paulista (1942, 1944, 1947 e 1950), além de ter conquistado o Rio-São Paulo e a Copa Rio de 1951, o último com status de Mundial para o clube esmeraldino.

O goleiro tinha potencial para brigar por uma vaga nas Copas de 1942 e 1946, não realizadas em função da Segunda Guerra Mundial. Em meio ao conflito, o Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome, já que o Brasil, governado por Getúlio Vargas, tomou partido dos Aliados.

Em 1942, Oberdan Cattani entrou em campo segurando a bandeira do Brasil na chamada Arrancada Heróica - a convite da Gazeta Esportiva, ele repetiu o gesto em 2012. No primeiro jogo do clube como Palmeiras, a equipe defendida pelo ex-goleiro viu o São Paulo abandonar a disputa no Pacaembu e conquistou o Campeonato Paulista.

Até o final da vida, Oberdan falou com raiva sobre sua saída do Palmeiras e costumava culpar o então presidente Paschoal Walter Byron Giuliano. Ele encerrou a carreira no Juventus e chegou a enfrentar o ex-time, o que acabou usado, indevidamente, como justificativa para descartar a confecção de um busto em sua homenagem.

Fotomontagem Gazeta Press
Oberdan Cattani liderou a Arrancada Heróica em 1942 (Fotos: Acervo/Gazeta Press e Fernando Dantas)

O ex-jogador não admitia, mas era fácil perceber a profunda mágoa em torno do assunto. Ainda assim, Oberdan fez do Palmeiras sua casa e tornou-se conselheiro do clube. Ele casou e comemorou vários aniversários nas dependências da agremiação. Questionado sobre o possível busto, costumava citar a escultura em bronze de suas mãos, feita na gestão de Mustafá Contursi.

O estatuto do Palmeiras não impede a confecção de uma estátua para um jogador que já tenha enfrentado o clube – Ademir da Guia, homenageado com um busto, jogou contra a agremiação pelo Bangu, em 1960. Desta forma, na gestão de Paulo Nobre, a homenagem para Oberdan Cattani foi enfim aprovada oficialmente.

Um dos maiores ídolos da história do Palestra Itália-Palmeiras, Oberdan Cattani completou 95 anos no último dia 12 de junho, dia e mês do histórico título paulista de 1993. O corpo do ex-jogador será velado na sede social do clube e o enterro está marcado para o cemitério São Paulo.

Oberdan viveu seus últimos anos em uma casa com portões verdes, localizada a poucos quarteirões do Palmeiras, nas imediações da Avenida Pompeia. Na noite em que o ídolo da Arrancada Heróica faleceu, a residência estava enfeitada com bandeiras do Brasil.

A data da inauguração do sonhado busto ainda não foi definida pelo clube, mas deve ser feita ainda em 2014. A Sociedade Esportiva Palmeiras teve 60 anos para homenagear Oberdan Cattani da forma como ele mais desejava. Quando resolveu fazê-lo, foi tarde demais.

Desafeto – Em 2011, o então goleiro Marcos chegou a participar de uma propaganda de material esportivo caracterizado com o fino bigode usado por Oberdan Cattani, mas o velho ídolo o tinha como desafeto – o veterano acreditava que seu sucessor não soubera receber críticas feitas por ele através da imprensa.

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