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Exposição apresenta os santos padroeiros dos principais times do Brasil

Vinicius Custódio, especial para GE.net São Paulo (SP)

Quem disse que futebol e religião não combinam? O Museu de Arte Sacra de Santos exibe, a partir do próximo sábado (21), a exposição: “Todos os Santos Jogam”. A mostra enaltece a relação de clubes brasileiros e suas torcidas com a religiosidade. A ideia surgiu da parceria entre Ana Cristina Pazini Requejo, de 36 anos, e Cesar Augusto Moura Leite, 19 anos mais velho. “É uma temática popular. Ajuda a desfazer o paradigma de que museu é só para pessoas eruditas”, acredita a curadora.

Formada em administração, Ana esta há um ano no Museu de Arte Sacra do litoral santista. Por sua vez, Cesar trabalhava na Federação Paulista de Vôlei. Em 2003, foi contratado pela Federação Paulista de Futebol. Três anos depois, passou a tomar conta do museu da instituição. Os dois se encontraram em um curso de capacitação para museólogos, que aconteceu em fevereiro, em Piracicaba, cidade do interior de São Paulo. “Para concluir o curso, tínhamos que montar grupos e criar uma exposição”, lembra-se Cesar. “Sempre tive vontade de relacionar futebol com religião”, confessa Ana. “Futebol é por conta dele, religião é comigo”, completa.

A exposição vai acontecer em três salas. A primeira batizada de “A Proteção Sagrada” apresenta, no formato de um campo de futebol, a história de 20 padroeiros de clubes brasileiros, além de Nossa Senhora de Guadalupe e Nossa Senhora dos Anjos, padroeira das seleções do México e da Costa Rica, respectivamente. “Decidimos homenageá-las porque estão instaladas na cidade de Santos durante o período da Copa do Mundo”, esclarece Cesar.

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O evento mostra curiosas superstições dos principais clubes brasileiros (Crédito Ana Maria Pilipczuk)
Em relação aos clubes brasileiros, São Jorge, do Corinthians, é um dos santos mais conhecidos. São Paulo, que dá nome ao próprio clube, é outro bem popular. De origem italiana, São Gennaro é o padroeiro do Palmeiras. O Santos futebol clube possui duas padroeiras. A primeira e oficial é Santa Rita. A segunda é Nossa Senhora do Monte Serrat. A santa é padroeira da cidade, porém, o ex-presidente do clube, Marcelo Teixeira, era tão devoto da divindade que a adotou também como padroeira do time.

Caso semelhante ocorre no Rio de Janeiro com o Fluminense. A santa oficial do tricolor carioca é Nossa Senhora da Glória, no entanto, os torcedores adotaram João Paulo II, Papa recentemente canonizado, como padroeiro do clube. Isso graças à canção “A Benção, João de Deus”, que foi composta em homenagem ao Papa quando ele veio ao Brasil pela primeira vez, em 1980. A torcida do Fluminense canta, até os dias de hoje, a melodia durante os jogos. Os protetores dos outros três grandes clubes cariocas são: São Judas, do Flamengo, Nossa Senhora da Conceição, do Botafogo, e Nossa Senhora da Vitória, padroeira do Vasco da Gama.

“O motivo da escolha de um santo como padroeiro é bastante diversificado”, explica Ana. “Alguns são bairristas, como São Paulo. Outros são eleitos pela popularidade do santo entre os torcedores e dirigentes do clube”, conclui. As outras duas salas da exposição apresentam painéis com fotos de dirigentes e torcedores com seus objetos religiosos nos estádios e charges relacionadas ao tema. Além disso, serão exibidos vídeos de torcedores contando sua relação com futebol e religião. “O objetivo maior é tornar a exposição itinerante”, confessa Cesar, que tem o intuito de trazer a mostra para São Paulo. Em Santos, a exposição permanece até o dia 31 de agosto e pode ser visitada de terça a domingo das 10h às 17h. O ingresso custa R$ 5 (Estudantes e idosos pagam metade do valor).

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A exposição está sendo realizada no Museu de Arte Sacra de Santos (Crédito: Leandro Ayres)