Futebol/Copa 2014 - ( )

Francês que serviu Parreira não põe fé em feitos como de 98 e 2006

Tossiro Neto Teresópolis (RJ)

Joel René Guerin está desanimado com a seleção da França. Confessou isso a Carlos Alberto Parreira, durante visita do coordenador técnico da Seleção Brasileira ao Le Canton (luxuoso complexo hoteleiro em que ele trabalha, em Teresópolis), no último fim de semana de maio. O chef e sommelier, nascido em Saint-Jean-d'Angély, duvida que sua equipe, algoz do Brasil em três Copas do Mundo (nas mais recentes, na final de 1998 e nas quartas de 2006), chegue longe desta vez.

"Apostava no Ribéry, mas ele não vai poder participar, se machucou. É um grande jogador", lamentou o torcedor do Paris Saint-Germain, de 68 anos, que veio ao Brasil pela primeira vez em 1972, apaixonou-se pelo país e decidiu não mais voltar - apesar de a namorada tê-lo abandonado. Vez ou outra, ele deixa o Rio de Janeiro rumo à Europa, porém somente para rever amigos e fazer reciclagens profissionais.

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O pouco entusiasmo com que ele fala dos Bleus não é sem razão. Além da ausência do meia-atacante do Bayern de Munique (cortado em função de uma lombalgia) - e também de Clement Grenier, meia do Lyon -, a França tenta superar desconfiança pela sofrida classificação (com vitória por 3 a 0 sobre a Ucrânia, depois de ter perdido o jogo de ida por 2 a 0) e a campanha ruim na edição passada do Mundial, na qual não passou da primeira fase.

Montagem sobre fotos de Fernando Dantas/Gazeta Press e Reprodução
Apesar de assediado por outros hóspedes, o coordenador técnico da Seleção conversou com o chef francês Joel René Guerin, que se distrai ultimamente mais com a cachorra Duna do que com o futebol de sua seleção
"O Parreira viu que eu era francês e me perguntou como estava o time da França. Eu respondi que 'não está muito bom, não'. Nesta Copa, acho que o Brasil tem bons elementos para vencer", comentou o chef. Ele estava por aqui nas derrotas marcantes do Brasil para a França, em 1986, 1998 e 2006. Na última ocasião, sob comando justamente de Parreira, os pentacampeões mundiais caíram para a França depois de uma mal-sucedida preparação em Weggis, na Suíça, ao passo que a seleção de Guerin só foi parada na decisão. "Eu torci para a França", lembrou, sorrindo e levantando a gola do dolmã branco, na qual há duas bandeiras brasileiras.

A torcida contrária, é claro, ele não precisou dizer a Parreira. O encontro com o ex-técnico da Seleção (registrado pelo fotógrafo do hotel), inclusive, foi bem rápido. Durante uma rara janela de folga na Granja Comary, o coordenador percorreu cerca de 25 quilômetros até Vargem Grande, distrito de Teresópolis, onde fica o hotel em que as duas filhas e os cinco netos estavam hospedados. "Coitado! Fiquei meio constrangido de me aproximar dele. Ele veio almoçar e, na uma hora e meia que ficou aqui, foi cercado por 50 pessoas. Quis deixá-lo almoçar em paz. Sábado é dia de feijoada aqui, então foi um prato maravilhoso para ele", falou o franco-brasileiro, encabulado.

Oito anos depois do vice-campeonato da França, Guerin, já naturalizado brasileiro, tem a primeira chance de acompanhar de perto uma Copa. Mas não se anima muito e já se imagina torcendo pela seleção anfitriã. "Um amigo dos Estados Unidos me convidou para ir ao Maracanã, porque vai ter um jogo entre França e alguma coisa (Equador). Vou torcer para a França. Depois, vamos ver no finalzinho o que vai dar. Gostaria de torcer para a França até a final, mas acho que a França não chega lá. Então, vou acabar torcendo para o Brasil".

"É que, apesar de ser nascido na França e ter uma cultura bem enraizada lá, o fato de morar aqui e gostar muito do país me deixa dividido pela metade", explicou o chef, no fim da entrevista, momento em que surge Duna, um labrador chocolate fêmea de 14 anos que é seu xodó e gosta de passear pelo gramado do Le Canton. "É brasileira?", perguntei. "Claro, e bem brasileira!", respondeu, já mais alegre pela chegada da companheira, despedindo-se da reportagem.

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