Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Gritos evidenciam que ainda é tabu a homossexualidade no futebol

Marcos Guedes São Paulo (SP)

A mesma Fortaleza em que nasce o amor de Donato e Konrad, no filme “Praia do Futuro”, mostrou que a homossexualidade ainda é um tabu longe de ser quebrado no futebol. O jogo entre Brasil e México, no Castelão, foi um daqueles nos quais foram registrados gritos com conotação homofóbica na Copa do Mundo.

Conheça a Praia do Futuro

“Puto!”, berravam os torcedores mexicanos a cada tiro de meta batido pelo goleiro Júlio César. Os gritos são tradicionais no futebol do México, e a palavra é entoada com o intuito de questionar a masculinidade do adversário. Na última terça, os brasileiros devolveram a tentativa de ofensa nos tiros de meta de Ochoa.

A Fifa diz estar investigando as atitudes, registradas também na partida do México contra Camarões. No Brasil x Croácia, no estádio do Corinthians, foram ouvidos gritos de “bicha” em alguns tiros de meta de Pletikosa, possivelmente de torcedores alvinegros acostumados a esse tipo de manifestação em Itaquera.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Gritos dos alegres torcedores mexicanos são majoritariamente vistos com bom humor no Mundial
Os corintianos importaram a brincadeira dos mexicanos e a utilizaram inicialmente contra Rogério Ceni, do São Paulo, time que convive faz tempo com ofensas homofóbicas de rivais. Posteriormente, estenderam-na a todos os goleiros adversários, repetindo o “bicha” nos dois jogos que disputaram em sua nova casa.

A situação, de uma maneira geral, é vista com relativo bom humor. As ofensas racistas, que se multiplicaram neste ano e foram observadas nos campos brasileiros, geraram uma comoção muito maior. A própria Fifa se mostra muito mais preocupada com elas do que com a homofobia.

O volante corintiano Guilherme, que posou dando uma banana contra o racismo em campanha encampada por seu clube, ofereceu o que não é uma visão só sua. Para ele, o grito de “bicha” é “mais uma provocação”. “Não é como o racismo, não é o caso de levar o torcedor a ser preso”, comentou.

Divulgação/Agência Corinthians
Guilherme (ao centro) deu banana para o racismo e julgou normais os gritos de "bicha" para Ceni
Uma tolerância maior tem sido exibida no esporte de uma maneira mais ampla, com jogadores que se declararam gays atuando nas ligas norte-americanas de futebol americano, de basquete e também de futebol. No entanto, a realidade exibida no Mundial, nos gritos de “puto” ainda vistos majoritariamente como inofensivos, evidencia que o fim do preconceito é algo para os campos e praias do futuro.