Futebol/Seleção Brasileira - ( )

História das Copas do Mundo tem fiascos de favoritos

Gazeta Press Rio de Janeiro (RJ)

O Brasil em todas as Copas

  • INTRODUÇÃO
  • 1930 - 1938
  • 1950 - 1954
  • 1958
  • 1962 - 1966
  • 1970
  • 1974 - 1990
  • 1994
  • 1998 - 2002
  • 2006 - 2010
  • GOLEIROS
  • FIASCOS

"A Copa do Mundo é uma competição em que, se cometer um errinho, você não ganha. Mas, se você fizer tudo certo, pode ganhar ou não". Com esta definição, o mestre Telê Santana ilustrou muito bem o que é o mais importante torneio de seleções do mundo. Essa competição é pródiga em punir equipes que se consideram favoritas absolutas.

Na primeira Copa do Mundo, deu a lógica. Com vários europeus boicotando a competição, insatisfeitos com o fato de a América do Sul ter sido o local escolhido para sediá-la, o anfitrião Uruguai, então campeão olímpico, era mesmo o favorito absoluto. Na final, enfrentou quem tinha mesmo que enfrentar: a Argentina, que, se não tinha um time brilhante, já era um dos centros mais evoluídos neste esporte. Se em 1930 deu a lógica e os finalistas eram os esperados, em outras edições isso não aconteceu.

1954

Se o Brasil não era considerado favorito absoluto na Copa do Mundo de 1950, já que seu favoritismo só surgiu durante a competição e era difícil de apontar grandes times por conta do longo período sem torneios, pode-se dizer que o primeiro fiasco da história da Copa do Mundo foi promovido pela Hungria, em 1954. A equipe húngara, então campeã olímpica, estava sem perder desde 1950 e, nesse período, havia realizado 31 jogos, vencendo 27 e empatando os outros quatro.

Nem mesmo a ausência do atacante Kubala, que havia fugido do regime comunista meses antes, diminuía o favoritismo húngaro. Nos dois primeiros jogos, goleadas por 9 a 0 na Coreia do Sul e por 8 a 3 no time reserva da Alemanha, que tinha poupado propositalmente os titulares já imaginando um duelo na grande decisão contra os húngaros. Depois, vitória por 4 a 2 sobre a Seleção Brasileira nas quartas de final, repetindo o placar das semifinais contra o Uruguai, dessa vez contando com a prorrogação. Desgastada por essa partida, a Hungria caiu para a Alemanha por 3 a 2 na final, depois de fazer 2 a 0 no primeiro tempo.

“Aquela Copa do Mundo foi marcante pelo fato de a Hungria ter caído na final. Foi uma grande surpresa para todos, principalmente para nós, que os enfrentamos e sabíamos do potencial dos húngaros. Lamentável” comentou o meia Didi, pouco antes de morrer.

AFP
A Inglaterra conquistou o título em 1966, na edição em que o Brasil teve frustrado o sonho do tri
1966

Bicampeão mundial e com Pelé e Garrincha, a Seleção Brasileira chegou à Inglaterra em 1966 como favorita absoluta. Decepcionou. Entre a comissão técnica, torcedores brasileiros e mesmo entre a imprensa internacional, a conquista do tricampeonato mundial era uma certeza. Por isso, quase todos os bicampeões foram convocados. Afinal, mesmo quatro anos mais velhos, era justo que eles fossem tri. Mas muitas coisas não estavam acontecendo como em 1958 e 1962. Por exemplo: não havia a mesma organização, ponto fundamental das duas conquistas anteriores.

No meio da confusão geral, o técnico Vicente Feola (o mesmo de 1958) convocou 46 jogadores em final de março. Entre eles Amarildo, vindo da Itália e que seria o primeiro "estrangeiro" a ser chamado para a Seleção. A apresentação ocorreu no dia 12 de abril e haveria três meses para a Seleção fazer os treinamentos. Tempo mais do que suficiente para que fossem decididos os 22 nomes da lista final. O fato de serem convocados 46 jogadores criou uma grande disputa interna no grupo. Ninguém queria se entrosar com ninguém. Cada um queria provar que era o melhor. Os cortes se tornavam dolorosos para todos no grupo.

No embarque para a Europa, no dia 17 de junho, a lista ainda tinha 27 jogadores. Mais cinco ainda seriam cortados. Depois de uma rápida excursão pela Europa, um jornalista inglês declararia que Bellini e Garrincha estavam mortos. O espião brasileiro Ernesto Santos também não foi muito otimista: "o Brasil só será tri por milagre."

As nuvens estavam se formando sobre a Seleção, e a primeira tempestade ameaçou cair logo no primeiro jogo da Copa: o Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0, com gols de bola parada, de Pelé e Garrincha. No segundo, a tempestade desabou forte e a Hungria passaria pela "Seleção tri" por 3 a 1. A confusão em Liverpool, sede brasileira, era tanta que Feola ainda não tinha decidido o time titular. Os jogadores, revoltados, pediram uma definição. O supervisor Carlos Nascimento teria interferido na escalação e tirado nove jogadores do time do jogo anterior - inclusive Garrincha -, mas não conseguiu segurar os portugueses, que despacharam a Seleção por 3 a 1.

“Realmente a situação ficou difícil. O Feola foi um grande estrategista em 1958, mas, em 1966, as substituições foram todas equivocadas. Não existia um time ao certo. Eu era um dos mais jovens e, mesmo assim, tive que atuar improvisado na ponta esquerda - lamentou o atacante Jairzinho, que, quatro anos depois, tornou-se o único jogador brasileiro a marcar gols em todos os jogos de um Mundial, em 1970, no México.

1982

A delegação brasileira voou para a Espanha embalado pela música de Júnior. O time armado por Telê Santana até hoje é reverenciado por todos. Mas, apesar disso, caiu para a Itália nas quartas de final e voltou para a casa mais cedo. De favorito ao título, o Brasil nem sequer disputou o terceiro lugar.

“Esse foi um favoritismo diferente, pois a nossa eliminação não gerou nenhum tipo de crise. Na nossa chegada ao Brasil, eu fui reverenciado, pois a população entendeu que o Brasil foi eliminado por causa de um acidente” disse Telê Santana, antes de adoecer.

Com Zico, Falcão, Sócrates e outros craques, o Brasil caiu diante de uma Itália que tinha como figura mais expressiva o matador Paolo Rossi, autor de três gols na vitória por 3 a 2 que eliminou os brasileiros.

Acervo/Gazeta Press
A Seleção tinha Paulo Roberto Falcão e Telê Santana em 1982, mas não conseguiu confirmar o favoritismo
1994

O grande fiasco da Copa do Mundo de 1994 foi um time que, apesar de apontado como favorito, nunca conquistou uma Copa do Mundo, nem sequer tendo chegado a uma final. Trata-se da Colômbia. Os colombianos chegaram aos Estados Unidos jogando um futebol de primeira linha. Nas Eliminatórias, humilharam a Argentina com uma goleada por 5 a 0, em Buenos Aires, em pleno Estádio Monumental de Núñez. Porém, foi uma grande decepção. Logo no primeiro jogo, os colombianos caíram diante da Romênia.

Os colombianos até hoje lamentam aquela situação. O Cartel de Medellín, conhecida facção do tráfico de drogas no País, teria tentado tirar proveito da situação popular da seleção antes do Mundial e pressionado os jogadores por bons resultados. “O clima ficou insuportável. Existiam ameaças de todos os lados”, disse Francisco Maturana, técnico da Colômbia naquela ocasião.

Os colombianos seriam eliminados mesmo na segunda rodada, com a surpreendente derrota por 2 a 1 para os anfitriões Estados Unidos, com direito a um gol contra do lateral direito Escobar, que, por causa disso, seria assassinato poucos dias depois de voltar ao seu país.

“Estava no avião quando a aeromoça se aproximou de mim e disse, 'Pibe, tenho uma notícia triste para lhe dar, um companheiro seu foi assassinato por causa das derrotas da Colômbia'. Esperava ouvir qualquer nome, menos o de Escobar, sempre brincalhão. Caí em lágrimas”, revelou o ex-meia Carlos Valderrama, o maior jogador da história do futebol colombiano em todos os tempos, exibindo bem o que representava aquela derrota.

2002

Em 2002, França e Argentina eram apontadas como as grandes favoritas ao Mundial e muitos diziam que elas fariam a decisão. Os franceses mantinham a base que foi campeã quatro anos antes. Já os argentinos encantaram o mundo nas Eliminatórias e jogavam o futebol mais bonito. Depois de constantes fracassos na primeira fase, os dois nem sequer chegaram as oitavas de final.

“Fizemos tudo certo e estivemos sempre perto da vitória. Mas perdemos - contou Marcelo Bielsa, então técnico da Argentina. A França fez papel pior. Deixou a Ásia sem nem sequer ter marcado um único gol.

“Os franceses sentiram muito a perda de Zinedine Zidane e acabaram pagando caro pelo desgaste de um time que esteve no auge por oito anos”, analisou Luiz Felipe Scolari, que ganhou aquele Mundial com a Seleção Brasileira.

2006

A Seleção Brasileira chegou ao Mundial como favorita absoluta. O "quadrado mágico" composto por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano, que se dava ao luxo de deixar Robinho no banco de reservas, era apontado como campeão virtual. O técnico Carlos Alberto Parreira chegou a dizer que era um "gestor de talentos".

Porém, um esquema de festa antecipada, com a concentração da Seleção Brasileira sempre repleta de jornalistas e torcedores, treinos abertos em ritmo de show e a falta de comando fizeram a nau brasileira naufragar.

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