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Ídolo na Argentina, James Rodríguez vira trunfo de "técnico hermano"

João Victor Miranda, especial para a GE.net São Paulo (SP)

A carreira de James Rodríguez não tem uma história cheia de altos e baixos, com momentos de grande dificuldade. Pelo contrário. Desde que começou a jogar futebol profissionalmente na Colômbia, aos 14 anos, o camisa 10 da Colômbia tem ascendido.

O ponto alto de sua carreira chegou neste sábado, quando ele liderou a seleção colombiana a um feito histórico: eliminar o Uruguai da Copa do Mundo e alcançar pela primeira vez as quartas de final de um Mundial.

Uma coincidência marca esta história de sucessos consecutivos. Foi justamente na Argentina, terra natal do técnico cafeteiro José Pekerman, que ele começou a se transformar em um craque. Agora, ele é a principal aposta do treinador.

"Sempre apostei muito no James porque vi muito potencial. E o que mais surpreende é que, na sua idade, ele não tem dificuldade nenhuma de assumir responsabilidades",

Da Argentina, ele foi brilhar em terras portuguesas. Em um Porto recheado de desconhecidos sul-americanos, ele foi um dos destaques de uma temporada quase perfeita.

O sucesso nas terras lusas chamou a atenção dos grandes milionários do esporte bretão, e James Rodríguez jogou a última temporada no Monaco, após deixar Portugal como o 18º jogador mais caro da história.

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James Rodríguez foi eleito o melhor jogador da primeira fase pelo site da Fifa. (Foto: Gabriel Bouys)
Início muito precoce - 14 anos. Esta era a idade de James Rodríguez quando ele estreou no futebol profissionalmente defendendo o Envigado FC, da Colômbia. Este foi o clube que apostou no talentoso garoto, que incentivado por sua mãe, Pilar Rubio Gómez, frequentou boas escolinhas de futebol.

Logo em sua temporada de estreia, ele foi rebaixado com sua equipe. No entanto, com nove gols em 22 jogos, ajudou o Envigado a se reerguer e retornar à elite do futebol colombiano na temporada seguinte (2007).

O bom trabalho do precoce jogador na segunda divisão colombiana despertou o interesse do Banfield, clube tradicional da Argentina, mas que nunca havia levantado um título da liga nacional.

Campeão e ídolo de uma torcida na Argentina - A primeira temporada de James no Banfield foi de afirmação. Com apenas um gol em 11 jogos, ele não conseguiu uma vaga no time titular e viu Boca Juniors e Vélez Sarsfield serem campeões nacionais naquele ano.

As coisas seriam diferentes na temporada 2009/10. Já como titular e atuando como meia esquerda, o jovem colombiano de 17 anos ajudou o Banfield a conquistar o Torneo Apertura, seu primeiro título nacional em 103 anos de história.

O destaque colombiano chamou a atenção do Porto, que adquiriu parte de seus direitos por aproximadamente 5 milhões de euros (aproximadamente R$ 15 milhões no câmbio atual).

Campeoníssimo em terras lusitanas - A primeira temporada de James Rodríguez no Porto foi praticamente perfeita. A equipe, que também contava com Falcao García e Hulk, conquistou a Taça de Portugal, o Campeonato Português e a Liga Europa. Foram seis gols e sete assistências em 31 jogos na temporada de estreia.

Nas temporadas seguintes, mais dois títulos portugueses, cada vez com um protagonismo maior. Assim, James Rodríguez, aos 21 anos de idade já conquistara a Europa e era especulado em grandes transações a cada janela de transferências.

O dia chegou e o novo milionário Monaco, contratou James Rodríguez e reuniu a dupla que ele fez com Falcao no Porto. Os franceses desembolsaram 45 milhões de euros (aproximadamente R$ 135 milhões no câmbio atual).

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James Rodríguez assumiu a liderança da talentosa equipe chilena, que venceu todos os seus jogos até aqui.(Foto: Felipe Dana)
Monaco de volta à Liga dos Campeões - Com um elenco estrelado e de volta à primeira divisão do futebol francês, o grande objetivo do Monaco era retornar às competições internacionais. A quantidade de craques, porém, fez com que o time fosse apontado como favorito ao título.

Os monegascos não fizeram feio. Duelaram com o Paris Saint-Germain pelo título. Alguns problemas graves, como a lesão de Falcao García, prejudicaram o time do principado, que ficou com a segunda colocação e a vaga para a Liga dos Campeões.

James Rodríguez, reserva no início da temporada, foi peça fundamental na boa campanha. Em 33 partidas, com nove gols e 12 assistências, ele provou porque deveria ser titular.

De volta à Copa e para fazer história - Depois de uma geração talentosa, que contou com nomes como Faustino Asprilla, Valderrama e Rincón, que se classificou para três Copas do Mundo seguidas (1990, 1994 e 1998), a Colômbia encontrou várias dificuldades nas Eliminatórias Sul-Americanas que se seguiram.

Com James Rodríguez e Falcao García, os Cafeteros conseguiram retornar com uma boa campanha para o Mundial. O desempenho lhes rendeu um lugar no pote dos cabeças de chave no sorteio dos grupos. A notícia de que Falcao, a principal estrela, não jogaria a Copa deixou muitos desacreditados do que a Colômbia poderia apresentar, mas James Rodríguez, 22 anos, assumiu a responsabilidade e mostrou que o time pode surpreender.

Até aqui, são três triunfos comandados pelo camisa 10, que balançou as redes em todas as partidas, sendo eleito o melhor jogador da primeira fase pelo site da Fifa.

Nas oitavas de final, fase que a Colômbia jamais havia ultrapassado, mais um show do camisa 10: dois gols contra os bicampeões mundiais do Uruguai e um feito inédito. A Colômbia está nas quartas de final da Copa do Mundo.