Futebol/Copa 2014 - ( )

"Internacional", Seleção dispensa serviço de tradução em coletivas

Tossiro Neto Teresópolis (RJ)

O assessor da Seleção Brasileira avisa a Dante que a questão seguinte será feita em inglês e lhe recomenda o fone de ouvido com tradução simultânea para o português. O zagueiro do Bayern de Munique - que já atuou também na Bélgica e na França - sorri e dispensa ajuda. "Sei que você sabe falar inglês, só quis avisar", explica o profissional, igualmente sorridente.

A cena da entrevista coletiva de domingo é mais uma mostra de quão internacional é o elenco que o técnico Luiz Felipe Scolari tem em mãos na Granja Comary. O Brasil mais internacional da história das Copas, a propósito. Dos 23 jogadores convocados por ele, apenas quatro não atuam no exterior. Mesmo neste grupo, somente o atleticano Victor jamais saiu do Brasil - o também goleiro Jefferson (Botafogo) e os atacantes Fred (Fluminense) e Jô (Atlético-MG) já defenderam equipes estrangeiras.

Até o momento, o único atleta que aceitou o auxílio durante entrevista coletiva foi Maicon, tornando-se alvo de gozação do volante Paulinho, do Tottenham, que estava sentado ao seu lado e seria o próximo entrevistado. O curioso é que o lateral direito da Roma ficou quase um ano no Manchester City. Já o goleiro Júlio César chegou a colocar o fone de ouvido, mas tem bom nível de inglês, depois de ter passado por Inglaterra e Canadá, e só tirou dúvidas de brasileiros. O lateral esquerdo Marcelo, por sua vez, conversou sem problemas sobre o Real Madrid e a seleção campeã mundial de 2010 com uma repórter espanhola.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Júlio César até colocou o fone de ouvido, mas tem bom nível de inglês e o tirou em seguida, sem necessitar da ajuda de Leonardo Xavier, professor de inglês contratado para fazer tradução simultânea na Granja Comary
Na comissão técnica, a maioria tem domínio de outros idiomas, como demonstraram o médico José Luiz Runco e o preparador físico Paulo Paixão ao entenderem perfeitamente o que um jornalista japonês havia dito em inglês, na semana passada. A exceção entre eles talvez seja Luiz Felipe Scolari, que sofreu para se comunicar com seus jogadores na passagem pelo Chelsea, da Inglaterra, entre 2008 e 2009. O treinador, porém, recebeu perguntas apenas em português.

"Foram poucas perguntas de jornalistas de fora, mas todos se safaram muito bem. Por estarem em contato com o idioma no dia a dia, praticando, fica bem mais fácil para eles", avalia Leonardo Xavier, professor (e dono de um curso) de inglês de Teresópolis contratado pela CBF para fazer a tradução simultânea das coletivas até 11 de julho - caso a equipe chegue à final da Copa do Mundo. "A maior parte do meu trabalho, então, tem sido traduzir do português para o inglês, para os jornalistas estrangeiros. O que não é fácil também, não. Tem que ser muito rápido".

Escrita não tão boa quanto

Apesar da compreensão avançada, nem todos que atuam fora do Brasil são bons na escrita. Muitas vezes, as frases impecáveis publicadas em outros idiomas no Twitter e no Instagram enganam os seguidores. "Eles até falam direitinho, mas não escrevem o tempo todo, postam textos mais curtos. Quando é mais elaborado, a gente é que traduz. A ideia é sempre passar para o público em geral que são os jogadores que escrevem. A gente também sugere alguns conteúdos, mas, normalmente, só dá uma elaborada no texto mesmo para não ficar tão curto", explica o diretor de uma empresa que gerencia as redes sociais de duas estrelas do time.

Mas, nos diálogos com árbitros e rivais de outras nacionalidades, a fluência na conversação deve ser suficiente e ter grande utilidade. Além do capitão Thiago Silva (atualmente no Paris Saint-Germain, mas com vistos italiano e russo no passaporte), a Seleção tem três outros líderes poliglotas: Júlio César (Toronto FC, Queens Park Rangers e Inter de Milão), Fred (que, antes do Fluminense, jogou no Lyon) e o zagueiro David Luiz (Chelsea e, agora, PSG).

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