Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Inventor do "peixinho" aprova Van Persie e lamenta não vê-lo em SP

Luiz Ricardo Fini, Tossiro Neto* e William Correia São Paulo (SP)

Dois dias antes da partida desta segunda-feira entre Holanda e Chile, em São Paulo, a Gazeta Esportiva conversou com Peixinho, o ex-jogador que, em 1960, emprestou seu apelido ao gol que marcou na inauguração do Morumbi, mergulhando de cabeça em direção à bola. Gol que o holandês Robin van Persie aprimorou na vitória por 5 a 1 sobre a Espanha, no primeiro jogo de sua seleção na Copa do Mundo.

"Ele fez um gol espetacular, um gol lindo, cabeceou muito bem. Pegou a sequência da bola muito bem", aprovou o ex-são-paulino Arnaldo Poffo Garcia, hoje com 73 anos e vivendo em Piracicaba, interior paulista. "Foi difícil o que ele fez. Foi um dos gols mais bonitos da Copa. Por enquanto, o mais bonito. Tiveram vários, mas o dele é de difícil confecção".

Golaço de holandês gera termo semelhante ao do Brasil e febre na internet

O gol de peixinho de Van Persie, em Salvador, certamente figura na lista dos mais bonitos de qualquer um. Aos 43 minutos do primeiro tempo, quando notou Daley Blind se preparando para cruzar pelo lado esquerdo do meio-campo, o camisa 9 e capitão holandês disparou para o ataque. Já na entrada da área, atirou-se no tempo exato de meter a testa na bola para encobrir Iker Casillas. O goleiro espanhol deu dois passos para trás, voltando para a pequena área, mas sem tempo ou alcance para impedir que a bola tocasse a rede.

"Nunca fiz gol de peixinho de cobertura. Na verdade, nunca vi um gol de peixinho de cobertura, foi a primeira vez. É um lance muito difícil. Quem foi jogador sabe disso, vê que ele acompanhou a bola muito bem e cabeceou melhor ainda", admira-se Peixinho, que se recorda com perfeição do seu gol, marcado com o corpo também esticado paralelamente ao chão.

Montagem sobre fotos AFP e Gazeta Press
Atacante holandês Robin van Persie aprimorou o que Peixinho fez em 1960, mergulhando de cabeça na bola
"Foi um cruzamento da ponta direita, mergulhei no meio dos zagueiros e fui feliz. Tive de ter coragem para enfiar a cara na grama. A Gazeta Esportiva publicou uma foto que mostra com perfeição como foi o lance, de trás do gol", narrou o ex-atacante, por telefone.

Segundo relata o jornal na edição de 3 de outubro de 1960, data seguinte ao triunfo do São Paulo por 1 a 0 sobre o Sporting, o primeiro gol do Morumbi saiu aos oito minutos do primeiro tempo, após cruzamento à meia altura de Jonas. "A bola foi encontrar Peixinho na pequena área, envolvido por vários adversários, que ficaram na expectativa de sua testada baixa para as redes", descreveu a publicação. "Quando vi a bola 'beijar' as redes, senti vontade de chorar, rir, pular feito um doido. E acho que não era para menos. De qualquer forma, meu nome vai ficar na história deste nosso grande estádio", vibrou Peixinho, naquele dia.

Arte GE.Net
Peixinho sempre é homenageado pela diretoria do São Paulo pelo gol marcado em 1960 (Montagem sobre fotos AFP e Rubens Chiri/saopaulofc.net
Seu nome ficou mesmo na história. Sempre que há celebrações em memória à inauguração do Morumbi, Peixinho recebe homenagens da diretoria do São Paulo, clube o qual defendeu de 1959 a 1961, antes de passagens por Ferroviária, Santos, Comercial, Bangu, Deportivo Itália (Venezuela), Coritiba e First Portuguese (Canadá). E, sem que muitos saibam, ele se sente igualmente homenageado ao ouvir cada gol de mergulho ser descrito pela imprensa brasileira como "de peixinho". O mais recente deles, anotado por um holandês, no dia 13.

O ex-são-paulino lamenta, porém, que Van Persie, com dois cartões amarelos, não vá enfrentar o Chile às 13 horas (de Brasília) desta segunda-feira, na Arena Corinthians, estádio que ganhou do Morumbi a concorrência para ser a sede paulista no Mundial e que, na opinião de Peixinho, seria o palco perfeito para o atacante reeditar sua jogada mais uma vez. "É uma pena que ele esteja suspenso e não possa fazer isso no Morumbi. Eu poderia recebê-lo lá", falou aquele que deu origem ao termo brasileiro para o que a Holanda toda chama de "persieing" há dez dias.

* Do Rio de Janeiro