Futebol/copa do Mundo - ( - Atualizado )

Marcelinho cita forças ocultas como causa de não ter disputado Copas

Do correspondente Tiago Salazar Santos (SP)

Marcelinho Carioca foi um dos melhores jogadores de futebol de sua época. Hoje com 42 anos e aposentado dos gramados desde 2010, o craque sempre se destacou pela técnica apurada de como bater na bola, um exímio cobrador de falta, além de ser ambidestro. Colecionou títulos, foi decisivo em diversas oportunidades e se tornou xodó da Fiel ao ter uma carreira de muito sucesso nos dez anos em que vestiu a camisa corintiana, entre as décadas de 90 e 2000.

No entanto, o Pé de Anjo sempre nunca teve muitas oportunidades na seleção brasileira. Seu temperamento intempestivo não era bem visto pela CBF de Ricardo Teixeira e, com isso, Marcelinho nunca soube o sabor de atuar em uma Copa do Mundo pelo Brasil.

“Não é uma frustração, eu tenho uma tristeza de não ter participado do grupo de 94, 98 e 2002 por saber que tinha totais condições de estar no grupo. Minha tristeza não é por não ter participado, é pelas forças ocultas, interesses pessoais, que optaram por não me levar. Mas eu respeito os treinadores, a gente vai aprendendo na vida também, o mais importante é você ter autocrítica, autoanálise e, lógico, não dependia só de mim”, revelou o ex-meia, sem querer polemizar citando nomes e até fazendo mea culpa.

Acervo/Gazeta Press
Marcelinho Carioca fez parte do time campeão mundial do Corinthians em 2000, mas nunca disputou uma Copa do Mundo
“Questão técnica com certeza que não (motivo por jogar Copa). Vou dizer que forças ocultas ou interesses pessoais. A questão técnica é inadmissível porque eu, estreando com 16 anos de idade (no profissional), em 88, vim ganhando as bolas de prata e ouro daquela época, de 90 até 2003. E você ganhar a bola de prata, estar sempre na seleção dos campeonatos brasileiros, estar na seleção, fazer gols pela seleção e não ter tido uma sequencia...”, diz Marcelinho, sem encontrar uma justificativa cabível, na sua visão.

“Com 21 anos você fala cada besteira, você acha que é o dono da verdade. Se eu tivesse a cabeça que eu tenho hoje, com 42 anos, eu não ia, por exemplo, chegar em São Paulo e falar mal do futebol carioca, que é desorganizado, e a CBF fica no Rio, daqui a pouco o cara fica chateado e pensa: então você não vai para a seleção. Então, eu tinha que ser mais comedido nas palavras e não irritar tantas pessoas como eu devo ter irritado”.

Entre 1998 e 2001, Marcelinho carioca teve apenas três oportunidades pela seleção brasileira, sendo dois amistosos e um jogo pelas Eliminatórias, e marcou dois gols. Mesmo assim, nunca recebeu uma sequência e sempre acompanhou de longe o Brasil nos Mundiais.

“Não é arrependimento, é imaturidade. Você chega de uma vida sofrida, difícil, de repente você chega em São Paulo e tudo começa a acontecer na sua vida. Claro, você tinha um sonho e sabia que esse sonho podia se tornar realidade, mas é mais a falta de experiência mesmo e imaturidade”, concluiu o ex-jogador.