Futebol - ( - Atualizado )

Morumbi vaia, pede Luis Fabiano e se divide em festa graças a Fred

William Correia e Marcos Guedes São Paulo (SP)

O torcedor que enfrentou chuva e trânsito para entrar no Morumbi desta sexta-feira demorou para mostrar a impaciência característica do público paulistano com a Seleção Brasileira, mas bastou o desanimador primeiro tempo do time para aparecerem vaias e até pedido por Luis Fabiano. Contudo, foi o verdadeiro dono da camisa 9 verde e amarela, Fred, o único a ser motivo de festa no último amistoso antes da Copa. Insuficiente para unir a torcida, que teve vaias e aplausos ao fim do jogo.

Em seis dias, a Seleção volta à cidade para estrear no Mundial diante da Croácia, no estádio do Corinthians em Itaquera. Sua última impressão foi longe de ser agradável. A torcida que se animou a lotar o Morumbi não gostou do que viu – os rivais até acertaram a trave – e expôs a insatisfação com o desempenho brasileiro vaiando o toque de bola da equipe nos minutos finais.

Quando o árbitro apitou o final do compromisso, uma maioria esqueceu do que viu em campo e decidiu aplaudir a equipe. Em retribuição, os jogadores foram ao círculo central bater palmas à torcida e repetiram o gesto ao serem timidamente ovacionados no caminho para os vestiários.

Houve, de alguma forma, a compreensão que Luiz Felipe Scolari pediu à torcida. Ela, porém, sumiu em boa parte dos mais de 63 mil pagantes nesta tarde aos nove minutos do segundo tempo. Quem estava presente nas arquibancadas começou a usar o canto comum no estádio em jogos do São Paulo gritando por Luis Fabiano.

O cântico mexeu com o centroavante que realmente disputará o Mundial com o uniforme usado pelo ídolo são-paulino há quatro anos, na África do Sul. Assim, três minutos depois dos gritos por Luis Fabiano, Fred balançou as redes e fez questão de colocar a mão na orelha, como um convite irônico a quem pedia outro jogador na sua posição.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Fred marcou o gol da vitória brasileira pouco após os gritos de "Luis Fabiano"
Ao esticar a perna direita para finalizar e fazer o único gol da partida, Fred foi confirmado como real dono da festa. Ao ser substituído, quando o jogo estava nos 30 minutos do segundo tempo, o atacante do Fluminense recebeu aplausos, tão fortes quanto os gritos de “Brasil” ouvidos após o seu gol.

Graças a Fred, o Morumbi, que há 14 anos teve bandeiras brasileiras atiradas das arquibancadas em protesto contra uma má atuação da Seleção, a última aparição do time de Felipão não foi digna só de vaias. Os paulistas estavam dispostos a apoiar e aguentaram todo o péssimo primeiro tempo para protestar.

Os primeiros minutos do amistoso foram de festa, principalmente, para Neymar, que gerava histeria sempre que pegava na bola. Mas o apoio era a todos, tanto que David Luiz e Hulk tiveram seus nomes gritados mesmo quando erravam, em uma clara demonstração de incentivo. Vaias, até então, só para pressionar a Sérvia.

Mas, à medida que o futebol não aparecia, a empolgação diminuiu. A partir dos 25 minutos da etapa inicial, os cânticos de incentivo cessaram e reapareceram timidamente. A insatisfação foi exposta com o apito para o intervalo, quando as vaias tomaram conta do estádio. Uma tímida demonstração de apoio durou segundos na volta do time ao campo sem Oscar, e a irritação seguiu até Fred fazer o gol.

Depois disso, o público só não se dividiu ao aplaudir a saída de Fred como um agradecimento ao centroavante e xingar o árbitro por anular o gol de Hulk, aos 28 minutos. Até Neymar, candidato a xodó, ouviu algumas vaias ao ser trocado por Bernard, aos 35 minutos. O Brasil terá que mostrar muito mais em Itaquera para ser apoiado como quer.

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