Futebol/Seleção Brasileira - ( )

O Brasil em todas as Copas - 2006 e 2010: dois fracassos

Gazeta Press Rio de Janeiro (RJ)

O Brasil em todas as Copas

  • INTRODUÇÃO
  • 1930 - 1938
  • 1950 - 1954
  • 1958
  • 1962 - 1966
  • 1970
  • 1974 - 1990
  • 1994
  • 1998 - 2002
  • 2006 - 2010
  • GOLEIROS
  • FIASCOS

A Seleção Brasileira nunca havia chegado a uma Copa do Mundo com um favoritismo tão grande quanto em 2006. Especialistas e ex-jogadores apontavam o Brasil como o virtual campeão do Mundial, realizado na Alemanha. O fato era baseado nas atuações de antes do torneio. O time comandado por Carlos Alberto Parreira tinha vencido a Copa América de 2004 mesmo preservando vários titulares e, no ano seguinte, dado show na Copa das Confederações, aplicando 4 a 1 na decisão contra a Argentina.

Durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo, que desta vez foi tranquila para o Brasil, surgiu o "quarteto fantástico" ou "quadrado mágico", composto por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Isso sem contar que no banco de reservas existia um Robinho "maluco" para jogar.

Porém, quando a bola rolou, a Seleção Brasileira não conseguiu apresentar o futebol que tanto se esperava dela. A estreia contra a Croácia foi nervosa e terminou com triunfo canarinho graças apenas a um gol de Kaká de fora da área. No discurso, os atletas tentavam justificar a situação alegando que estrear é sempre difícil, mas que tudo mudaria na segunda rodada.

No entanto, na segunda rodada, o mau futebol permaneceu. O Brasil penou para fazer 2 a 0 na Austrália, com gols de Adriano e Fred, este já no fim do segundo tempo. Já classificado para as oitavas de final, o Brasil poupou titulares na terceira rodada, contra o Japão, dirigido por Zico.

Com Cicinho e Gilberto nas laterais, ocupando as vagas de Cafu e Roberto Carlos, respectivamente, o time canarinho ganhava em velocidade pelas pontas. Juninho Pernambucano dava um toque de qualidade à saída de bola. Pela primeira e única vez na Alemanha, o Brasil deu espetáculo, goleando por 4 a 1. Nas semifinais, uma fácil vitória contra Gana, por 3 a 0, facilitada por um gol de Ronaldo logo nos primeiros minutos.

Wander Roberto/Gazeta Press
Brasil era apontado como grande favorito, mas time de Ronaldo decepcionou em campo
A Seleção Brasileira então partiria para seu grande teste, nas quartas de final, diante de seu eterno algoz, a França. Os franceses tinham eliminado o Brasil nas quartas de final de 1986, nos pênaltis, e vencido por 3 a 0 a final de 1998. A expectativa entre os canarinhos era a de dar o troco.

Porém, o que se viu em campo foi um time apático, sem brio, sem criatividade e facilmente dominado. A defesa parou para ver Thierry Henry marcar o gol da classificação francesa no segundo tempo, com Roberto Carlos sendo responsabilizado por estar ajeitando a meia no lance. Era o fim da participação brasileira.

Meses depois, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deixava claro que o clima de festa e a falta de empenho de alguns jogadores acabou sendo decisivos. O País tinha então a certeza de que Parreira, que chegou à Alemanha falando ser um "gestor de talentos", errou ao não assumir o chamado pulso firme. O Brasil deixou escapar pelas mãos o que parecia ser seu mais fácil título.

TIME-BASE: Dida, Cafu, Lúcio, Juan e Roberyo Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Ronaldo

O recorde de Ronaldo

Se o "quadrado mágico" da Seleção Brasileira chegou à Alemanha credenciado a dar espetáculo, seu integrante mais questionado era Ronaldo. O Fenômeno parecia visivelmente fora de forma, a ponto de se envolver em uma polêmica com o presidente Lula, que dias antes do Mundial afirmou que o jogador estava "gordo". O atleta respondeu insinuando que o presidente bebia em excesso.

Gordo ou não, o certo é que Ronaldo passou batido os dois primeiros jogos, sem nem sequer ser notado. Mas contra o Japão ele brilhou marcando dois gols e se igualando ao alemão Gerd Müller como o maior artilheiro da história dos Mundiais, com 14 gols. O Fenômeno conseguiu o desempate no jogo seguinte, ao abrir caminho para a vitória de 3 a 0 sobre Gana nas quartas de final.

Com 15 gols em Copas, Ronaldo, que foi titular em 1998, 2002 e 2006, é o maior artilheiro da história do torneio. Quem tem mais chances de se igualar ao Fenômeno na Copa de 2010 é o atacante alemão Miroslav Klose, que tem 14 gols até o momento em Mundiais.

Felipão brilha de novo, Zidane perde a cabeça no adeus, e a Itália leva a taça

Se o Brasil pouco foi notado na Copa do Mundo, outras seleções se destacaram. Portugal, por exemplo, chegou a um honroso quarto lugar exibindo um futebol de primeiro nível. Comandado por Luiz Felipe Scolari, que quatro anos antes tinha conduzido o Brasil ao penta, o time português eliminou fortes candidatos pelo caminho, como Holanda e Inglaterra. Mas não conseguiu vencer o talento de Zinedine Zidane nas semifinais.

A França de Zidane, por sinal, não vinha sendo muito falada no começo da Copa. Mas ganhou corpo ao eliminar a Espanha nas oitavas de final e o Brasil nas quartas. Depois, passou por Portugal nas semifinais e se credenciou para decidir o título contra a Itália.

A Azzurra, por sinal, fez o seu papel. Não brilhou ao longo da Copa. Passou de maneira tranquila pela primeira fase, mas precisou de erros da arbitragem para eliminar a Austrália com um magro 1 a 0. Depois, porém, a Itália se acertou, aliando o bom desempenho ofensivo a sua tradicional consistência defensiva. Triunfo sem sustos sobre a Ucrânia nas quartas de final e uma histórica vitória por 2 a 0 sobre a anfitriã Alemanha nas semifinais.

Na grande decisão, Itália e França fizeram um jogo marcante. Menos pelo futebol, haja vista que o empate por 1 a 1 não foi grande coisa. Porém, um fato entrou para a história no fim da partida. Zidane, que estava se despedindo do futebol, acabou perdendo a razão e acertando uma cabeçada no zagueiro Marco Materazzi. O francês foi expulso, deixando o gramado pela última vez com a camisa da seleção francesa, que tanto fez brilhar. Nos pênaltis, a Azzurra garantiu o título.

2010: DUNGA SE PERDE NA TEIMOSIA

A Copa de 2010 marcou a primeira edição disputada em um país africano. A África do Sul demonstrou muitos problemas estruturais, mas, mesmo assim, conseguiu conduzir o processo até o fim do Mundial sem maiores traumas. O torneio foi marcado pelas críticas dos jogadores à Jabulani, bola oficial da Copa, e pelo barulho da vuvuzela, uma espécie de corneta local.

Wander Roberto/Gazeta Press
Dunga não conseguiu fazer a Seleção passar pela Holanda, na primeira edição disputada em um país africano
A Copa do Mundo começou tendo o Brasil como um dos favoritos, ao lado da Espanha, que tinha vencido a Eurocopa. Muito se falava ainda da Argentina, muito por conta do talento de Messi, e da Itália, atual campeã. A Alemanha, com um time todo mudado, não carregava tanto favoritismo, mas, como de costume, teve um bom desempenho.

Logo na fase de grupos, dois gigantes caíram: a atual campeã Itália, que chegou a empatar por 1 a 1 com a Nova Zelândia, e a França, que integrou o grupo da África do Sul, dirigida por Carlos Alberto Parreira. Por falar em africanos, foi a primeira vez que um anfitrião não passou da fase de grupos. Naquele grupo A, avançaram México e Uruguai.

A partir das oitavas de final, algumas coisas ficaram claras. A Alemanha parecia não ter adversários, tanto que fez 4 a 1 na Inglaterra e, depois, nas quartas, massacrou a Argentina por 4 a 0. A Espanha seguia aos trancos e barrancos. Já o Uruguai vinha se destacando pela raça e pelo talento do meia Diego Forlán, que ao fim da disputa seria eleito o melhor jogador da Copa.

Nas semifinais, o Uruguai parou diante da Holanda, que tinha eliminado o Brasil. Já a Espanha conseguiu derrubar a então imbatível Alemanha por um magro 1 a 0. Holandeses e espanhóis chegaram à final carregando uma certeza: o campeão seria inédito. Em uma decisão definida apenas na prorrogação, a Espanha chutou para fora o estigma de time ‘do quase’ e deixou os holandeses com o amargo gosto de mais um vice.

Brasil decepciona

O Brasil começou a Copa do Mundo como um dos favoritos, mas as desconfianças começaram já no primeiro jogo, com a burocrática vitória por 2 a 0 sobre a frágil Coreia do Norte. Maicon e Elano anotaram os gols. No segundo duelo, triunfo tranquilo de 3 a 1 sobre a Costa do Marfim. Luis Fabiano foi o grande destaque, anotando dois gols. Elano também voltou a deixar a sua marca. Após esse jogo, Dunga mostrou um nervosismo exagerando ao xingar durante a entrevista coletiva um jornalista.

No terceiro jogo no Mundial, um empate sem gols contra Portugal garantiu o Brasil em primeiro lugar no grupo e o direito de enfrentar o Chile nas oitavas. Os chilenos mantiveram a freguesia e perderam por 3 a 0, com gols de Juan, Luis Fabiano e Robinho.

Enfim, chegava o grande teste, contra a Holanda, nas quartas de final. Antes do jogo, Johan Cruijff, um dos maiores craques da história do futebol holandês e responsável pelo Carrossel, declarou que o Brasil não tinha a mesma qualidade de anos anteriores. Dunga reclamou bastante, mas em campo o que se viu foi o Brasil perder, de virada, por 2 a 1.

Robinho abriu o placar, mas Sneijder acabou com o sonho brasileiro marcando duas vezes. A derrota caiu nas costas de Dunga, que insistiu em Felipe Melo, volante de pouca habilidade e que acabou expulso por jogo violento.

TIME-BASE: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luis Fabiano

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