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Odílio reclama da falta de união e não vê CBF como entidade ideal

Do correspondente Tiago Salazar Santos (SP)

O caso de Cícero gerou muita reflexão no Santos. O presidente Odílio Rodrigues não escondeu sua irritação ao ver um jogador remunerado com um dos melhores salários do clube e com contrato em vigência forçar sua saída em virtude de um não atendimento das solicitações de aumento. Após o caso, o mandatário chegou a cobrar o Bom Senso FC, movimento criado pelos jogadores de futebol.

“Fica a lição, não ficam mágoas, marcas, esse é o mundo do futebol, mas é importante que se respeitem contratos, que o jogador quando faz o contrato, que o cumpra. Esse é um aprendizado que o futebol brasileiro tem que fazer. Acho bonita a postura do Bom Senso, mas já que é para todos acertarem as suas partes, deveria ter no Bom Senso a condição do jogador cumprir o seu contrato”, disse Odílio à época.

No entanto, ao ser questionado sobre a falta de união dos clubes para minar de alguma maneira atitudes como a de Cícero, tão reprovadas pelos dirigentes dos clubes, Odílio revelou uma tentativa pessoal frustrada pelos interesses de cada entidade.

“É um capítulo feito do nosso futebol. Um dia, quando fomos participar de uma eleição numa instituição de futebol, falei para fazermos uma proposta, e recusaram. Conversei com outro presidente, que também recusou”, contou o mandatário santista, que cobrou uma mudança de postura e a criação de uma entidade para representar os clubes em futuras negociações. “O que eu tenho claro para mim hoje? Se os clubes não tiverem uma entidade que os represente, sozinho ninguém faz nada. Não faz por uma série de compromissos, por receios, isso não é nenhuma novidade, então, acredito piamente que os clubes precisam de uma entidade que os representassem”, declarou Odílio.

A entidade citada por Odílio Rodrigues, no entanto, existe. É a Confederação Brasileira de Futebol. Porém, para Odílio, a CBF não aparece como solução.

“Eu não estou criticando a CBF, mas acho que eles deveriam cuidar apenas da seleção brasileira. Uma entidade que representasse os clubes, sem relação com a CBF, seria essencial. Pedir sozinho na TV uma melhoria, você vai fragilizado. Com uma entidade para discutir patrocínio e tudo mais, claro que a visão é outra”, explicou.

No caso de Cícero, o jogador recebia R$ 350 mil mensais no Peixe e tinha uma multa rescisória de 6 milhões de euros, na qual o Santos detinha direito a 50%. O desejo do jogador era receber R$ 500 mil mensalmente, valor que aceito pelo Fluminense, mas sem que a multa fosse paga na íntegra. Ou seja, o clube não recebeu todo o valor que poderia com a transferência e ainda perdeu seu principal jogador para um rival brasileiro.

“O meio propicia isso, a competição na verdade cria isso, também. A realidade é que eu acho, também, que hoje a estrutura no futebol é madrasta e penaliza os clubes”, justificou o presidente santista.

Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Divulgação SFC
Odílio Rodrigues, presidente do Santos, cobrou o Bom Senso F.C. após o caso envolvendo o jogador Cícero

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