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Por jejuns, Ramadã vira assunto delicado na classificada França

Rio de Janeiro (RJ)

A classificação da França para as oitavas de final da Copa do Mundo trouxe de volta à tona um assunto delicado para a comissão técnica de Didier Deschamps. Como lidar com o Ramadã (que se inicia neste sábado e pede um ritual de jejum), tendo jogadores muçulmanos no elenco? O treinador não soube responder com clareza.

"É um assunto muito difícil, não há nada que eu possa falar", reconheceu, na quarta-feira, logo após o empate por 0 a 0 com o Equador, que garantiu uma vaga na fase seguinte do torneio. Na próxima segunda-feira, em Brasília, seu time enfrentará a Nigéria.

Um dos muçulmanos é talvez o principal jogador do grupo, o atacante Karim Benzema, que tem três gols em três jogos. Além dele, o lateral direito Bacary Sagna, o zagueiro Mamadou Sakho e o meia Moussa Sissoko também seguem o Islã e terão que jejuar no período entre o nascer e o pôr-do-sol.

Essa tradição poderia significar um conflito na preparação física dos jogadores já para a próxima partida. Um conflito que foi previsto pela comissão técnica antes do Mundial, época em que também ninguém soube prever exatamente como contornaria o eventual problema. Agora classificado, Deschamps tem dois dias para tentar amenizá-lo.

AFP
Deschamps ainda não sabe como lidará com atletas muçulmanos durante o Ramadã

"Respeitamos as religiões de todos os jogadores. Alguns jogadores têm o hábito de seguir esse costume (jejum). Então, não estou muito preocupado, na realidade. Cada uma das pessoas irá se adaptar a isso", falou, em discurso pouco esclarecedor.

O dilema não é exclusivo da França. Outras seleções também têm jogadores muçulmanos, como a Alemanha, de Mesut Özil, que nesta quinta-feira decide sua classificação diante dos Estados Unidos.