Copa do Mundo 2014/ Argentina - ( - Atualizado )

Sabella põe panos quentes nas declarações de Messi e defende elenco

Belo Horizonte (MG)

Em entrevista coletiva, nesta sexta-feira, no estádio do Mineirão, o técnico da Argentina Alejandro Sabella pouco falou sobre o duelo pela segunda rodada do Grupo F, contra o Irã, que ocorre no próximo sábado, às 13 horas. O assunto principal foi a crítica que Lionel Messi fez ao esquema tático utilizado pelo treinador na partida de estreia contra a Bósnia. O 5-3-2 do primeiro tempo não trouxe aproximação entre os atacantes, segundo palavras do craque argentino.

Sabella mudou, colocou Higuaín e Fernando Gago no segundo tempo e a Albiceleste atuou no 4-3-3, formação tática preferida de Messi. Mesmo com as declarações do atacante do Barcelona, o comandante argentino disse não ter se incomodado, já que o clima no seleção permite isso: “Não me incomodaram de maneira nenhuma (as declarações de Messi). São coisas que eu já sabia. Perguntei para ele como gosta de jogar e me disse. Não fez mais do que reiterar. Fez isso com muito respeito e é algo que já sabíamos. Vivemos um clima de cordialidade e respeito. Temos um grande espírito de grupo no plantel. Falo de futebol com os jogadores e em linhas gerais tenho bom contato. Sempre se aprende. Os jogadores com o treinador e o treinador com os jogadores”.

Para provar a boa relação com Messi, Sabella disse que ele mesmo escolheu o jogador para dar entrevistas no dia seguinte à partida contra a Bósnia: “- Messi já tinha dito muitas vezes que gostava de jogar no 4-3-3 e com Di María chegando ao ataque. Vou repetir: não disse nada novo e disse de forma respeitosa. Não me incomodou em nada e o ambiente do grupo está perfeito. Todos os dias vão jogadores falar com a imprensa e vivemos um clima de liberdade e segurança nas nossas decisões profissionais e humanas. No dia seguinte da partida, quem determina quem fala é o treinador, e eu disse ao Messi para ir falar em coletiva. Tenho total confiança nos profissionais que tenho e tranquilidade. Quando um não deixa falar, é porque não tem confiança de sua capacidade. Eu estou muito tranquilo”.

Sabella ainda fez questão de reforçar o bom clima da seleção argentina ao dizer que aceita opiniões de todos os atletas e envolvidos nessa campanha, inclusive a imprensa: “Trato de manter minhas convicções. Não busco amigos externos. O mais importante é a relação com os jogadores, que esteja bem, e não mudemos nossa maneira de ser. Deixo que os jogadores exponham suas opiniões, sejam elas no grupo ou diante da imprensa. Aqui, há liberdade e companheirismo, há bom ambiente. Não pensamos que temos inimigos externos. Não olhamos para trás, de onde pode vir o golpe. Não temos problemas com ninguém. Só temos que tratar de melhorar. Não podemos ler todas as opiniões dos jornalistas, temos outras questões importantes para resolver, mas vemos como algo que pode ser útil, nos servir. Temos dois ouvidos e uma boca, porque é melhor escutar do que falar. Temos dois olhos. Aproveitamos o que vemos e escutamos”.

AFP
Sabella reforçou que viu com bons olhos as declarações de Messi após a partida contra a Bósnia, no Maracanã

Nas poucas vezes que respondeu perguntas sobre o adversário de sábado, Sabella prevê um Irã aguerrido e fechado contra a Argentina: “É difícil prever a partida. Creio que o Irã tem uma equipe muito forte fisicamente e mentalmente. Obviamente, com diferença de qualidade, mas que vem com a cultura de um país passado por guerras, forte e que não vão dar espaços para os jogadores da Argentina. Vão apostar na bola parada, no contragolpe. É isso que posso imaginar”.

Com uma vitória, Messi e companhia chegarão aos seis pontos e garantem a vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo, enquanto uma derrota complicará as pretensões iranianas na competição, já que a equipe asiática somaria apenas um ponto em duas rodadas.