Futebol/Copa 2014 - ( )

Surpreendido, Del Bosque pede tempo para assimilar queda precoce

Tossiro Neto Rio de Janeiro (SP)

Convocado para a entrevista minutos depois da derrota por 2 a 0 para o Chile, a qual eliminou a Espanha da Copa do Mundo, Vicente del Bosque não encontrou palavras quando questionado sobre o que havia acabado de vivenciar no Maracanã. Campeão mundial em 2010, o treinador, que ainda se demonstrava surpreso, pediu tempo para tentar entender o porquê de seu time ter caído tão cedo.

"Não queria falar tão imediatamente sobre o que aconteceu. Acho que temos que ter um tempo para pensar nisso e responder com segurança. O certo é que ficamos 24, 25 dias trabalhando de modo adequado, crentes de que estávamos em boas condições. Todos responderam bem, e nós tivemos problemas para escolher 11. O segundo tempo contra a Holanda e o primeiro tempo do jogo de hoje (quarta-feira) mostra que regras têm exceções", respondeu.

"Pelo trabalho que foi feito e pela forma como todos se comportaram, pelo espírito que havia dentro do grupo, eu não teria acreditado se me dissessem que seríamos eliminados na primeira fase, sinceramente. Mas as coisas são assim. Fizemos um bom primeiro tempo contra a Holanda e cedemos muito no segundo. Hoje, acredito que começamos em ritmo muito lento, um pouco acovardados. Isso não mostra o que o time nos deu durante a preparação", acrescentou.

A queda foi dura não apenas por ter sido precoce, mas pelo fato de se tratar da mesma geração que fez história na África do Sul. Quatro anos depois, os últimos campeões mundiais foram goleados por 5 a 1 pela Holanda, na estreia, e deram adeus à competição por conta de uma convincente vitória do Chile por 2 a 0, nesta quarta-feira.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Campeão mundial em 2010, o treinador surpreso pediu tempo para tentar entender a derrota para o Chile
"Estávamos muito tímidos no primeiro tempo, quase não fazendo nada. Não conseguimos fazer a pressão adequada. Não tivemos muita sorte nas bolas a gol, mas não temos que buscar desculpa. Fomos inferiores à Holanda e ao Chile e temos que olhar para frente. É isso", sintetizou Del Bosque, antes de ser questionado novamente sobre a partida. "Não quero me repetir. A equipe do Chile fez o que esperávamos que eles fossem fazer. Com atitude, condicionamento físico, valentia, coragem...".

Inevitavelmente, a campanha forçará mudanças no futebol espanhol. As quais podem começar pelo estilo de jogo. Nos dias seguintes ao revés para a Holanda, alguns jogadores saíram em defesa da obsessão pela posse de bola. Outros, como o meia Andrés Iniesta, lembrou, antes da partida desta quarta-feira, que a Espanha poderia jogar bonito em outras ocasiões, mas que, desta vez, precisaria vencer “do jeito que fosse”. No fim das contas, nem mesmo as mudanças de peças surtiram efeito.

"É óbvio que quando acontece algo negativo em um torneio tão importante, há consequências", reconheceu Del Bosque. "Mas não gostaria de entrar nessa análise, porque ainda temos muito tempo pela frente. O mais importante é que esta federação está bem consolidada e teremos tempo para fazer as coisas que achamos que seja o melhor para a Espanha".

Antes de retornar à Europa, a seleção espanhola se despede enfrentando a Austrália, na próxima segunda-feira, em Curitiba. As duas vagas do grupo B para as oitavas de final ficam com Holanda e Chile, que se enfrentarão no mesmo dia para definir quem avança na primeira colocação. Até lá, Del Bosque espera compreensão e apoio da torcida à geração que ele ajudou a formar.

"Desde o jogo com a Holanda, tivemos uma série de mensagens positivas, de afeto, de simpatia para a seleção. Naturalmente, é um dia triste para todos, para todas as pessoas que reconhecem os êxitos dessa seleção, e para nós, que estamos sofrendo em primeira pessoa. Lamentamos não termos dado mais satisfação, mas teremos tempo para pensar no futuro", concluiu o treinador, obviamente abatido.