Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Teresópolis vê jogo com campeão mundial anônimo e gafes no telão

Tossiro Neto Teresópolis (RJ)

Um brasileiro campeão mundial de 1970 passaria quase despercebido pela população de Teresópolis que foi a uma rua do centro da cidade, na tarde desta quinta-feira, acompanhar em um telão a estreia da Seleção na Copa do Mundo, diante da Croácia, em São Paulo. Passaria se, minutos antes do jogo, o DJ que animava o evento não tivesse notado sua presença e anunciado no alto-falante.

"Pessoal, pessoal, o Dadá Maravilha, da Seleção, está aqui", disse o músico, no microfone, enquanto as escalações dos dois times eram anunciadas. Instantaneamente, as pessoas que estavam mais próximas ao ídolo do Atlético-MG deixaram as vuvuzelas e buzinas de lado para tirar fotografias ou aparecer nas imagens do cinegrafista que o acompanhava.

Dadá está na cidade desde a semana passada, como contratado de uma emissora de televisão de Belo Horizonte, para fazer a cobertura dos treinos do Brasil na Granja Comary. Em duas ocasiões, ele se apresentou aos jogadores, durante entrevista coletiva, e até fez perguntas. Chegou, inclusive, a entregar um recadinho ao atacante Fred, que, assim como ele, já fez sucesso no futebol mineiro.

Quando a bola rolou, o ex-jogador assistiu à partida a dois metros do painel de LED de alta definição. E ficou temeroso ao ver o lateral esquerdo Marcelo abrir o placar com um gol contra, logo aos dez minutos. "Me assustou. Os beques foram todos na bola, ninguém sobrou", disse, no intervalo, quando o jogo já estava empatado, graças a um chute rasteiro de fora da área de Neymar, que não agradou por completo ao pai da "solucionática", expressão inventada como oposição à "problemática".

Fernando Dantas/Gazeta Press
Dadá Maravilha chegou cedo ao local e foi notado por poucas pessoas e jornalistas até que, instantes antes do jogo, o DJ anunciou sua presença no alto-falante, momento em que o ex-jogador então foi reconhecido
"Taticamente, o Brasil foi melhor no primeiro tempo, mas exagerou nas firulas. Tem que jogar um futebol mais prático, deixar as firulas de lado. Acredito que o Neymar possa ser a solucionática do Brasil, mas é o primeiro a ter que tocar a bola. Ele está prendendo demais. É um craque, um jogador extraordinário, mas tem que botar na cabeça que precisa jogar com mais simplicidade. Isso vai melhorar a produção dele", opinou Dadá, antes de sumir, anônimo, entre as cerca de mil pessoas presentes.

Dadá não viu do telão da prefeitura o começo da segunda etapa. Ninguém ali viu. Por uma falha da organização, que aproveitou o intervalo para transmitir um vídeo de promoção da cidade, o jogo voltou a ser transmitido somente a partir dos quatro minutos, depois que alguns moradores protestaram ao notar nas televisões dos bares ao lado que a partida já havia reiniciado. Mais tarde, quadrados pretos no painel taparam parcialmente por alguns segundos a visão do jogo e renderam vaias. Os problemas, porém, não foram suficiente para perder a virada brasileira.

A exemplo do que ocorreu no gol de empate, o público teresopolitano fez muito barulho quando o árbitro japonês Yuichi Nishimura assinalou polêmico pênalti em Fred. Neymar converteu e colocou a Seleção em vantagem, aos 25 minutos do segundo tempo. No final do jogo, quando a Croácia partiu em busca da igualdade, a euforia deu lugar à apreensão. Mas só até Oscar marcar o terceiro, fechar a conta e reanimar a torcida.

Os mais exaltados prometiam voltar para casa apenas depois de presenciar o retorno da equipe à Granja Comary, no fim da noite desta quinta-feira. Os mais cansados - talvez Dadá Maravilha faça parte deste grupo - deixarão para ir ao local apenas na sexta-feira à tarde, quando os jogadores voltarão a treinar sob comando do técnico Luiz Felipe Scolari, depois da vitória por 3 a 1 no primeiro jogo da Copa do Mundo.

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