Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Volante recusa trabalho emocional para Seleção: "Não é hora mais"

Tossiro Neto Teresópolis (RJ)

O choro de alguns jogadores da Seleção Brasileira nas partidas da Copa do Mundo não é motivo para um novo acompanhamento psicológico do grupo, na opinião de Fernandinho. Na reapresentação da equipe à Granja Comary, na tarde desta segunda-feira, o volante foi questionado várias vezes sobre o assunto e, em todas elas, respondeu que, a essa altura da competição, a preocupação deve ser com a parte esportiva.

"O preparo vem sendo feito desde o dia em que a gente se apresentou aqui. Trabalhamos com psicólogos, todos os jogadores chegaram bem preparados. Agora não é hora mais de trabalhar essa parte emocional. Todos estão cientes do que têm que fazer. Agora é chegar em campo e mostrar o que a gente tem que fazer", disse.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernandinho acredita que a parte psicológica não precisa ser mais trabalhada

Antes da disputa por pênaltis contra o Chile, no sábado, o capitão Thiago Silva pediu ao técnico Luiz Felipe Scolari para ser o último a bater, isolou-se e foi às lágrimas. Na opinião de alguns psicólogos, como João Ricardo Cozac, blogueiro da Gazeta Esportiva e presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, uma cena que demonstrou “uma falta de controle emocional das mais perigosas”. Para Luiz Gustavo, no entanto, isso não atrapalhou o desempenho. A equipe desperdiçou duas cobranças, mas se classificou graças a duas defesas do goleiro Júlio César e um terceiro erro chileno.

"A gente tem uma responsabilidade muito grande, porque estamos representando uma nação. São 200 milhões de pessoas que, através do futebol, podem ter alegria, um dia a dia melhor. Como seres humanos, podemos sentir emoções, por mais que seja em um momento critico. Mesmo assim, mantivemos a concentração em um nível decisivo, na hora dos pênaltis. Talvez quem tenha se concentrado mais foi o Júlio César. Antes mesmo das cobranças, ele nos passou muita confiança. Prefiro acreditar nisso, no nível de confiança que tivemos", comentou.

Diante da insistência no assunto, o camisa 5 foi se mostrando incomodado. “Cada um age de maneira diferente. Um é mais compulsivo, outro fica mais pensando. Não adianta ficar dando ênfase para isso, porque isso talvez não leve nosso time a lugar nenhum. Nosso nível de concentração foi muito bom, em uma decisão de pênaltis, porque qualquer erro poderia colocar tudo por água abaixo”, respondeu. “Não adianta dar ênfase para isso aí e esquecer que temos um jogo importante na sexta-feira, que pode nos dar a classificação”, reforçou, depois.

A Confederação Brasileira de Futebol não soube dizer se Felipão requisitará novamente auxílio de Regina Brandão, psicóloga com quem trabalha desde 1993. Nos primeiros dias de preparação para o Mundial, com ajuda de outras duas profissionais, ele entrevistou os 23 jogadores convocados para traçar um perfil psicológico do elenco. Fez esse trabalho também em 2002, quando o atual treinador levou o time nacional ao título mundial. No que depender de Fernandinho, não será necessária uma nova visita sua, porém.

"As conversas que tivemos com as psicólogas foram muito boas, mas, agora, as conversas são entre os atletas. Todos são experientes, cascudos, já tem condições de conversar, analisar e tentar mudar as coisas que estejam acontecendo. Isso talvez possa fazer diferença daqui para frente, a conversa entre nós, atletas. Todos sabem o que têm que melhorar, o que têm que manter", opinou o meio-campista, negando ainda que o favoritismo que o Brasil assumiu tenha contribuído para aumentar a pressão nele e em seus companheiros.

"Em qualquer competição, o Brasil sempre é favorito. Isso sempre aconteceu. E nós sabemos que temos um grupo forte, com ótimos jogadores. Crescemos muito durante a competição, o que tem nos fortalecido", minimizou.