Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Apoiado por Parreira, Felipão deixa futuro na Seleção em aberto

Tossiro Neto, enviado especial Teresópolis (RJ)

Depois das análises instantâneas da derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na própria terça-feira, Luiz Felipe Scolari concedeu nova entrevista coletiva nesta quarta. Passadas menos de 24 horas do vexame histórico em Belo Horizonte, o treinador chegou à sala de imprensa da Granja Comary acompanhado dos principais nomes de sua comissão e, interrompido diversas vezes por Carlos Alberto Parreira, deixou seu futuro na Seleção Brasileira em aberto.

Segundo o comandante, contratado em novembro de 2012 pela Confederação Brasileira de Futebol – juntamente com Parreira, que assumiu a função de coordenador técnico da equipe nacional –, qualquer decisão com o presidente da entidade, José Maria Marin, será tomada somente após a decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo (marcada para sábado, em Brasília, contra adversário a ser conhecido ainda nesta tarde, no duelo entre Argentina e Holanda).

"É um assunto que não vamos discutir em hipótese alguma antes disso. Queríamos falar depois do jogo do Maracanã, no domingo, mas temos outra final agora. Depois disso é que vamos conversar com a direção, dar nosso relatório final de tudo o que foi feito, com uma série de detalhes. Após isso é que a gente vai definir alguma coisa. Passa naturalmente pela presidência da CBF, que vai examinar o que houve de certo e errado no nosso trabalho", disse.

"É um assunto que não passa pela minha cabeça agora", frisou, quando questionado novamente sobre o tema. "Nem no início nem antes da competição passava, quando havia alguma colocação do presidente. Deixa o time jogar, deixa terminar, deixa a gente conseguir o resultado. Depois, a gente vai ver o que vai acontecer na nossa vida. Primeiramente, temos o jogo de sábado, que passou a ser nosso sonho principal agora, já que deixamos de sonhar com o título".

Fernando Dantas/Gazeta Press
Treinador disse que passará relatório ao presidente da CBF só depois da partida de sábado, em Brasília
Em um dos vários momentos em que interrompeu respostas de Felipão, Parreira tratou de enaltecer a preparação que foi realizada desde que ambos retornaram à Seleção, em especial a que se deu antes do Mundial. "Durante um ano e meio, não tivemos um deslize. A preparação só é boa quando atinge os resultados. Quando não atinge, (dizem que) foi ruim. Foi perfeita, tudo funcionou. O resultado contra a Alemanha não foi que esperávamos, mas quero agradecer pelo comprometimento desse grupo de trabalho, da comissão técnica. Não houve erro logístico, operacional", destacou, apoiando Felipão, mas também se protegendo.

Com compromisso garantido até sábado, no mínimo, Felipão saiu em defesa de Marin quando ouviu questionamento sobre sua ausência em momentos de maior crise no torneio. "Quando terminou o jogo, passados 10 ou 15 minutos, ele estava lá, pedindo para falar com os jogadores, para se posicionar. No almoço antes do jogo também. Não precisamos que ele esteja presente aqui, porque temos o Vilson (Ribeiro de Andrade), que o representa como chefe da delegação. Mas temos telefone, comunicação com o presidente, sempre que precisamos de alguma coisa. Ele está sempre presente, podem acreditar", salientou, elogiando também a estrutura oferecida pela CBF na Granja Comary, "melhor do que imaginávamos".

Até a disputa do terceiro lugar, Felipão e sua comissão técnica têm mais três dias de treino. A tarde desta quarta-feira, no entanto, foi reservada para um trabalho regenerativo na piscina.