Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Após 28 anos, Messi tenta repetir “show” de Maradona contra Bélgica

Yan Resende, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

Lionel Messi nunca conseguiu fugir das comparações com Diego Armando Maradona. A mesma nacionalidade, o sucesso precoce na carreira, a habilidade impressionante com a perna esquerda reforçaram a tese de que os argentinos estavam diante de um novo ‘díos’. A ‘pulga’, porém, ainda não conseguiu chegar perto, com a camisa albiceleste, do que foi feito por aquele que inspirou sua carreira. Neste sábado, ao defender o seu país contra a Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo, terá mais uma chance de ganhar alguns pontos neste interminável raio-x.

Eleito por quatro anos consecutivos como melhor jogador do mundo pela Fifa, Messi não tem mais nada para provar ao torcedor do Barcelona, clube pelo qual atua desde sua adolescência. O grande desafio da carreira do jogador é repetir as boas atuações pelo time catalão com a camisa da Argentina, já que o craque ainda não conquistou nenhum título com o time profissional da seleção de seu país. Este talvez seja o quesito em que leva maior desvantagem nas comparações com Maradona.

Acervo/Gazeta Press
Manchete do jornal A Gazeta Esportiva após a vitória da Argentina, por 2 a 0, sobre a Bélgica

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‘Dieguito’ foi o maior responsável pelo bicampeonato da Argentina em 1986. Com a mesma camisa 10 hoje usada por Messi, o atacante fez um dos gols mais bonitos de todas as Copas do Mundo na vitória contra a Inglaterra, balançou as redes usando a mão e assim passou a ser venerado como um deus entre os seus compatriotas. Para chegar a este status, também passou pela Bélgica, na semifinal: marcou os dois gols da vitória por 2 a 0, e recolocou o seu país em mais uma decisão. Um “show”, como foi descrito por A Gazeta Esportiva.

Diante de um time belga defensivo, a equipe albiceleste precisou das jogadas individuais de seu craque para avançar. Já no segundo tempo, Maradona recebeu dentro da área e tocou com categoria para encobrir o bom goleiro Pfaff, destaque da equipe europeia na competição. Para selar a classificação, o camisa 10 fez um golaço. Ao dominar a bola na intermediária, passou por dois marcadores, invadiu a área, deixou mais um adversário para trás e bateu cruzado para estufar as redes. Para A Gazeta Esportiva, “a vitória da Argentina sobre a Bélgica teve um motivo: Maradona”.

Depois de ver ‘Dieguito’ levar a Argentina à final, e posteriormente conquistar o bicampeonato, Messi carrega o fardo de tentar repetir o feito de seu ídolo. Para tirar o seu país de uma incômoda fila de 28 anos sem o título da Copa do Mundo, o atacante do Barcelona já vem assumindo a responsabilidade de ser o protagonista da atual seleção. Na estreia, contra a Bósnia, precisou fazer uma linda jogada individual para tirar os argentinos do sufoco. Assim também fez contra Irã, Nigéria e Suíça, este último pelas decisivas oitavas de final.

O adversário deste sábado deixa Messi ainda mais ligado a Maradona, e faz a torcida argentina, que deixou de criticar seu atual craque para sonhar com o tri, se lembrar da campanha de 1986. Na ocasião, a Bélgica apareceu pelo caminho nas semifinais, mas o fato de o reencontro ser em uma fase anterior não minimiza a tensão do confronto – quanto menos a esperança de que um camisa 10 volte a brilhar para evitar uma nova eliminação. No Estádio Mané Garrincha, em Brasília, os “diabos vermelhos” podem ser a chave para que “la pulga” trilhe os caminhos de “díos”.

AFP
Discípulo de Maradona, Messi tenta repetir os feitos de seu ídolo com a camisa da seleção argentina