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Brasil x Alemanha: final de 2002 tem remanescentes dos dois lados

Tossiro Neto, enviado especial Teresópolis (RJ)

Doze anos depois do único confronto entre Brasil e Alemanha em Copa do Mundo até esta terça-feira, as duas seleções ainda têm remanescentes daquela final. Luiz Felipe Scolari, treinador que ficou com o título e voltou ao time brasileiro no ano passado, é o principal nome que esteve naquela partida em Yokohama e estará também na desta tarde, pela semifinal, em Belo Horizonte. Não é o único, no entanto.

Pelo lado brasileiro, há também Roque Júnior. O ex-zagueiro, titular na vitória por 2 a 0 (gols de Ronaldo), agora atua como observador técnico da Confederação Brasileira de Futebol. Acompanhou de perto os últimos jogos do adversário, a propósito. Nas quartas de final entre alemães e franceses, ele foi ao Maracanã sem nenhum disfarce – ficou na tribuna de imprensa –, acompanhado de Alexandre Gallo, o outro espião brasileiro. "Eles nos deram a confiança de que o que vamos fazer amanhã é o correto", destacou Felipão, nesta segunda-feira.

Em 30 de junho de 2002, a missão correta de Roque Júnior, então com 25 anos, era parar Miroslav Klose, atacante um ano mais jovem, que despontava em sua primeira participação no torneio e havia marcado cinco gols até a decisão. Aos nove minutos, os dois já tinham cartão amarelo. Mesmo tendo sido realmente parado pela defesa, Klose seguiu sendo lembrado em todos os Mundiais seguintes e, aos 36 anos, estará na capital mineira nesta terça-feira. O veterano tenta seu 16º gol para superar Ronaldo, um de seus algozes, e se tornar o maior artilheiro da história da competição.

Joachim Low, técnico que o convocou para sua quarta Copa na carreira, não é o mesmo de 12 anos atrás. Ele participou das campanhas de 2010 (na África do Sul, já como treinador) e 2006 (na própria Alemanha, como assistente de Jurgen Klinsmann), contudo não fazia parte da seleção de seu país em 2002. Naquela ocasião, o comandante alemão era o também ex-jogador Rudi Voller, campeão mundial de 1990 e atualmente diretor esportivo do Bayer Leverkusen, time que não tem nenhum convocado por Low – a base atual é formada por jogadores do Bayern de Munique, principalmente.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Miroslav Klose é o único que joga; em 2002, foi parado por Roque Júnior, hoje observador técnico da Seleção

Mas é na comissão técnica que está o outro remanescente alemão do último vice-campeonato. Trata-se do ex-centroavante Oliver Bierhoff, que substituiu Klose aos 29 minutos do segundo tempo da final de 2002 e se aposentou dos gramados na temporada seguinte. Entre seus principais feitos pela equipe nacional quando ainda jogava, estão os gols marcados na final da Eurocopa de 1996, na vitória por 2 a 1 sobre a República Tcheca – o segundo deles, gol de ouro. Antes conhecido por potentes testadas na bola, Bierhoff hoje em dia usa a cabeça fora dos campos como diretor técnico da seleção.

Alguns roupeiros e outros funcionários de suporte também continuam trabalhando para as duas federações, mas são esses quatro os principais personagens com privilégio de participar diretamente tanto do primeiro quanto do segundo confronto entre Brasil e Alemanha em Mundiais. Para Felipão, que também enfrentou o time europeu quando dirigia Portugal, não são apenas positivas as lembranças. Pelo contrário.

"Ganhamos em 2002, mas eu perdi na Eurocopa de 2008, com Portugal. Perdi o terceiro lugar (da Copa), em 2006, lá na Alemanha, com Portugal. Portanto, contabilizo duas derrotas e uma vitória. Para igualar, tenho que ganhar amanhã (terça-feira)", brincou o treinador brasileiro, que diz ter criado amizade com os adversários por conta desse histórico antigo de confrontos.

"Em 2006, se não me engano, encontrei o Kahn (Oliver Kahn, goleiro que sofreu dois gols de Ronaldo, quatro anos antes) e nos falamos. Eu o parabenizei pela vitória, e ele disse: não queria essa, e sim a outra", contou Felipão, antes de salientar a dificuldade que encontrará nesta terça-feira, no Mineirão. "É um jogo muito difícil", avaliou, já respaldado pelas informações recebidas de Roque Júnior, homem de sua confiança desde antes de ter parado Klose e Bierhoff.