Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Felipão diz assumir responsabilidade, mas nega erro em escolhas

Belo Horizonte (MG)

Apertado por perguntas agressivas na entrevista concedida após a pior derrota do Brasil na história das Copas, Luiz Felipe Scolari disse assumir a responsabilidade. Não foi além dessa frase, porém, negando que suas questionadas escolhas na escalação da Seleção tenham sido decisivas na vitória por 7 a 1 da Alemanha na semifinal do Mundial, em Belo Horizonte.

“Vou me arrepender de quê? A gente imaginava que, com a volta do Oscar, do Hulk e do Bernard, poderíamos fechar o setor de meio também. Estava tudo organizado até a hora do gol. Depois é que nos desorganizamos, fiamos um pouco em pânico, e as coisas foram acontecendo para eles. E deram tudo errado para nós. Não tenho que me arrepender da escolha que fiz. É uma escolha que o técnico faz e precisa arcar com as consequências”, afirmou.

Sem o melhor jogador do time – Neymar quebrou uma vértebra nas quartas de final –, Felipão optou pela entrada do atacante Bernard. Não ganhou valor significativo na frente e, sem Paulinho, Ramires, Hernanes ou Willian no meio-campo, viu a Alemanha construir o massacre dominando totalmente o setor. Aos 28 minutos do primeiro tempo, o placar já apontava 5 a 0.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
A entrada de Bernard para atacar o lateral Howedes não deu o resultado que era buscado
“Foi um gol atrás do outro. Foi um branco total que deu. Nós tentávamos falar para o pessoal se organizar, ficar um pouquinho, porque aquilo foi uma pressão. Naquele momento, não tinha o que fazer, trocar um ou dois. Quando a gente está em pane, não vale a pena. Então, esperei”, disse o gaúcho, que só foi fazer alterações no intervalo.

O comandante não gostou de ouvir que o Brasil encontrou dificuldades ao longo da Copa contra adversários mais bem organizados taticamente, como o México, o Chile e a própria Alemanha. Não caiu na tentação, no entanto, de usar a ausência de Neymar para justificar um resultado de difícil explicação.

“A gente não sabe como isso aconteceu”, resumiu. “Se eles fizeram aquilo, poderiam fazer com o Neymar também. O Neymar é um da equipe. Não tem que tentar imaginar que com o Neymar seria diferente porque ele é um atacante, teria uma função diferente de qualquer outro ali.”

Scolari negou também que a comoção em torno da lesão do craque. Ainda que tenha visto “pânico” decorrente do bom início dos visitantes, o treinador não quis ligar a derrota a questões emocionais, como os recorrentes choros na campanha e a emoção com a execução do Hino Nacional Brasileiro.

“Não vamos arranjar uma desculpa, com Neymar, emoção do hino... O que aconteceu foi que a Alemanha, em determinado momento, impôs um ritmo maravilhoso. Conseguiu em dois ou três lances os gols para definir o jogo. Funcionou positivamente para eles. Aí, o time teve aqueles quatro, cinco, seis minutos de transtorno aproveitados de forma maravilhosa por eles. Não teve nada a ver, com hino, Neymar, caminhar com a mão no ombro um do outro para entrar em campo”, concluiu o técnico.