Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Felipão diz que só encerra etapa na Seleção e fica à disposição da CBF

William Correia, enviado especial Brasília (DF)

A disputa do terceiro lugar na Copa do Mundo neste sábado será, por enquanto, apenas o último jogo de uma etapa do trabalho de Luiz Felipe Scolari na Seleção Brasileira. Irritado ao ser questionado mais uma vez se decidiu sobre sua permanência no cargo, o técnico ressaltou que está à disposição de José Maria Marin, atual presidente da CBF, e de Marco Polo Del Nero, que assumirá a confederação no ano que vem.

“Meu trabalho termina após o último jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, e o último jogo é amanhã. Vamos encerrar o trabalho da primeira etapa que combinamos. Depois, apresento o meu relatório e o presidente Marin e o Marco Polo, provavelmente, vão conversar para vermos o que fazer. Verão o que entendem de correto dentro do meu trabalho”, afirmou.

O treinador garante que não abriu nenhum com diálogo com qualquer dirigente sobre seu futuro, até porque, como deu a entender, sua continuidade na função não depende só dele. “O que converso no dia a dia com eles é sobre o trabalho da equipe neste momento. Não conversamos nada sobre futuro e também não vou me manifestar antes de terminar o jogo de amanhã.”

A pior derrota em 100 anos de Seleção Brasileira, contudo, ainda faz o treinador esbravejar. Não pelo resultado, que define como “catastrófico” somente por conta do placar imposto por 7 a 1 pela Alemanha na terça-feira. Felipão não aceita que a semifinal do Mundial seja usada como base para críticas ao seu trabalho, que teve a conquista da Copa das Confederações no ano passado.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Após expor que o trabalho termina após o duelo com a Holanda, Felipão pôs a permanência a cargo de Marin
“De um ano e meio para cá, tivemos uma série de situações muito boas. Não vejo como as pessoas posam ver somente o resultado de um jogo. Se o trabalho é bom, não é uma fatalidade ou um desastre que vai mudá-lo. Mas não quero nem preciso fazer apologia ou defesa. Apenas quero que pensem um pouco se tem algo bom ou se o trabalho é todo ruim com uma derrota em jogo oficial”, disse.

Ao ser questionado se existe um ambiente favorável sobre sua permanência, Scolari aumentou o tom de voz. “Não tenho que responder se tem clima, não é meu problema e não vou discutir isso publicamente. Mas passamos na rua e recebemos um apoio muito maior do que imaginam. Podem acreditar, é verdade”, declarou, ainda sem se arrepender de ter colocado o hexacampeonato como obrigação em 2014.

“Em 2002, eu disse que estaria satisfeito se chegarmos entre os quatro, e pude falar isso porque jogaria na Coreia do Sul e no Japão. Se eu falasse isso para a Copa no Brasil, já estaria fora do ar antes de começar. Mas chegar entre os quatro não é o fim do mundo, como tem se pregado”, contestou.

“O que interessava era chegar à final e não cheguei. Estou em débito porque influenciei positivamente o grupo e o público em geral com a confiança de que poderíamos chegar mais longe. Mas não me arrependo de ter passado a ideia de que poderíamos ser campeões. Só não estamos disputando o título porque jogamos um jogo mal. Mal ou bem, chegamos à semifinal”, continuou se defendendo, embora insista que não precisa disso.