Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Felipão lamenta "tsunami", defende projeto e 95% da convocação

Tossiro Neto, enviado especial Teresópolis (RJ)

O técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, não deu o braço a torcer ao ver seu trabalho ser contestado nesta quarta-feira, dia seguinte à derrota por 7 a 1 para a Alemanha, a pior na história da equipe nacional. Justificou o vexame como uma pane geral do time do segundo ao quinto gols sofridos e defendeu o planejamento que traçou para a Copa do Mundo, a começar pelos atletas convocados.

"Temos que buscar alguma fonte alternativa para sobreviver a esse episódio. Nossa vida não é feita só de derrotas. Existe uma ou outra mais importante, essa foi a pior de todas, mas nossa vida é feita de muita qualidade e beleza, porque a vida é muito legal. Ninguém vai morrer por causa disso. Temos que buscar alguma rota para enfrentar o tsunami que aconteceu ontem", comentou, em analogia às ondas gigantes que têm grande poder destrutivo.

"Naturalmente que, pelo número elevado de gols, esse resultado ficará marcado. Mas não se esqueçam também que a história tem que registrar que o Brasil, depois de 2002, chegou à semifinal pela primeira vez. O trabalho não foi de todo ruim. Tivemos uma derrota ruim, seis minutos de uma pane geral. Aconteceu. Em cima disso, agora vamos montar o time para o jogo de sábado, para tentarmos terminar a competição pelo menos em terceiro lugar", acrescentou.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Treinador brasileiro voltou a falar em pane geral da equipe durante seis minutos, quando sofreu quatro gols
Questionado se não havia errado ao usar o único treinamento dos titulares, na véspera da partida, para confessadamente tentar enganar a imprensa e consequentemente o adversário, Felipão se apegou a estatísticas que tinha em um papel. Segundo ele, a entrada de Bernard no lugar do lesionado Neymar não precisava ser ensaiada mais do que os poucos minutos que usou na segunda-feira, na Granja Comary.

"Treinei a equipe para 28 jogos. Desses, o Bernard esteve em, no mínimo 24. Entrou durante alguns e saiu jogando em outros. Ele sabia perfeitamente como iríamos jogar e sabia perfeitamente como o queríamos em campo. Sabia de antemão. Agora, se nós usamos a imprensa, me desculpe. Vocês não nos usam nunca", rebateu, irônico. Mais tarde, sobre a grande quantidade de folgas e os poucos treinamentos com titulares, respondeu irritado.

"Posso explicar pelo departamento médico, pelo departamento físico. Estava tudo planejado. Regenerativo após 48 horas, treino técnico após 72 horas. Fizemos treinos com cuidado para não haver lesão. E não tivemos nenhuma lesão. Quando precisamos correr durante 120 minutos (contra o Chile), corremos e passamos sobre o adversário. Tomamos um gol de bola parada, fizemos cinco de bola retomada e seis de bola parada. Alguma coisa foi trabalhada. Prefiro dizer que a gente chegou entre os quatro melhores do mundo", argumentou.

Com apoio de intervenções de Carlos Alberto Parreira (coordenador técnico) e Flávio Murtosa (auxiliar técnico), o treinador ainda salientou a qualidade alemã, fruto de "oito anos de preparação", mas reforçou, sobretudo, que teria feito praticamente a mesma coisa se tivesse a chance de recomeçar do zero. Só mudaria 5% da lista dos 23 jogadores convocados.

"Não mudaria minhas convicções. Se fizéssemos uma nova convocação, provavelmente eu e vocês chegaríamos a 95% dos mesmos nomes. São bons jogadores, atingiram objetivos na carreira. Eles chegaram na Copa das Confederações e venceram. Vieram para uma Copa do Mundo e ficaram entre os quatro melhores", concluiu Felipão, a três dias da disputa do terceiro lugar da competição, contra Argentina ou Holanda, em Brasília.