Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Neymar se inclui em "vergonha" e espera que 7 a 1 não vire mancha

Tossiro Neto, enviado especial Teresópolis (RJ)

"Começamos juntos, vamos terminar juntos". Segundo Neymar, foi isso o que ele disse ao se juntar novamente ao grupo da Seleção Brasileira, na tarde desta quinta-feira, na Granja Comary. Com uma lesão na coluna, o atacante não esteve em campo na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo, mas se incluiu na campanha fracassada, a qual ele espera apenas que não manche a história dos jogadores e da equipe nacional.

"Fizemos de tudo para sermos campeões no nosso país e marcar nosso nome na história de uma forma positiva. Falhamos, erramos, deixamos a desejar. Sabemos que não fizemos uma campanha boa, não demonstramos nosso melhor futebol, o futebol de Seleção Brasileira. Demonstramos um futebol regular, por isso chegamos à semifinal. Mas não mostramos um futebol superior, que encanta a todos", admitiu.

"Fomos fracassados, sim, perdemos, mas faz parte do futebol. Não queríamos perder dessa forma, mas pelo menos eles (jogadores) correram, buscaram até o final. Estavam perdendo de 6 a 0, 7 a 0 e não pararam de correr, correram como homens. Sinto orgulho de cada um. Depois dessa derrota, a gente se sente humilhado, envergonhado, porque não queríamos isso, porque temos família e um povo que torce pela gente. Mas ninguém precisa falar para a gente isso. Eu não tenho a mínima vergonha de dizer que fiz parte da equipe que perdeu de 7 a 1. Sinto orgulho dos meus companheiros", acrescentou o craque do time, autor de quatro gols no torneio.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Camisa 10 do Brasil voltou à concentração nesta quinta-feira, dois dias depois da derrota histórica para a Alemanha
O orgulho que Neymar sente, apesar da campanha ruim na competição, é em razão da superação do time para ficar entre os quatro melhores. Sem saber explicar o que viu pela televisão – a análise se baseou no que todos os outros jogadores e membros da comissão técnica chamaram de "apagão" durante seis minutos do primeiro tempo, período em que os alemães marcaram quatro gols –, o camisa 10 destacou o esforço feito por ele e seus colegas desde a estreia.

O único receio do melhor jogador brasileiro é de que o vexame de Belo Horizonte seja a primeira lembrança desta geração no futuro. Algo com o qual o time de 1950, em especial o goleiro Barbosa, conviveu depois da derrota por 2 a 1 na decisão para o Uruguai, no Maracanã. Nas entrevistas que concedeu antes de morrer, Barbosa lamentou a pena "perpétua" que recebeu, sendo, para muitos, o culpado pelo insucesso no primeiro Mundial realizado no Brasil.

"Foi uma história muito bonita que construímos até aqui. Não é por causa de uma derrota, de uma goleada, que essa história vai ser terminada. É continuidade da história que a gente está traçando na Seleção. Se ficarmos marcados por uma goleada, vai ser um pouco de injustiça, como aconteceu em 1950 com o Barbosa. Meu pai me contou a história dele, e eu concordei que foi uma injustiça", comentou Neymar, nesta quinta-feira, antes de receitar alegria. "Temos que dar a volta por cima de tudo isso, voltar a sorrir. Já passou, sofremos, choramos o que tínhamos que chorar. Agora é sorrir novamente, entrar e campo no sábado e vencer a partida".

A partida de sábado será contra a Holanda, pela disputa do terceiro lugar. Em Brasília, mais uma vez sem Neymar, que deve levar de três a seis semanas para se recuperar da fratura na terceira vértebra lombar, a equipe treinada por Luiz Felipe Scolari enfrentará a vítima da Argentina, a qual, por sua vez, jogará a final contra a Alemanha, no mesmo palco da decisão de 1950.