Futebol/Copa 2014 - ( )

Para apoiar Thiago, Felipão lembra capitão do vice de Portugal em casa

Fortaleza (CE)

Ao chorar com gestos de desespero e abrir mão de conversar com o grupo para rezar isolado, sentado em uma bola antes das cobranças de pênalti contra o Chile, Thiago Silva teve seu posto de capitão contestado por psicólogos. Para defender o zagueiro do Brasil na Copa do Mundo em que o País é anfitrião, Luiz Felipe Scolari usa um exemplo curioso: lembra atitude similar de Luis Figo, dono tarja da seleção portuguesa que, em 2004, foi vice-campeã europeia dentro de casa.

Pelas quartas de final da Eurocopa de dez anos atrás, em Lisboa, Portugal perdia da Inglaterra por 1 a 0 quando Felipão abriu mão de Figo, trocando-o aos 30 minutos do segundo tempo por Hélder Postiga, que faria o gol de empate – no fim da prorrogação, o duelo ficou 2 a 2 e os anfitriões avançaram nos pênaltis. O capitão lusitano, porém, impressionou ao se recusar a ficar no banco após ser substituído, indo direto para os vestiários.

“Fui muito cobrado porque a primeira imagem que ficou era de que o Luis Figo estava chateado e não estava junto com os outros, todos ficaram surpresos. Mas, em um segundo momento, todos souberam que ficou em frente a uma imagem de Nossa Senhora de Fátima rezando pelos companheiros. A imagem passou a ser analisada diferentemente, como uma reação de confiança dele”, lembrou Scolari.

Montagem sobre fotos de AFP
Capitão do vice da Euro em Portugal, Figo se isolou para rezar no torneio, como fez Thiago Silva no sábado
O atual técnico da Seleção Brasileira considera o ex-meia um “senhor maravilhoso”, lembrando que foi eleito o melhor do mundo pela Fifa em 2001. Mas, apesar de tantos elogios, foi capitão de um time que frustrou seu país ao perder a final europeia em casa para a Grécia. A sensação será ainda maior caso o Brasil de Thiago Silva não seja campeão mundial neste ano.

Porém, com o exemplo, Felipão pede respeito ao seu camisa 3. “Cada um tem uma atitude. Alguém se abaixa para rezar, outro agradece a Deus com as mãos espalmadas, eu beijo a Nossa Senhora de Caravaggio...”, falou o técnico, que sempre carrega uma medalha da santa. “Poderiam respeitar mais a individualidade. Não são essas pequenas coisas que fazem o time piorar ou melhorar”, prosseguiu.