Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Scolari tenta impedir, mas capitão apela contra crucificação do chefe

William Correia, enviado especial Brasília (DF)

Luiz Felipe Scolari colocou seu futuro na Seleção nas mãos dos dirigentes da CBF, e mostrou que não quer nenhum dos jogadores se expondo ao comentar a sua situação. Nesta sexta-feira, véspera da disputa do terceiro lugar na Copa do Mundo diante da Holanda, até tentou fazer com que Thiago Silva não o avaliasse durante a entrevista coletiva. Mas não conseguiu.

O treinador interrompeu uma pergunta endereçada ao capitão sobre as vantagens da continuidade do comandante. “Gente, por favor, o Thiago não vai, na minha presença, dizer se sou ruim ou bom. Pelo amor de Deus...”, disse Felipão, logo ouvindo o zagueiro elevar a voz para defendê-lo.

“Não é porque ele está do meu lado, não. Já falei para ele, na frente do grupo e pessoalmente, quanto confiamos nele e o que crescemos em um ano e meio. Tudo começou com o Mano Menezes e a saída de um técnico é sempre um pouco difícil de tentar assimilar. Não é o momento de crucificar o Felipão por um erro, acerto ou qualquer razão. Estamos juntos. Em um grupo, quando um erra, todos erram”, disse o camisa 3.

Thiago Silva estava suspenso e, por isso, não participou do resultado mais vexatório da história da Seleção Brasileira. Mas se inclui na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na terça-feira, pela semifinal do Mundial, para tirar o seu comandante da cruz.

“Ele falou que teve uma parcela de erro como nós tivemos a nossa. Quando se consegue dividir os erros em partes, não fica pesado para todos. O certo não é culpar o Felipão, mas nós, que estávamos em campo. Por mais que eu não estivesse no jogo, eu me incluo porque faço parte do grupo e é o meu papel como capitão”, explicou.

O zagueiro seguiu em apoio ao chefe culpando os quatro gols alemães em seis minutos, além de destacar como uma goleada sobre o Brasil é rara. “Infelizmente, aconteceu. E só vai acontecer agora em 100 anos, não acontece normalmente. Foram seis minutos de uma pena que se tornaram um resultado trágico”, simplificou, praticamente repetindo o que Felipão tem dito desde terça-feira.