Futebol/Copa 2014 - ( )

Técnico holandês enfrentou Brasil uma vez e levou gol de desafeto

Tossiro Neto, enviado especial Teresópolis (RJ)

Criador da polêmica que mais incomodou Luiz Felipe Scolari durante a Copa do Mundo, Louis van Gaal enfrentará a Seleção Brasileira pela segunda vez na carreira, neste sábado, quando, mesmo dizendo não ter motivação após a derrota na semifinal, a Holanda buscará o terceiro lugar do torneio. No único duelo até hoje, o treinador empatou por 2 a 2 em amistoso, quando ainda dirigia o Barcelona.

O jogo foi disputado em 28 de abril de 1999, no Camp Nou, em comemoração ao centenário do clube espanhol. Rivaldo, que pertencia ao Barcelona atuou com a camisa 10 verde-amarela. E fez gol. O segundo do Brasil, que havia aberto o placar com Ronaldo, mas sofrido o empate de Luis Enrique Martínez (ex-meia e atual treinador da equipe catalã), após falha de Rogério Ceni - o goleiro voltaria a soltar uma bola depois, em gol de Phillip Cocu.

Rivaldo foi um dos muitos brasileiros com quem Van Gaal teve atrito. O ex-jogador, inclusive, foi citado por Felipão neste Mundial, como justificativa para rebater o holandês. "Estou conhecendo melhor algumas pessoas, principalmente pelo que o Rivaldo me falava", disse o treinador da Seleção, recentemente, após ouvir do rival que ele teria possibilidade de escolher o adversário das oitavas de final e gostaria de fugir da Holanda, time que tinha feito "gols fantásticos".

"Algumas pessoas se manifestaram dizendo que vamos escolher o nosso adversário. Ou são burras ou mal-intencionadas. Se perdermos para Camarões, vamos nos classificar? Não. E os horários dos jogos são escolhidos pela Fifa. Então, vamos parar de endeusar A, B ou C. Dão ênfase a uma pessoa que está falando bobagem", rebateu Felipão, que enfrentou Van Gaal apenas uma vez - e perdeu, nos pênaltis, na decisão do Mundial de Clubes de 1995 entre Grêmio e Ajax, após empate por 0 a 0 até na prorrogação.

AFP
Em campo, estavam também jogadores como Josep Guardiola (atualmente treinador do Bayern) e Ronaldo
Felipão é só mais um brasileiro a responder o holandês. O primeiro perseguido por ele foi Giovanni. Na temporada 1998/1999, o meia-atacante (que também participou do amistoso do centenário do Barcelona pelo lado da Seleção) teve problemas com o treinador e pediu para deixar o clube catalão. Rivaldo só saiu em 2002, após ter vencido a Copa do Mundo, sob comando justamente de Felipão. Ele nunca concordou com o posicionamento tático em que atuava pelo lado esquerdo e, dispensado, transferiu-se para o Milan.

"Ele é o Hitler dos jogadores brasileiros. É arrogante, soberbo, tem algum problema. Minha convivência com ele foi péssima. Ele não queria brasileiros com ele, brigou comigo, me mandou embora e também brigou com Rivaldo e o Sonny Anderson. Ele sempre dava a desculpa que estávamos treinando mal", disse Giovanni, em entrevista à Folha de S.Paulo, há quatro anos.

O meia-atacante contou ainda que, certa vez, foi avisado apenas horas antes de um jogo contra o Tenerife, no sul da Espanha, de que não seria usado. "Fiquei muito bravo. É que sou um cara calmo, senão eu ia meter porrada nele. Me fez viajar para um lugar cerca de três ou quatro horas de Barcelona para falar que não ia me usar. Que me deixasse então em Barcelona com minha família. Por que me levou? Eu falei para ele que nunca mais fizesse aquilo, para dizer que não me usaria. Falei irritado. Ele nunca mais fez", falou.

"Hitler" para ex-jogadores, "burro" para Felipão, Van Gaal será mais uma vez desafiante do Brasil às 17 horas (de Brasília) deste sábado, justamente na capital do País. Apesar de ter dito que a disputa pelo terceiro lugar nunca deveria ser jogada, o comandante da Holanda pode ter em Brasília um gostinho especial de sustentar a invencibilidade diante dos anfitriões.