Centenário do Palmeiras - ( - Atualizado )

Ápice de parceira vencedora, Libertadores cria ‘santo’ do Palmeiras

São Paulo (SP)

Era o “jogo da vida”, como escreveu A Gazeta Esportiva no dia da final da Libertadores 1999, contra o Deportivo Cali, da Colômbia, e uma partida com esta importância não poderia deixar de ter emoção. Em um Palestra Itália lotado, a decisão chegou à disputa de pênaltis e o título ficou com o clube brasileiro apenas depois do erro de Zapata na última cobrança. O Verdão, enfim, conquistava a América, chegando ao ápice de uma parceria vencedora com a Parmalat.

Se neste chute derradeiro Marcos contou com a sorte e a falta de pontaria do adversário, na maior parte da trajetória palmeirense na Libertadores chamou a responsabilidade, fez defesas milagrosas e passou a ser canonizado no Palestra Itália. Reserva no início da campanha, o ‘santo’ alviverde assumiu a vaga deixada por Velloso nos confrontos mais importantes, os clássico contra o Corinthians pelas quartas de final, e não desapontou, sendo o protagonista dos históricos Derbys.

Os dois rivais já haviam se enfrentado na primeira fase, quando cada time venceu o seu confronto como mandante. Na mesma chave, apesar de ser goleado por Palmeiras e Corinthians, o Cerro Porteño avançou na terceira colocação, eliminando o também paraguaio Olímpia. Depois de uma classificação tranquila, o time do Palestra Itália passou a viver um drama na Libertadores a cada decisão.

Atual campeão da competição continental, o Vasco ganhou o direito de ingressar na edição de 1999 já nas oitavas de final. O primeiro desafio da equipe carioca na defesa do título seria justamente o Palmeiras. Na primeira partida, em São Paulo, o empate em 1 a 1 deixou o time da Colina em vantagem, mas o Verdão surpreendeu em São Januário, venceu por 4 a 2 e selou a classificação, demonstrando que estava pronto para crescer nos momentos mais difíceis daquela campanha.

Acervo/Gazeta Press
Marcos saiu do banco de reservas para se tornar herói da conquista e santo para o torcedor palmeirense
O duelo das quartas de final seria histórico. Palmeiras e Corinthians voltariam a se encontrar na Libertadores para escrever um dos capítulos mais importantes de uma rivalidade hoje quase centenária. Luiz Felipe Scolari teria uma importante baixa para a decisão: o goleiro titular Velloso estava lesionado, e o camisa 12 Marcos assumiria a responsabilidade de defender as traves alviverdes. Nascia o santo.

O reserva fez uma partida impecável, salvou sua equipe com defesas milagrosas, e viu o Palmeiras fazer 2 a 0 no placar para abrir vantagem no confronto: “Marcos, o herói do Verdão”, estampou A Gazeta Esportiva em sua capa. “Qualquer torcedor que, no futuro, falar do clássico, talvez nem se lembre dos autores dos dois gols da vitória. Um único nome ficará para a eternidade: o goleiro Marcos”, dizia o relato da partida.

Na volta, o Corinthians deu o troco, aproveitou a fragilidade de um adversário mal montado por Luiz Felipe Scolari, que preferiu se retrancar, e venceu pelos mesmos dois gols de diferença. A decisão foi para os pênaltis, Marcos então contou com a trave carimbada por Dinei e depois parou o experiente Vampeta, fazendo os jornais da época acreditarem que “Deus é palmeirense”.

Acervo/Gazeta Press
Com sofrimento na fase final, Luiz Felipe Scolari pôde levantar o troféu após a vitória sobre o Deportivo Cali
A boa fase seguiu pelas semifinais, nas quais o Verdão teve pela frente o tradicional River Plate. O goleiro teve uma de suas melhores atuações na carreira no duelo realizado na Argentina, evitando um revés maior do que o magro 1 a 0. Com o otimismo da torcida no Palestra Itália, o protagonismo voltou a ser de quem deveria comandar a equipe neste momento decisivo. Com dois golaços, Alex “matou a pau” e deixou o Palmeiras com “cara de campeão” após o triunfo por 3 a 0.

O Verdão estava de volta à final continental após 31 anos, o adversário seria o Deportivo Cali e o confronto derradeiro seria novamente em terras brasileiras. Desta forma, cabia ao time do Palestra Itália repetir o que já vinha sendo feito: garantir um bom resultado na casa do adversário e reverter a situação ao lado do torcedor. A equipe seguiu o protocolo, perdeu por 1 a 0 na Colômbia e voltou para casa comemorando a desvantagem mínima no marcador.

No dia 16 de junho de 1999, Marcos, Arce (substituído por Evair), Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Zinho e Alex (substituído por Euller); Paulo Nunes e Oséas entraram para a história. O time comandado por Luiz Felipe Scolari venceu por 2 a 1 no tempo regulamentar e novamente precisou dos pênaltis para conquistar a América. Aos gritos de “fora, fora”, Zapata atendeu aos pedidos da torcida, que “ganhou a Libertadores para o Verdão”, de acordo com A Gazeta Esportiva, e chutou à direita da meta alviverde.