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Jennings aprova Bom Senso FC e pede prisão de Whelan e Teixeira

São Paulo (SP)

O Bom Senso FC, grupo de jogadores que reivindica melhorias no futebol brasileiro, é visto com bons olhos pelo jornalista Andrew Jennings. Considerado o inimigo número 1 da Fifa por denunciar uma série de irregularidades na entidade, o escritor pede a prisão de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e Raymond Whelan, envolvido na máfia de ingressos descoberta durante a Copa do Mundo.

“Não sei detalhes a respeito do Bom Senso, mas ouvi algumas coisas sobre esse grupo ultimamente e a iniciativa me parece muito boa. É ótimo que haja demandas por mudanças radicais da parte dos jogadores, que poderiam ser apoiados pelos torcedores e até por alguns clubes”, afirmou o escritor em entrevista à Gazeta Esportiva e à Rádio Gazeta AM.

Andrew Jennings esteve em São Paulo para participar da 23ª edição da Bienal Internacional do Livro e promover "Brasil em jogo" (Boitempo) e “Um jogo cada vez mais sujo” (Panda Books). Em uma visita à Fundação Cásper Líbero, ele falou com empolgação sobre a investigação da máfia de ingressos descoberta durante a Copa.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O Bom Senso FC, liderado pelo zagueiro Paulo André, é visto com bons olhos pelo jornalista Andrew Jennings
Em uma operação batizada de “Jules Rimet”, as autoridades do Rio de Janeiro desmontaram uma quadrilha acusada de faturar mais de R$ 1 milhão por partida no Mundial a partir da venda ilegal de ingressos ligados à Match Services, empresa licenciada pela Fifa para comercializar entradas.

Os irmãos mexicanos Jaime e Enrique Byrom são os proprietários da Match Services. O britânico Raymond Whelan, executivo da empresa, e o argelino Mohamed Lamine Fofana são acusados de liderar o esquema ilegal de venda de ingressos.

AUTOR SUSPEITA DE MUDANÇAS

O futebol sul-americano sofreu uma série de mudanças recentemente, já que Ricardo Teixeira deixou a CBF, o paraguaio Nicolas Leoz se afastou da Conmebol e morreu Júlio Grondona, da AFA.

“Qual é o legado do Grondona para nós? Ah, vender alguns ingressos e prejudicar o Brasil. Não sei que tipo de efeito essas mudanças terão. Sai o Ricardo Teixeira e entra o José Maria Marin, que será sucedido pelo Del Nero”, ponderou.

Experiente, Jennings brincou. “Tenho cabelos brancos e alguns anos de vida, mas ainda não sou velho o suficiente para atuar na direção do futebol brasileiro. Esse pequeno grupo de mafiosos é um escândalo”, disse.

“O Brasil tem a oportunidade de oferecer um legado fantástico. Vocês não ganharam a Copa do Mundo dessa vez, mas podem ganhar a admiração do mundo inteiro se empregarem todos os recursos para investigar os irmãos Byrom, Fofana e Ray Whelan. O escândalo de ingressos vai direto ao coração da Fifa”, afirmou.

Raymond Whelan chegou a ser preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, mas foi liberado por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em tom sarcástico, Jennings disse esperar que o executivo da Match Services retorne para o xadrez, de preferência acompanhado por Ricardo Teixeira, que recebeu propina da falida empresa de marketing ISL.

“O Brasil precisa conduzir uma investigação civilizada, inteligente e independente. No final, pode prender Ricardo Teixeira e fazê-lo dividir a mesma cela com Ray Whelan. Esse seria o maior legado. Todos ficariam gratos aos determinados e honestos brasileiros por combaterem a corrupção na Fifa”, defendeu.