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Lúcio vê limites como capitão e deixa bronca para Gareca e diretoria

São Paulo (SP)

Lúcio adotou tom duro na última entrevista coletiva antes de enfrentar o Coritiba, neste sábado, exigindo caráter de todos do elenco, até expondo um racha no grupo em relação a comprometimento. Mas a mesma postura não será repetida na conversa entre os jogadores. O veterano se sente limitado mesmo sendo capitão e deixa para que a diretoria e o técnico Ricardo Gareca façam as cobranças para tirar o Palmeiras da última colocação do Brasileiro.

“Apesar de ser capitão, é muito difícil cobrar outro jogador. Uma cobrança mais dura pode criar problema, briga ou confusão. Cabe muito à comissão técnica e aos dirigentes fazer essa cobrança, não eu”, avisou o zagueiro, um dos poucos que não gargalhou nem brincou no rachão de sexta-feira, único treino da equipe entre a derrota para o Sport e o duelo deste fim de semana, no Pacaembu.

“Não posso chegar e cobrar o time como se fosse um treinador ou um diretor. Cabe a eles cobrar tanto de mim quanto dos outros. Esse comprometimento e essa responsabilidade não cabem ao capitão nem a outro líder do grupo, mas ao treinador e à diretoria, que são as autoridades do clube”, continuou.

Lúcio conta que até existe uma conversa diária de cobrança entre os jogadores pela sequência de 11 rodadas sem vitória, mas com tom moderado. O zagueiro argumenta que seu poder de influência é limitado até por conta do comprometimento de quem deveria ouvi-lo com mais atenção.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Zagueiro se sente limitado até pelo comprometimento de quem deveria ouvi-lo com mais atenção
“Qualquer líder procura motivar, passar credibilidade, fazer com que cada um acredite no seu futebol, mas vem outra questão: quem quer lidar com isso? Quem quer aceitar essa motivação e mudança? Quem quer receber bons conselhos, palavras de motivação e se dedicar? Isso depende da hombridade e do caráter de alguns jogadores”, afirmou.

“Em todos os jogos, procuramos passar o que representa cada partida, e a nossa posição na tabela demonstra que a equipe não rendeu o suficiente. Essa conversa é diária, antes e depois dos jogos. Mas não adianta você forçar o jogador a ter uma atitude correta. Quem pode cobrar tem que cobrar. E cada um tem que se analisar porque, com cada um melhorando, automaticamente o time vai se encontrar em uma situação melhor”, concluiu o veterano.