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Membros do STJD trabalham nos bastidores para resolver 'caso Aranha'

Porto Alegre (RS)

Um dia após a manifestação racista ao goleiro santista Aranha, proferida por um grupo de torcedores gremistas, a ação, que ultrapassou os limites da rivalidade, continua repercutindo nos bastidores. Os procuradores da justiça desportiva trabalham na apuração dos responsáveis pelo crime, e começam a ponderar acerca do tipo de punição a ser imposta.

De acordo com o promotor de justiça do torcedor, José Francisco Seabra Mendes Júnior, é necessário aguardar a conclusão do inquérito policial para que todos os culpados sejam identificados. “Além da punição individual dos torcedores que tenham a identidade apurada, nós vamos nos reunir com a brigada militar e com a Federação Gaúcha para apurar se os cânticos provinham das torcidas organizadas. Se confirmado o envolvimento, a punição pode ser estendida à facção uniformizada”, comentou deixando em aberto a solução do caso.

Em contrapartida, o assessor do Grêmio, Marcos Chitolina, fez questão de esclarecer que o clube não apoia a discriminação racial, como forma de tentar isentar o Tricolor gaúcho de uma possível punição, fato que já aconteceu no início do ano, quando o zagueiro do Inter Paulão foi ofendido pela torcida gremista durante um Gre-Nal, válido pelo Gauchão.

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Schmitt (ao centro) não descarta extensão da punição à torcida gremista e avisa que STJD vai averiguar

“O Grêmio não é uma instituição racista. Foi um ato individual, a Arena tem condições para identificar os envolvidos. O clube tomará as medidas cabíveis previstas pela lei”, garantiu o chefe da assessoria de imprensa.

Ao comentar sobre as consequências do ato preconceituoso, Seabra afirma que o fato da ocasião envolver muitas testemunhas pode agravar a pena. “É um crime punido com um a três anos de reclusão e multa. Ainda tem um agravante de mais um terço em relação a pena quando o crime é praticado na presença de muitas pessoas”, assegurou.

Em entrevista ao jornal Zero Hora, o procurador do STJD, Paulo Schimitt afirmou que recebeu uma notificação do árbitro Wilton Pereira Sampaio relatando o ato de injúria e que tal depoimento será incluído na súmula da partida. “Já solicitamos imagens e outras provas para análise. A súmula tem um adendo noticiando o fato. O clube poderá responder por infração ao inciso do artigo 243-G (injúria racial) do código brasileiro de justiça desportiva”, advertiu.