Futebol/Campeonato Brasileiro - ( - Atualizado )

Siemsen culpa logística, condena confusão e nega greve "sem sentido"

Rio de Janeiro (RJ)

O clima hostil que paira no Fluminense põe em xeque as ambições da equipe nesta temporada. Após a terceira derrota seguida, os jogadores foram recebidos no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, por torcedores enfurecidos e passaram momentos de tensão no desembarque. Condenando a confusão no Aeroporto Santos Dumont, o presidente Peter Siemsen posicionou-se sofre as agressões em entrevista ao canal Sportv.

“Lamento muito o que aconteceu ontem (quinta-feira). Não é papel do torcedor. Aqueles específicos (torcedores) ultrapassam os limites do protesto pacifico”, critica o dirigente tricolor, esclarecendo que é a favor de manifestações públicas, desde que não fujam do controle. “O protesto agressivo, que às vezes descamba para a violência, é altamente condenável. E em vez de ajudar a promover a mudança que essas pessoas anseiam, acaba por prejudicar e dificultar a retomada do caminho das vitórias.”

Segundo Siemsen, o incidente no Aeroporto ocorreu por erro logístico da delegação tricolor. “Foi uma questão até de logística. Alguns jogadores saíram na frente sabendo que ali teriam torcedores. Os que foram de ônibus saíram normalmente, mas os que saíram em seus próprios carros, sem ainda a proteção policial, acabaram sofrendo esses atos”, explica, alegando que o Fluminense trabalha na identificação para punir possíveis sócios do clube.

Citando recentes tensões no Corinthians e no Flamengo, o dirigente analisa que a pressão da torcida infelizmente é cultural. O dirigente ainda lembra que a relação entre diretoria e torcidas organizadas do Fluminense é ainda mais delicada porque o clube vem aos poucos cortando as regalias antes reservadas às facções.

Bruno Haddad/Fluminense F. C.
Presidente promete tomar atitudes para punir responsáveis por violência aos jogadores do Fluminense
O presidente lembra que o Fluminense briga na parte de cima da classificação do Campeonato Brasileiro, exalta a qualidade do elenco e culpa os seguidos insucessos como principal fator da má fase. “Hoje (o grupo) nitidamente perdeu a confiança e isso afetou o desempenho”, explica. “O time não consegue mais progredir com o mesmo futebol moderno e tático. Com isso ainda soma-se o desempenho da Seleção Brasileira, que aumentou a pressão sobre o Fred, e o retorno ao Fluminense potencializou essa situação”, afirma Siemsen, lembrando até do vexame canarinho ao listar as dificuldades da equipe.

Siensem não responde Fred - Os atos violentos resultaram em desabafo do atacante Fred. Perseguido por sua inoperância ao defender o Brasil na Copa do Mundo, o capitão tricolor soltou o verbo nas redes sociais. Pedindo ações enérgicas da diretoria, ele ainda classificou os torcedores protagonistas da confusão como “escória da sociedade”. Mesmo diante da insatisfação do ídolo, Peter Siensem prefere não comentar a nota, alegando ser “algo pessoal do jogador”.

“Não conversei com o Fred, mas conversei com outros jogadores, especialmente os que saíram primeiro - justamente quando se deu problema. Os jogadores estão focados em reverter a situação no campo. Ninguém falou comigo sobre greve, acho que foi uma reação excessiva no momento”, declara Siemsen, voltando posteriormente ao assunto para afirmar que nem leva em consideração a possibilidade de greve porque “não tem sentido”.