Centenário do Palmeiras - ( )

Torcedores, ídolos e dirigente dividem espaço em túmulo do Palmeiras

São Paulo (SP)

Os caixões podem não ser verdes e brancos, como diz uma das canções entoadas pelo público nas arquibancadas, mas o Palmeiras tem um jazigo oficial. No Cemitério do Araçá, localizado na Zona Oeste de São Paulo, torcedores e jogadores dividem espaço com um dirigente.

Coincidentemente, o Cemitério do Araçá fica a poucos metros do Estádio do Pacaembu, utilizado pelo Palmeiras com maior frequência durante a reforma do Palestra Itália. Do túmulo com tons verdes, identificado com o símbolo do clube, os gritos da torcida são facilmente audíveis.

O atacante Segundo Villadoniga, enterrado no jazigo oficial, participou de um dos jogos mais importantes da história da agremiação, disputado justamente no Pacaembu. Na primeira partida após a mudança de nome de Palestra Itália para Palmeiras, com a presença do uruguaio, o time conquistou o Paulista de 1942 sobre o São Paulo.

Tetracampeão uruguaio pelo Peñarol, Villadoniga, com passagem pela seleção de seu país, defendeu o Vasco antes de chegar ao Palestra-Palmeiras. Conhecido como “El Arquitecto”, ele marcou 50 gols em 134 jogos pelo clube paulista de 1942 a 1946. Radicado em São Paulo, morreu em 2006.

O atacante José Romeiro, também chamado de “Sputnik Brasileiro”, apelido reproduzido em sua lápide, faleceu em 2008 e foi o último a ser enterrado no túmulo do Palmeiras. Autor de 62 gols em 114 partidas de 1958 a 1962, ele conquistou o Paulista de 1959 e a Taça Brasil de 1960.

Assim como Segundo Villadoniga, seu ‘vizinho’ no jazigo do Palmeiras, Romeiro participou de um jogo memorável. De falta, ele marcou o gol da vitória sobre o Santos de Pelé no terceiro e decisivo confronto válido pelo Super Campeonato Paulista de 1959, encerrando um jejum de títulos iniciado em 1951.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Jogadores, torcedores e um dirigente dividem espaço no túmulo oficial da Sociedade Esportiva Palmeiras
O primeiro ‘inquilino’ do túmulo oficial do Palmeiras foi Onofre Mazza, falecido em 1968 – na lápide, consta o nome “Onofrio”. Nascido na Itália, ele mantinha uma joalheria localizada no centro da capital paulista e acabou assassinado na porta de sua residência poucos dias depois de ser eleito conselheiro vitalício do clube.

O torcedor Cléo Sóstenes, ex-presidente da Mancha Verde, também teve uma morte trágica. Com apenas 24 anos, foi assassinado nas imediações da sede da torcida organizada em 1988, supostamente por membros de uma facção rival. Até hoje, o grupo leva aos jogos uma bandeira com a imagem do antigo líder.

Nascido na Itália, Giovanni Capalbo, mais conhecido como “João Gaveta” por atribuir todas as derrotas do clube à má fé da arbitragem – o apelido consta na lápide -, também está no túmulo do Palmeiras. Considerado torcedor símbolo do clube, ele faleceu em 1984 e teria nascido em 26 de agosto de 1920, dia e mês da fundação do Palestra Itália.

Vicente Ragognetti, responsável por conclamar os italianos a criar um time de futebol para representar a colônia em 1914, também foi enterrado no jazigo oficial da agremiação, em 1977. No entanto, os restos mortais do ex-jornalista, um dos fundadores do Palestra Itália, foram removidos para outro túmulo, também no Cemitério do Araçá.