Futebol Internacional/Amistoso - ( - Atualizado )

Argentina goleia Alemanha por 4 a 2 e vinga vice-campeonato mundial

Dusseldorf (Alemanha)

Se há pouco menos de dois meses os brasileiros lamentaram o maior vexame da Seleção em Copas do Mundo, ao ver a equipe sendo goleada por 7 a 1 pela Alemanha em pleno Maracanã, nesta quarta-feira puderam vibrar ao assistirem os tetracampeões sofrerem do mesmo mal. Em Dusseldorf, os arquirrivais argentinos superaram os alemães por 4 a 2 e coroaram a estreia de Tata Martino com um resultado elástico, vingando a derrota sofrida na prorrogação da final do Mundial.

Na ausência de Lionel Messi, maior expoente do elenco, o meio-campista Ángel Di María assumiu o protagonismo. Maior venda da história do Real Madrid, o camisa 7 contribuiu para a vitória com três assistências, além de ter marcado um gol e dado dinâmica ao meio de campo portenho, povoado de forma proposital pelo treinador.

Homem de confiança de Martino no Barcelona, Mascherano foi escalado como primeiro volante, para dar mais consistência ao setor defensivo, atuando na frente da linha de zaga. Com o capitão na meia cancha, a saída de bola da equipe ganhou em qualidade e, de maneira surpreendente, a Argentina comandou o meio de campo, setor prioritariamente dominado pelos alemães, que costumam fazer do toque de bola sua maior arma.

O jogo

Mesmo jogando longe da torcida apaixonada, e tendo que suportar a pressão dos alemães, os argentinos não se acuaram em nenhum momento da partida e procuraram jogar visando o gol adversário desde o apito inicial. Escalada no esquema 4-5-1, a Argentina povoou o meio campo, impedindo que os alemães dominassem essa faixa do gramado e protagonizassem as principais jogadas ofensivas.

Já na primeira partida de Tata Martino à frente da equipe, foi possível perceber algumas mudanças no estilo de jogo portenho. Forçada a se superar por conta da ausência de Messi, principal expoente do time, a seleção argentina apostou na troca de passes para organizar as jogadas. Relembrando os tempos de Barcelona, Tata escalou Mascherano à frente da zaga, para dar maior consistência ao setor defensivo e melhorar a qualidade do passe no meio de campo.

Com cinco atletas na faixa central do campo, os visitantes procuraram pressionar a saída de bola dos alemães no campo de ataque, obrigando que uma seleção acostumada à troca de passes recorresse ao ‘chutão’ para amenizar a pressão. Sem espaço para criar, os alemães poupavam esforços e tocavam a bola no campo de defesa, apostando em lançamentos longos.

Em um destes lançamentos, feito por Marco Reus, Mario Gomez ficou frente a frente com Romero, mas o goleiro argentino levou a melhor e evitou que os donos da casa abrissem o placar. O centroavante, que aposta na aposentadoria de Klose para voltar a integrar o elenco alemão, teve três oportunidades de marcar, mas não conseguiu ter êxito em nenhuma delas, fazendo a torcida perder a paciência.

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Gomez foi mal no amistoso, perdeu claras oportunidades de gol e não aproveitou a chance de substituir Klose

Aos 19 jogados da primeira etapa, a Argentina chegou e, definitivamente, assustou Neuer pela primeira vez. Di María dominou pela esquerda e acertou um lindo cruzamento de trivela em direção à área. Esperto, Aguero se movimentou entre os zagueiros e apareceu livre para finalizar no alto e abrir o placar.

Atrás do marcador, os alemães se lançaram ao ataque para tirar a desvantagem. Jogando no erro do adversário, os tetracampeões só não igualaram ao marcador graças as importantes intervenções de Romero, que evitou ao menos dois gols dos donos da casa.

A cinco minutos do fim, os alemães vacilaram na marcação e viram o adversário aumentar a vantagem. Di María recebeu belo lançamento de Zabaleta pela direita, abusou da velocidade e cruzou para trás. Convocado pela primeira vez para defender a seleção, Lamela concluiu de primeira, no ângulo de Neuer, marcando um golaço. 2 a 0 Argentina antes do intervalo! 

Nos primeiros minutos da etapa final, logo após a volta do intervalo, os argentinos ampliaram o placar. Aos dois minutos, Di María apareceu novamente. O camisa 7 cruzou na área e a bola encontrou Federico Fernández. O defensor subiu mais que a zaga alemã e testou para o fundo das redes.

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Em sua 1ª partida, Tata Martino pareceu privilegiar o toque de bola como estratégia de jogo

Possivelmente, o apagão que sofreu o Brasil na derrota por 7 a 1 para os alemães, abateu-se também sobre os atuais campeões mundiais, que viram o adversário transformar o placar em goleada dois minutos mais tarde. Após linda triangulação pela direita, Di María imprimiu velocidade, invadiu a área e superou o goleiro Weidenfeller com uma linda cavadinha, esbanjando categoria.

Os alemães diminuíram no lance seguinte. Após cobrança de escanteio, Schurrle precisou de duas tentativas para balançar as redes. Após finalizar e obrigar Romero a espalmar no reflexo, o atacante conferiu o rebote chutando rasteiro para marcar o primeiro tento alemão na partida. Em desvantagem no placar, Joachim Löw abriu mão de preciosismos e lançou dois de seus titulares a campo: Müller e Gotze substituíram Schurrle e Mario Gomez, respectivamente.

Autor do gol na prorrogação que deu o título à Alemanha, o jovem Mario Gotze deixou sua marca. Após sair do banco de reservas, o camisa 19 aumentou o poder de fogo da equipe e, ao lado de Marco Reus, criou mais perigo. Aos 31 jogados da etapa final, Gotze aproveitou a sobra, chutou da entrada da área e contou com um desvio do zagueiro para marcar o segundo gol dos donos da casa.

O que parecia o início de uma reação, não passou de uma ameaça. Com a vitória já encaminhada, logo em sua estreia, Tata Martino preferiu reforçar o setor defensivo, tirando um meia atacante e colocando um volante de contenção. Com o meio de campo povoado, a Argentina conseguiu segurar o ímpeto ofensivo dos atuais campeões mundiais e, com segurança no toque de bola, manter a superioridade – refletida pelo resultado elástico – até o fim da partida.

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Com Messi fora, Di María foi o protagonista na armação; contra os alemães foram três passes e um gol