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São Paulo demite funcionários e dá início a "choque de gestão"

São Paulo (SP)

Guiado por uma consultoria, o São Paulo tem, aos poucos, dado início a um processo de reestruturação. Depois de uma primeira análise realizada em agosto pela empresa, alguns funcionários foram demitidos nesta terça-feira. Segundo o presidente do clube, Carlos Miguel Aidar, "demissões pontuais, por enquanto".

A mudança no modelo de gestão foi um dos principais tópicos da campanha do dirigente, eleito em abril. "Um choque de gestão", propunha. "Eles (consultoria) chegam com as especialidades deles, diagnosticam tudo o que veem, entrevistam uma por uma as pessoas e trazem uma proposta para a gente. É importante porque, tendo uma base sólida de gestão, você tem mais tempo para se dedicar de um lado à política do futebol, de outro à política social".

A consultoria contratada foi o Instituto Aquila, empresa especializada em gestão, com sedes no Brasil e na Suíça, e que concorria com FVG (Fundação Getúlio Vargas) e a norte-americana McKinsey & Company pela preferência do mandatário. Desde o mês passado, seus profissionais vinham realizando entrevistas com funcionários de todos os setores com o intuito de corrigir ou aprimorar as práticas da administração entregue pelo ex-presidente Juvenal Juvêncio.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Carlos Miguel Aidar, presidente do clube, contratou consultoria para implantar novo modelo de gestão
Por enquanto, como frisou Aidar, foram demitidos dois funcionários que trabalhavam no Morumbi e outros dois que trabalhavam para o CT das divisões de base, em Cotia. Além disso, o quadro de seguranças em dias de jogos foi reduzido. Segundo o presidente, no entanto, essas ações em nada têm a ver com a necessidade de redução de custos do clube, que enfrenta uma significativa dívida bancária. Para sanar esse problema, a saída tem sido vender jogadores para o exterior, casos do lateral direito Douglas, negociado com o Barcelona, e do meia-atacante Lucas Evangelista, comprado pela Udinese.

A saída dos atletas é uma compensação pela chegada de outros, como o atacante Alan Kardec, que custou 4,5 milhões de euros (quase R$ 14 milhões). Estrelas como o atacante Alexandre Pato e o meia Kaká também inflaram a folha salarial do futebol, que já beira R$ 10 milhões mensais. Na ocasião da contratação de Kardec, Aidar admitiu cortes como uma das maneiras de sanar o problema.

"Na reunião de posse da diretoria, cortamos horizontalmente 20% das despesas em todos os segmentos. Se vender atletas da base e profissionais que não estejam sendo aproveitados, você equilibra as finanças até o fim do ano. O que não pode é ficar inerte, porque podemos chegar no fim do ano com uma dívida muito grande", comentou, em março.

Assim que assumiu o clube, o sucessor de Juvenal Juvêncio antecipou receita de R$ 28 milhões da emissora detentora dos direitos de transmissão, valor imediatamente utilizado para pagar parte do débito que o clube tinha em conta garantida, uma espécie de empréstimo rotativo destinado a suprir eventuais necessidades. Ao todo, porém, os adiantamentos chegaram a R$ 50 milhões (referentes às cotas até 2018). Desde o início do mês passado, com a saída da Semp Toshiba, que rendia cerca de R$ 23 milhões ao ano, o futebol está sem patrocínio master.