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Carreira
administrativa entusiasma finalista olímpico
Por Claudia Andrade
"Se soubesse que seria tão bom trabalhar nos
bastidores, eu teria encerrado a carreira de atleta logo após
os Jogos Olímpicos de 88". Assim Agberto Guimarães,
atual coordenador de projetos do programa solidariedade olímpica
do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), explica
seu entusiasmo pela nova função. Ele abandonou
as pistas em 1989, aos 31 anos, tendo ainda fôlego suficiente
para continuar nas competições. Mas tudo foi
planejado. "Eu forcei minha retirada precoce das provas
para ir atrás da carreira administrativa", diz.
A satisfação com a nova atividade vem da generosidade.
"É claro que um cargo administrativo não
te dá nem 50% do retorno financeiro que você
tem quando é atleta de ponta, como eu era quando parei.
Mas agora, o que faço não é só
para mim. Eu também ajudo os outros a crescerem com
o meu trabalho", compara.
Quando deixou as pistas, Agberto deu-se férias de
seis meses. "Nem jogar bola eu quis. Disse pra mim mesmo:
não vou fazer nada. Queria dar um descanso
para o meu corpo", lembra. Mas seis meses depois, voltou
a treinar normalmente "Fazia trabalho em pista, corria
15km, 20km, normalmente. Quem via, achava que eu ia voltar
e isso era bom para o ego. Mas eu estava certo de que tinha
feito a coisa certa."
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A tranqüilidade vem da certeza de que fez um bom trabalho
nas pistas. Campeão pan-americano nos 800m e 1500m,
em Caracas/83, o paraense de Tucuruí também
foi quarto colocado nos 800m na Olimpíada de Moscou/80.
"Ser um finalista olímpico é um diferencial",
afirma. Mas ao mesmo tempo, esse quarto lugar também
é uma lacuna em sua carreira. "É claro
que eu queria ter ganho uma medalha. Fiquei tão perto
e não subi ao pódio. Mesmo em 84 eu tinha condições.
Estava na minha melhor forma técnica, mas corri taticamente
mal e saí na semifinal", lamenta para lembrar
que uma semana depois fez um tempo que lhe garantiria no mínimo
a prata olímpica. "É assim mesmo, na Olimpíada
as coisas acontecem de forma diferente", consola-se.
(Naquele ano Joaquim Cruz garantiu o ouro nos 800m).
O objetivo do ex-atleta é descobrir novos talentos.
Desde 99 ele desenvolve o Centro Olímpico de Desenvolvimento
de Talentos do COB. Assim, poderá lembrar também
a época em que ele mesmo começou a correr, aos
17 anos, depois de ter sido descoberto por um professor. Na
época, estudava algo bem diferente: edificações.
"Para os especialistas eu comecei tarde, bem tarde".
Mas a evolução veio rápido, e aos 21
anos, depois de já ter representado o Brasil em competições
internacionais, ele foi estudar e treinar nos Estados Unidos,
onde morou durante 12 anos.
| Raio-X |
Nome: Agberto
Conceição Guimarães
Cidade onde nasceu: Tucuruí/PA
Modalidades: 800m e 1500m
Títulos: Ouro no Pan-americano de
Caracas/83 nos 800m (1m46s31) e 1500m (3m42s91),
prata no revezamento 4x400m (3m02s79), ao lado de
Gerson Souza, Evaldo Silva e José Luiz Barbosa.
Bronze nos 1500m (3m41s5) e nos 800m (1m46s8), no
Pan de San Juan/79. Quarto lugar nos 800m na Olimpíada
de Moscou/80. |
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