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Foto Gazeta Press
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Aída
dos Santos: atleta e mãe de atleta
Por Claudia Andrade
No último dia 7 de novembro, a meio-de-rede Valeskinha
pôde comemorar de uma forma diferente a conquista do
título paulista de vôlei pelo seu time, o BCN/Osasco.
Isso porque, sua mãe, Aída dos Santos, veio
de Niterói, no Rio de Janeiro, para a cidade da Grande
São Paulo ver a atuação da filha. Mas
esse não foi o principal motivo da viagem. Na verdade,
Aída aproveitou a participação em um
torneio master para assistir ao jogo. "Eu tinha mesmo
que vir para São Paulo para um campeonato de atletismo
e, pela primeira vez, pude ver um jogo do Paulista. Por sorte
foi a final."
Essa é a rotina agitada da atleta de 65 anos que marcou
seu nome na história do Brasil nas Olimpíadas
ao conquistar o quarto lugar no salto em altura nos Jogos
de Tóquio/64. Esse foi o melhor resultado feminino
brasileiro em Olimpíadas ao longo de 36 anos. Em competições
individuais, ainda não foi batido.
Sem conseguir viver longe do esporte, ela também disputa
torneios master em sua especialidade, o atletismo. "Eu
parei durante 15 anos. Não fiz nada. Mas aí
tive uma angina, fui parar no CTI e tive de voltar para a
pista para ficar boa", lembra, com bom humor.
É claro que os genes esportivos de Aída tinham
de ser transmitidos para um de seus três filhos. Quem
recebeu a herança genética foi Valeskinha, que
integra também a seleção brasileira (foi
eleita a melhor bloqueadora do Grand Prix da Ásia,
este ano). Mas a trajetória da jogadora foi oposta
à da mãe. Aída teve de enfrentar a resistência
dos pais para competir. Valeskinha, ao contrário, começou
na natação aos dois anos, também fez
sapateado, jazz e, claro, atletismo; o vôlei foi um
dos últimos esportes que praticou. "Eu sempre
organizava torneios com a criançada lá em Niterói.
Na minha opinião as atividades boas para tirar as crianças
das ruas. Mas a Valeska resistia porque queria algo que não
cansasse", conta.
Cansaço era algo que não passava nem de longe
pela cabeça de Aída. Até porque ela tinha
de estudar, treinar e ainda ajudar nos serviços da
casa, que ficava no Morro do Arroz, em Niterói. Na
véspera da seletiva que definiria de quem era a única
vaga para as Olimpíadas de Tóquio, uma funcionária
da Confederação Brasileira de Atletismo sugeriu
que ela ficasse concentrada com os outros atletas. Mas sua
mãe, Adalgisa dos Santos, foi taxativa: "Você
vai se concentrar, sim, mas aqui em casa, carregando água
e esfregando o chão".
Tudo bem. Ela obedeceu e isso não afetou sua atuação.
Na seletiva, realizada no estádio Célio de Barros,
no Rio de Janeiro, ela disputou a vaga com Maria da Conceição
Cypriano, repetiu a marca que havia registrado por acaso em
uma competição em São Caetano: 1,65m.
Sua rival, que havia feito 1,71m no ABC paulista, saltou abaixo
da marca de Aída. Estava confirmada sua ida para o
Japão. Para fazer história.
| Raio-X |
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Foto Gazeta Press
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Nome: Aída dos Santos
Data de nascimento: 1º/03/1937
Local de nascimento: Niterói (RJ)
Principais Resultados: Quarto lugar no
salto em altura das Olimpíadas de Tóquio/64,
com a marca de 1,74m.; Bronze no pentatlo nos
Jogos Pan-americanos de Winnipeg/67 e de Cali/71.
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