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Campeão
da São Silvestre agora corre atrás de bandidos
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Foto Djalma Vassão/Gazeta Press
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Por Claudia Andrade
Mesmo quando estava no auge como atleta, João da Mata
não abandonou sua carreira na Polícia Militar
e tanto foi fiel a ela que agora, aposentado das competições,
segue firme como delegado e professor de direito na Academia
da PM em Belo Horizonte, Minas Gerais. "Para ser delegado
eu precisava do diploma de bacharel em Direito. Demorei nove
anos para terminar a faculdade, porque eu viajava muito, tinha
de trancar a matrícula", lembra.
O curso foi finalizado em 89 coroando uma década que
já havia começado muito bem para o mineiro.
No dia 31 de dezembro de 83 ele cruzou em primeiro lugar a
linha de chegada da 59ª Corrida Internacional de São
Silvestre, prova que disputava desde 76. "Eu saí
de Belo Horizonte esperando subir ao pódio", lembra.
A confiança veio das palavras que ouviu do técnico
Valdomiro Monteiro. "No treino da véspera da corrida
ele disse: 'Você só não ganha a São
Silvestre se não quiser. O que você treinou aqui
hoje ninguém no mundo está treinando'."
Aos 30 anos, ele completou os 12,6km da prova em 37m39s19.
"Muita coisa mudou. Eu me tornei uma pessoa pública,
conhecida. E até hoje ainda sou reconhecido e cumprimentado
na rua. Isso nem sempre é bom, porque às vezes
você quer o anonimato", diverte-se.
O problema maior, na verdade, foi a cobrança que ele
impôs a si mesmo a partir da conquista. "Eu passei
a trabalhar para atender a expectativa dos outros. Pensava
que tinha que vencer porque todo mundo queria que eu vencesse
e quando eu não vencia ficava muito chateado. Isso
me prejudicou", reconhece.
Realmente, os anos seguintes à vitória foram
marcados por várias contusões, que o impediram
de repetir o desempenho. Seu melhor resultado, depois disso,
foi um 11º lugar em 88. Em outras provas conseguiu bons
resultados. Foi bicampeão da Minimaratona da Independência
(83 e 84), 30º colocado na tradicional Maratona de Nova
York (83), com o tempo de 2h15, e, no mesmo ano, vice-campeão
sul-americano nos 5.000 e 10.000 metros.
Em 84 ele tentou ir aos Jogos Olímpicos de Los Angeles,
mas foi impedido. "Eu tinha corrido a São Silvestre
com uma propaganda na camiseta e por isso o então presidente
da Confederação Brasileira de Atletismo me disse
que isso me tornava profissional e eu não poderia disputar
as Olimpíadas. É claro que isso desestrutura
a gente", revela. "Mas eu não lamento, porque
as alegrias que tive foram maiores que as frustrações."
De qualquer forma, o episódio foi um dos que ajudou
a acabar com o amadorismo na modalidade. "Aí começou
o movimento para acabar com a farsa, porque você treinava
como amador e competia como amador no Brasil, mas quando ia
disputar alguma prova no exterior enfrentava gente que ganhava
premiação. A gente não podia receber."
Da Mata considera-se privilegiado por ter conseguido conciliar
a carreira na PM com o atletismo. "Eu tive um apoio que
muitos outros não tiveram. Como todos eram amadores,
só sobreviviam os que eram de clubes com tradição
ou de corporações militares."
A última participação do mineiro na
São Silvestre também terminou com vitória.
Em 95, ele foi o mais rápido na categoria veteranos.
Desde então, Da Mata acompanha a prova pela televisão.
"Sempre que eu vejo alguma coisa ligada à São
Silvestre isso mexe comigo, mexe com todos os atletas que
já participaram da prova. Dá uma nostalgia grande,
uma vontade de ser eternamente jovem para competir sempre."
Sentimento que ele tenta passar aos alunos da PM. "Agora
que está chegando a época da prova, eles perguntam
muito, querem saber com quem eu corri, como foi."
Mesmo sem competir, ele não deixou de correr e percorre
de 12 a 15km diariamente. "Consegui manter quase o mesmo
peso do tempo em que eu competia", orgulha-se. A boa
forma física o faz alimentar planos para o futuro.
"Eu pretendo voltar e vou voltar. Mas desta vez vai ser
pra correr com o povão."
| Raio-X |
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Foto Gazeta Press
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Nome: João da Mata
Nascimento: 08/02/54, em Diamantina, Minas
Gerais
Principais títulos: Campeão
da São Silvestre em 83; bicampeão
da Minimaratona da Independência (83 e 84),
30º colocado na Maratona de Nova York (83),
vice-campeão sul-americano nos 5.000 e
10.000 metros (83).
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