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Foto Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto Djalma Vassão / Gazeta Press

Nelson Prudêncio, o mestre do salto triplo

Por Fernando Narazaki

Sentado em uma mesa de escritório, preparando-se para mais um dia de aulas na Universidade de São Carlos, no interior paulista. Este é apenas mais um dia de trabalho para Nelson Prudêncio, um dos maiores triplistas que o Brasil teve em sua história. Dono de duas medalhas olímpicas, o hoje professor quer ensinar os segredos da prova que o consagrou.

"Minha tese versa sobre a detecção de atletas no salto triplo. Vou procurar deixar alguns indicadores para o trabalho no futuro, principalmente para os atletas entre 12 e 16 anos. Eles envolvem estudos científicos e também práticos. É um estudo inovador", comentou Prudêncio, que entregará o projeto de doutorando no final deste ano. "Quero ter uma formação acadêmica e ensinar a todos o que aprendi".

Para ele, compartilhar os conhecimentos é a melhor forma de ter a obra e os feitos eternizados no futuro. "Não vou levar nada e o conhecimento precisa ser transmitido. O atletismo precisa dessa evolução, principalmente no Brasil", explicou o atleta, enquanto se preparava para dar aula aos estudantes de Educação Física na universidade.

Além do curso de doutorado, ele ainda fez bacharelado para treinamento esportivo e ministra um curso de licenciamento para atletismo. Prudêncio está em São Carlos desde 1974, dois anos antes de encerrar a carreira nas pistas, após as Olimpíadas de Montreal/1976. "Desde então, venho estudando muito sobre o atletismo e aprofundando os meus conhecimentos científicos. Quero deixar estudos que não tive, quando era atleta", disse.

Foto Gazeta Press
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Prudêncio foi um dos maiores nomes do salto triplo, ao lado de Adhemar Ferreira da Silva e João do Paulo. Entretanto, na imprensa, ele sempre foi visto como o terceiro melhor do trio, apesar de ser prata em Cidade do México/1968 e bronze em Munique/1972. Além disso, ele foi recordista mundial da prova em 1968.

"Consegui tudo que um atleta queria. Fui recordista mundial por alguns segundos (sua marca foi superada minutos depois na Olimpíada) e ainda conquistei duas medalhas. Não podia desejar mais nada, pois sempre tive muitos problemas para treinar", lembrou Prudêncio, que começou a praticar o atletismo em 1964, quando já tinha 20 anos de idade.

Natural de Lins (SP), ele treinava apenas duas vezes por semana, pois precisava trabalhar em dois locais diferentes para ajudar no sustento da família. "Trabalhava em dois escritórios e só ia treinar de noite. Foi um período difícil, de muito sacrifício e, principalmente, de amor ao esporte. Se tivesse mais tempo, poderia até ter resultados melhores", recordou.

"Sempre fui um atleta mais de força física. O João era muito rápido nos 100m rasos e o Adhemar reunia as duas coisas. Foi uma geração incrível", analisou Prudêncio, que chegou a bater o recorde mundial na final das Olimpíadas de Cidade do México, mas foi superado em seguida pelo então soviético Viktor Saneyev, que ficou com o ouro.

Agora, o professor da Universidade São Carlos aposta no sucesso da nova geração de triplistas do Brasil. "O Jadel (Gregório) tem muito a crescer e tem um potencial imenso. Mas o que mais impressiona é a Keila Costa (bronze mundial juvenil) que pode dar muita alegria. Se trabalhar bem, pode conseguir grandes resultados", disse.

 Raio-X
Nome completo: Nelson Prudêncio

Data de nascimento: 04/04/1944

Local: Lins (SP)

Principais conquistas: Medalha de prata nas Olimpíadas da Cidade do México/1968; medalha de bronze nas Olimpíadas de Munique/1972

Foto Gazeta Press
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Publicação:30/09/2002
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