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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EDSON BISPO
Foto: Gazeta Press
Foto: Gazeta Press

Campeão Social Clube

Por Marta Teixeira

A quadra de basquete faz parte da vida de Edson Bispo há 51 anos. Durante este tempo ele fez praticamente de tudo pelo esporte. Foi jogador, destaque na seleção brasileira, técnico de clubes e da seleção, professor e hoje divide seu tempo entre passar o que aprendeu nas quadras às novas gerações e manter acesa a paixão pela modalidade entre os veteranos. Aposentado das quadras desde o início da década de 70 ele nunca tirou realmente os pés das quadras.

Atualmente, ele integra o grupo de trabalho da Secretaria da Educação que desenvolve o projeto Esporte na Família, ex-Parceiros do Futuro, que está sendo remodelado. Todos os finais de semana, ele visita escolas promovendo atividades para divulgação e aprendizagem de basquete. "São duas escolas por dia nos finais de semana, oito escolas no mês", explica. O trabalho no projeto começou há três anos, mas Edson Bispo não sabe até quando vai durar.

"Eles estão remodelando o projeto e muitos dos antigos participantes foram dispensados", diz. "Não sabemos se o grupo vai continuar. Estamos aguardando". Há pouco tempo, ele também foi convidado pela Federação Paulista de Basquete (FPB) para dirigir o recém-criado Departamento Esportivo Educacional. Além disso, é diretor técnico da Associação dos Veteranos do Estado de São Paulo (Avetesp).

"Preencho meu tempo assim, continuando no ramo que a gente gosta. Afinal, é uma vida toda no basquete", diz o ex-pivô, que conquistou duas medalhas de bronze em Jogos Olímpicos. "Tivemos a felicidade de estar na geração que conseguiu os melhores títulos para o Brasil", reconhece e confessando-se animado com as perspectivas da modalidade no país. "Tenho esperança nesta nova geração e acredito na classificação olímpica", diz Edson Bispo, que teve seu melhor e pior momento no esporte ligado a esta competição.

O auge, garante ele, foram as conquistas das medalhas nos Jogos de Roma/60 e Tóquio/64. "Nada como ver a bandeira subir enquanto você está no pódio. Nesta hora você lembra sua infância, as dificuldades que passou. Passa aquele filme na sua frente", lembra.

O primeiro bronze foi o mais marcante principalmente porque, para Edson Bispo, o Brasil poderia ter chegado à final. "Estávamos vencendo a URSS até os últimos 15 segundos, mas perdemos por três pontos porque a arbitragem deu uma inversão de bola errada", lamenta.

A maior tristeza do ex-pivô também é ligada às Olimpíadas. Técnico da seleção de 1970 a 76, ele não conseguiu classificar a equipe para os Jogos de Montreal/76. No início do ano, o Brasil havia disputado o Pré-olímpico em Hamilton e terminou na quarta colocação (somente os três primeiros conseguiram a vaga). "76 talvez seja a maior decepção que tive no basquete. Ficamos fora das Olimpíadas pela primeira vez, seria minha quarta (três como jogador e a primeira como técnico). Mas naquela época, o Pré-olímpico era tudo junto (América e Europa) e só saíam três equipes. Hoje, o sistema é mais coerente, não digo mais fácil".

Com tantas lembranças proporcionadas pelo esporte, Edson Bispo lamenta que hoje o esporte não seja mais difundido. "Temos que aumentar o volume (de esportes) e diversificar", diz para explicar a importância do trabalho que desenvolve nas escolas. "Se deixar, as escolas colocam só futsal".

O ex-jogador também lamenta a falta de transmissões abertas da modalidade. "A garotada só conhece jogador da NBA. Se você perguntar por brasileiros, os mais jovens lembram só de Oscar e Marcel. Assim fica difícil motivar as novas gerações a jogar basquete".

Para ele, o Brasil deveria aproveitar o momento atual para divulgar outras modalidades. "Acabamos de disputar um Pan-americano e pleiteamos as Olimpíadas de 2012. Se não atacarmos agora para montar um grande projeto esportivo não sei quando vai ser".

Começo complicado

Apesar de ter construído sua vida e sua fama nas quadras de basquete, Edson Bispo tinha um sonho diferente quando criança. O desejo, como o de muitos outros brasileiros, era de ser jogador de futebol.

Seu começo nas quadras foi 1952, depois de uma longa peregrinação. "Sempre fui grandão e magro, mas tinha bronquite. Um dia me chamaram para fazer um teste no Fluminense. Fui aprovado, mas por problemas de racismo não pude ficar no clube", lembra.

Pouco tempo depois, ele tentou entrar no basquete do Flamengo, "meu time de coração". Mas no dia do teste teve uma crise de bronquite e foi dispensado pelo treinador. Edson Bispo já tinha desistido de tentar a sorte como atleta, quando a escola em que estudava (Mabe) levou-o para um teste no Vasco e no esporte que ele desejava: futebol.

A previsão veio do técnico Oto Glória: "no futebol você não tem chance, vai fazer basquete". Edson seguiu o conselho e mudou sua vida. Jogou seis meses como juvenil e foi levado para a equipe adulta. Dois anos depois (1954) recebeu sua primeira convocação para a seleção e descobriu a paixão pelas quadras.

Edson Bispo ficou na ativa até 1969, quando parou de jogar por causa de um problema nos ligamentos do joelho esquerdo. Em 1970, ele ainda jogou um pouco pela Hebraica, mas não mais como profissional. "Fui para a Hebraica para organizar as categorias menores, mas também joguei um pouco na principal".

 Raio-X
Foto Gazeta Press
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Nome: Edson Bispo dos Santos

Posição: Pivô

Altura: 1,98m

Nascimento: Rio de Janeiro, 27 de maio de 1935

Clubes: Vasco da Gama (1952 – 1958), Corinthians Paulista (1959), Palmeiras (1960 – 1970), Hebraica (1970)

Principais títulos: Como jogador - Campeão Sul-americano, campeão mundial no Chile/59 e duas medalhas olímpicas de bronze (Roma/60 e Tóquio/64). Como treinador - Campeão Pan-americano Cali/71 e bronze no Pan da Cidade do México/75.

Publicação: 22/08/2002
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