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| Foto Gazeta Press |
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Norminha: campeã
desde o começo
Por Marta Teixeira
Responsável por todas as atividades
esportivas da Universidade FMU, a ex-jogadora Norma Pinto de
Oliveira mantém seus vínculos com a área que lhe proporcionou
grandes alegrias e ainda hoje cultiva o hábito de acompanhar
pela televisão tudo que diz respeito ao basquete. Norminha,
como construiu sua fama, é um daqueles personagens que marcaram
a modalidade e ainda hoje são lembrados com reverência, tanto
que foi eleita para a seleção brasileira do século XX do basquete
feminino. "Com Marlene, Janeth, Paula e Hortência. Fiquei muito
contente, ainda mais porque aqui as homenagens são geralmente
para gente morta".
Nada mais justo que homenagear uma atleta que ajudou a construir
o basquete no Brasil e até fora dele. A vida no basquete começou
tarde para esta argentina, que escolheu o Brasil como pátria
para poder defender a seleção. Aos 16 anos, ela foi descoberta
pelos técnicos Radil e Juvenal Soares em uma quadra. "Eles
me viram jogando e disseram que iria para a seleção". Oito
meses depois, as palavras tornaram-se verdade.
Em 1959, Norminha foi convocada para o Pan-americano de
Chicago. "Mas ainda era argentina e não pude participar",
lembra. Foi então que ela decidiu naturalizar-se brasileira,
como o pai, que foi corredor e boxeador. Em 60, ela vestiu
a camisa da seleção pela primeira vez, no Sul-americano do
Chile. "Fui como a 12ª jogadora porque estava machucada. No
segundo jogo entrei como titular e desde então nunca mais
perdi esta condição". Pela equipe brasileira, Norminha disputou
quatro mundiais: 64 (Lima - Peru), 67 (Praga - Tchecoslováquia),
71 (São Paulo - Brasil) e 75 (Colômbia). Em 64 e 75, encerrou
sua participação nos torneios com o título de melhor jogadora.
"No Peru também fiquei entre as cinco melhores do mundo",
lembra emocionada. Mas quando a palavra é emoção, Norminha
lembra imediatamente do Mundial de 71. "Estávamos acostumadas
a jogar para, no máximo, 400 pessoas normalmente. Quando entrei
no Ibirapuera (onde foi disputado o Mundial) meus joelhos
tremiam. Eram mais de 15 mil pessoas cantando 'Setenta milhões
em ação...', todo mundo de pé para caber mais gente e cinco
mil pessoas do lado de fora, que não conseguiram entrar. É
uma emoção que você nunca esquece".
A tudo que conquistou como atleta, Norminha retribuiu com
muito talento e dedicação e uma paixão pela seleção que é
difícil de ser igualada. "Um dos momentos que mais me marcou
foi a primeira vez que ouvi o hino nacional com uma medalha
no peito", completa.
Norminha também fez parte da história internacional da modalidade
ao integrar a seleção brasileira convidada pelo Comitê Olímpico
Internacional (COI) no início da década de 70 para decidir
que o basquete feminino seria incluído nos Jogos Olímpicos.
Para avaliar o nível técnico o COI realizou um torneio, na
Espanha, para o qual foram convidados os campeões de cada
continente. O Brasil foi como campeão pan-americano e enfrentou
a Tchecoslováquia. As européias venceram, mas a qualidade
técnica de todas as participantes ficou comprovada e o basquete
feminino foi incorporado ao programa olímpico. Infelizmente,
as brasileiras não conseguiram vaga para os Jogos de Montreal-1976.
Mas a importância de fazer parte desta mudança não foi esquecida.
Por causa de tudo isto, ela não se arrepende dos sacrifícios
que fez para poder jogar.
Norminha nunca esteve muito tempo longe das carteiras escolares.
Quando ainda era profissional, desdobrava-se para terminar
o curso de Educação Física, na Universidade Federal do Rio
de Janeiro. Além de dividir o tempo entre escola e treinos,
também trabalhava, primeiro no Instituto Nacional do Café
e depois na Prefeitura de São Caetano. Mais de uma vez, correu
risco de perder o emprego porque estava com a seleção brasileira.
"Toda vez que ia representar o Brasil era como se tirasse
licença por doença ou outro tipo. Quase fui exonerada em São
Caetano porque fiquei 60 dias em excursão com a seleção. Quando
voltei tive que falar com o Laudo Natel (governador) para
não perder o emprego".
Mas se tivesse que repetir tudo, ela não titubeia nem um
segundo. "Faria tudo de novo". É indisfarçável o orgulho com
que Norminha fala das conquistas da modalidade no país. No
entanto, faz questão de ressaltar que tudo resultou de muita
abnegação. "Fomos bicampeões (no masculino) antes do futebol".
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