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Foto Luz Bittar/Gazeta Press
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Bernardo,
raça e vontade agora nos bastidores
Por Rafael Ribeiro, especial para a GE.net
Craques em campo no final dos anos 80 não
faltavam no futebol brasileiro, mas era preciso quem os barrassem.
Aí que surge Bernardo. Se não possuía
grande técnica, tinha raça e uma qualidade de
marcação acima do normal, fundamental para segurar
os ataques adversários, nem que para isso usasse métodos
poucos tradicionais, como pisar no pé ou "passar"
a mão nas nádegas alheias.
"Eu nunca fui um jogador, como qualquer outro, que gostasse
de perder. Quando o atacante que ia enfrentar era perigoso,
tinha que usar artimanhas para impedi-lo e isso incluía
pisar no pé, ficar falando bobagem no ouvido, passar
a mão na bunda", brinca Bernardo.
Ao encerrar a carreira em 1997, Bernardo decidiu começar
em um novo rumo na vida, porém perto do futebol. Virou
empresário de jogadores, mas garante que não
é por saudade dos campos. "Não tenho muitas
saudades de jogar, é claro que olhando as fotos bate
aquela lembrança, mas é algo passageiro",
confessa.
Até hoje Bernardo diz que os torcedores o cumprimentam
na rua. "As pessoas me reconhecem, vem conversar comigo.
Acho que minha imagem não se apaga porque continuo
no meio, sempre vou aos estádios, sempre em alguma
negociação aparece o meu nome. Não gosto
de aparecer, não vou a programas de TV, mas é
inevitável", declara.
Os primeiros chutes - Volante do melhor estilo 'cão
de guarda', Bernardo Fernandes da Silva começou a carreira
de forma promissora. Nascido na capital paulista, ainda cedo
se mudou para o interior e começou a jogar pela Francana.
Logo depois foi para o Marília, onde obteve destaque
e chamou a atenção do São Paulo. A fase
na equipe celeste é lembrada até hoje pelo volante.
"Meus melhores amigos no futebol são da época
do Marília. Converso até hoje com o Careca (atacante,
ex-Palmeiras) e com o Giba (ex-lateral, hoje técnico)",
completa.
No Marília já chamava a atenção,
mas era pouco para o garoto. Em 1986 se transferiu para o
São Paulo e viveu o maior momento de sua carreira.
Logo na primeira temporada sagrou-se campeão brasileiro,
título que ele mesmo considera um dos maiores da carreira.
"Por ser o primeiro título, tem aquele gosto especial".
No Morumbi, Bernardo fez história. Integrou o revolucionário
time de Cilinho, que apresentou para o futebol nomes como
Raí, Silas e Ronaldão. "Foi uma das melhores
fases da minha vida", declara o ex-volante, que até
hoje mantém contato com os ex-companheiros. "Sou
amigo de todos, do Silas, do Antônio Carlos, do dr.
Marco Aurélio Cunha", completa.
Raça corintiana - Mas quem pensa que o coração
de Bernardo é tricolor, se engana. O ex-volante se
recorda com carinho de sua rápida, porém inesquecível,
passagem pelo Corinthians. O estilo "deus da raça"
acertou em cheio o coração da Fiel, já
que Bernardo incorporou com perfeição o espírito
do Timão.
Bernardo desembarcou no Parque São Jorge como um dos
principais reforços para a temporada 1995. Estava no
México e foi fundamental para a conquista do título
paulista daquele ano. Na semifinal contra a Portuguesa, marcou
no último minuto de jogo, de cabeça, o gol de
cabeça que classificou a equipe para a decisão
contra o Palmeiras.
O rival alviverde é muito lembrado por Bernardo. Por
ter passagens pelo Santos, São Paulo e Corinthians,
o clube do Parque Antarctica é considerado o seu maior
adversário, mas pela dificuldade em enfrentá-lo
do que pela rivalidade. "Jogo contra eles era sempre
difícil. Lembro da época do Cilinho, em que
jogavam com um sistema de três zagueiros e nós,
mesmo com Muller e Careca, não conseguíamos
atacar", conta.
Podia até ser difícil, mas com Bernardo vivendo
uma grande fase o Timão faturou o Campeonato Paulista
e a Copa do Brasil, lembrada com carinho até hoje pelo
ex-volante. "Foi minha última conquista",
diz.
Na seleção - Se nos clubes fez bonito, conquistou
título e manteve a regularidade, na seleção
Bernardo não foi muito aproveitado. O ex-jogador reconhece
a frustração pela falta da camisa canarinho
na sua vida, mas confessa que o trabalho nos clubes o recompensou.
"É claro que todo jogador quer estar na seleção
brasileira. Fui convocado pela primeira vez com 17 anos e
me sagrei campeão pré-olímpico de 1987,
mas não consegui ter uma regularidade de jogos. Joguei
alguns amistosos, mas foi só. O que fiz nos clubes
ficou marcado até mais do que passagens pela seleção",
confessa Bernardo.
Pendurando as chuteiras - Depois de passagens por
Vasco, Internacional, Bayern de Munique e no Japão,
o ex-volante decidiu encerrar a carreira. Estava no Atlético-PR
quando percebeu que as pernas já não corriam
mais como antes.
"Não conseguia mais acompanhar as feras e me
tornei mais violento, cometendo muitas faltas. Estava chegando
atrasado nas jogadas e decidi parar", completa Bernardo.
Era o fim de uma carreira vitoriosa e de um símbolo
do saudoso futebol do fim dos anos 80 e começo de 90.
Em 1998, um ano após pendurar as chuteiras, Bernardo
resolveu seguir o caminho do empresariado. Solteiro e pai
de dois filhos, se tornou representantes oficial de vários
clubes e jogadores como Kleber, ex-lateral do Corinthians,
Sylvinho, atleta do Barcelona, e seu irmão, o volante
Marco Aurélio, hoje no São Caetano e orgulho
de Bernardo.
"Ele é um grande jogador e não falo isso
por ser meu irmão. Acho que ele está sendo mal
aproveitado, não tem uma seqüência de jogos.
Quando ele está bem, o treinador vai e tira ele do
time", finaliza um indignado Bernardo.
| Raio-X |
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Nome: Bernardo Fernandes da Silva
Data e local de Nascimento: 20 de abril
de 1965, em São Paulo (SP)
Clubes em que atuou no Brasil: Francana,
Marília, São Paulo, Internacional-RS,
Santos, Vasco da Gama, Corinthians e Atlético-PR.
Clubes em que atuou no exterior: Bayern
de Munique, Cerezo Osaka, do Japão, e América
do México
Títulos: Três campeonatos
paulistas (1987 e 89 pelo São Paulo e 1995
pelo Corinthians), dois campeonatos brasileiros
(1986 e 1991 pelo São Paulo), uma Copa
do Brasil (1995 pelo Corinthians), um Pré-olímpico
(1987 pela seleção brasileira) e
uma Copa Concacaf (1993 pelo América do
México).
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Foto Acervo/Gazeta Press
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