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Foto Gazeta Press
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Chicão: um volante à moda antiga

Por Raul F. Drewnick

Francisco Jenuíno Avanzi, o Chicão do São Paulo e da seleção brasileira, encerrou a carreira de forma vitoriosa. Contrariando a trajetória mais comum para a maioria dos jogadores de futebol, o sucesso acompanhou o volante, mesmo que de maneira mais modesta, até 1986, ano em que levou o Mogi Mirim à primeira divisão do futebol paulista e pendurou as chuteiras.

“Fomos campeões do quadrangular final e subimos junto com o Novorizontino. Lideramos de ponta a ponta. Foi então que eu decidi parar. Eu já estava com 37 anos, cansado e sem os quatro meniscos”, lembra Chicão, pouco antes de dar uma tragada em seu cigarro, em Piracicaba, cidade onde vive.

Conhecido pela raça e por não dar moleza a meias e atacantes adversários, Chicão começou no XV de sua terra natal e depois de rápidas passagens por União Barbarense, São Bento e Ponte Preta, foi jogar no Tricolor do Morumbi em 1973. Lá foi campeão paulista, em 75, e brasileiro, em 77. Disputou a Libertadores e acabou convocado para Copa do Mundo de 1978, onde fez história contra o time da casa, a Argentina.

“Eu só havia atuado meio tempo contra o Peru e meio tempo contra a Áustria. Saí jogando contra a Argentina no lugar de Cerezo porque o Coutinho queria mais pegada”, conta Chicão, que fez dupla com Batista na marcação.

O principal pedido do treinador brasileiro foi para que o volante do São Paulo impusesse seu estilo, mas não fosse expulso. “Os argentinos pretendiam fazer aquela catimba de sempre e não conseguiram. Eu cheguei arrepiando e eles se encolheram”, conta Chicão, que logo no início da partida se estranhou com o artilheiro argentino Kempes, cujo desempenho foi fraco até o apito final.

Ainda hoje, Chicão é lembrado por este jogo em Rosário, que acabou empatado em 0 a 0. Mesmo tendo terminado o torneio invicta, a seleção brasileira ficou com a terceira colocação. “Esse regulamento foi esquisito. Nunca vi um time ser desclassificado sem perder. Além disso, a Argentina foi para o jogo contra o Peru sabendo exatamente quantos gols precisava”, lamenta o ex-jogador.

Passadas mais de duas décadas, no entanto, nem os indícios de marmelada naquela copa conseguem apagar as boas lembranças da histórica partida contra os argentinos.

Um ano antes da copa, o volante são-paulino havia sido acusado de quebrar a perna de Angelo, do Atlético-MG, propositalmente, na final do Campeonato Brasileiro de 1977. Admitindo jogar duro, mas sem violência, Chicão demorou até ser perdoado.

Antes xingado pela torcida atleticana, ele acabou sendo contratado pelo Galo de Minas Gerais, onde conquistou o bicampeonato estadual em 80 e 81

As dores de cabeça de um treinador

Após o término da carreira, Chicão virou treinador do XV de Piracicaba e, na seqüência, do Independente de Limeira. Manteve aberta uma loja de material esportivo em sua cidade por seis anos. Em 2001, voltou a trabalhar como treinador em uma nova equipe, o Clube Atlético Monte Negro, atualmente licenciado da Federação Paulista de Futebol. Sob seu comando, o time de Avaré conseguiu subir para a Série B-3.

Momentaneamente distante do futebol, Chicão está disponível para assumir equipes interessadas em sua experiência e pulso firme. No entanto, não é qualquer proposta que anima o ex-jogador.

“Não adianta ir para qualquer lugar. Mesmo que seja um time pequeno, ele tem de dar estrutura. Senão você ganha é uma dor de cabeça e acaba gastando o salário no médico depois”, analisa Chicão, triste por ver até clubes de ponta devendo para seus funcionários.


 Raio-X
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Nome: Francisco Jesuíno Avanzi (Chicão)

Nascimento: 30/01/1949, em Piracicaba (SP).

Clubes: XV de Piracicaba, União Barbarense, São Bento, Ponte Preta, São Paulo, Atlético-MG, Santos, Corinthians-PP, Botafogo-RP e Mogi Mirim.

Principais títulos: Paulista (75) e Brasileiro (77), pelo São Paulo. Mineiro, (80/81).

Seleção: terceiro lugar na Copa da Argentina (1978).

Publicação:08/08/2003
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