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Foto Antonio Cottet/Gazeta Press
Foto Antonio Cottet/Gazeta Press

Dinho volta a campo em 2004. Como treinador.

Por Matheus Henrique Pichonelli, especial para a GE.net

O Brasil enviou a Tóquio dois representantes na primeira metade da década de 1990 para disputar a final do Mundial Interclubes: o São Paulo, em 1992 e 1993, e o Grêmio, em 1995, que conquistaram a Libertadores da América nestes anos. Em todas estas ocasiões, o volante Dinho fazia parte destes times.

Por estas e outras, autoridade não falta a esse sergipano de Aracaju quando analisa a situação atual dos clubes em que ganhou projeção no cenário do futebol brasileiro. "Acompanhei a campanha do São Paulo neste Campeonato Brasileiro. O time agora vai disputar a Libertadores, em 2004, e tem tudo para se dar bem: tem tradição, uma diretoria aplicada e, por isso, vai chegar para conquistar o título", analisa o ex-atleta. Dinho acredita que o São Paulo, por possuir uma das melhores estruturas esportivas do país, vai representar e bem o país na competição sul-americana. No entanto, o ex-jogador avisa: "Este torneio é perigoso. É só ver equipes de menor expressão, como o Cienciano, que chegam e vencem os grandes favoritos. Times como este podem surpreender também na Libertadores".

O entusiasmo de Dinho ao falar do Tricolor paulista acaba, no entanto, quando ele fala de outro Tricolor, o gaúcho. "Eu nunca vi o Grêmio numa situação destas. Nem dá para acreditar. Para nós, que nos acostumamos a vencer no clube, onde conquistamos títulos atrás de títulos, foi muito triste ter acompanhado esta campanha", conta. "Eu sempre me encontrava com os jogadores que fizeram parte daquele time vencedor, como o Carlos Miguel e o Paulo Nunes, e a gente comentava o quanto era doloroso ver o Grêmio naquela situação", relata Dinho, garantindo que o medo do rebaixamento fez com que o clube aprendesse a lição. "O time vai ter muitas novidades em 2004. Erros de contratações e atraso de salários, por exemplo, não serão repetidos. Uma coisa que a gente ouvia muito nos bastidores é que este grupo não era unido, tinha muito racha entre os jogadores. Isto não pode acontecer", declara o ex-volante, que compara o atual momento do time ao tempo em que era tido como uma das maiores forças do futebol nacional. "Tínhamos liderança e união. Ninguém ousava querer falar mais que o treinador, seja ele o Felipão ou o Evaristo de Macedo. Além disso, dentro de campo, tinha um líder por setor: o Luiz Carlos Goiano, o Carlos Miguel, o Roger, enfim. Eu não via isto no time atual: faltava um comandante dentro do campo, faltou pegada. Esperava mais, por exemplo, do Anderson Lima", avalia.

Apesar da má fase vivida pela equipe, Dinho comemora o fato de o time ter-se safado do rebaixamento e deseja boa sorte ao ex-companheiro Adílson Batista, atual treinador gremista. "Estou torcendo por ele", diz.

Aos 37 anos, Dinho, que encerrou a carreira jogando pelo Novo Hamburgo, em 2002, garante que ainda está em forma, caso alguém queira chamá-lo para bater uma bola. Entre as peladas de final de semana, fica à espera por um convite para voltar ao futebol. Desta vez, como treinador. "Já venho há algum tempo me preparando para dar início à minha carreira como técnico. Já recebi algumas propostas, nada formal, mas estamos em negociações. Quem sabe teremos novidades para 2004", adianta.

Mesmo morando em Porto Alegre, o jogador que ficou conhecido pela torcida pelo seu estilo aguerrido de atuar, com força e pegada na marcação, descobriu em Santos alguém que se assemelhe a ele: o volante Paulo Almeida. "É difícil eu encontrar alguém do futebol brasileiro hoje que se pareça comigo, na forma de atuar. O único que posso destacar é o Paulo Almeida, do Santos".


 Raio-X
Foto Acervo / Gazeta Press
Foto  Acervo/Gazeta Press

Nome: Edi Wilson José dos Santos

Posição em que atuava: volante

Data de Nascimento: 15 de outubro de 1966

Local: Aracaju (SE) Altura: 1,77 m

Principais clubes em que atuou: Confiança (1985-1986), Sport (1986-1992), São Paulo (1992-1993), Santos (1992-1994), Grêmio (1994-1997), América-MG (1999), Novo Hamburgo (2003).

Títulos: Campeão sergipano (1986) pelo Confiança; pernambucano (1988 e 1990) pelo Sport; paulista (1992) pelo São Paulo; campeão da Libertadores (1992 e 1993) pelo São Paulo e pelo Grêmio (1995); campeão da Recopa e da Supercopa (1992) pelo São Paulo; bicampeão mundial interclubes (1992 e 1993) pelo São Paulo; bicampeão gaúcho (1995 e 1996) pelo Grêmio, campeão da Recopa Sul-americana (1996), brasileiro (1996) e da Copa do Brasil (1997) pelo Grêmio.

Publicação:26/12/2003
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