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Foto Gazeta Press
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Edu em eterno casamento com a bola

Por Jorge Nicola

Aos 54 anos de idade, Jonas Eduardo Américo mantém intenso seu casamento com a bola. Mesmo tendo encerrado a carreira há mais de duas décadas, o ponta esquerda Edu ainda vive do futebol, esporte que o consagrou no Brasil e no mundo, principalmente enquanto vestiu a camisa do Santos.

Um dos mais habilidosos jogadores em todos os tempos, ele transmite seus conhecimentos a crianças de seis a 15 anos durante a semana, em escolinhas da cidade de Santos e São Paulo. E o contato com a bola não se restringe apenas aos momentos em que está ensinando as novas gerações. "O domingo é sagrado para mim. Tem sempre um joguinho", conta.

Em seus dias de folga, Edu participa de amistosos defendendo a seleção brasileira de master. Apesar da barriga sobressalente, o terror dos laterais direitos nas décadas de 60 e 70 continua a infernizar adversários. "Os dribles ainda saem com a facilidade de antigamente", garante. "Principalmente quando o drible é curto".

Nos tempos de profissional, Edu cansara de entortar Zé Maria, Forlan, Eurico, Nelinho, Fidelis e muitos outros. "Agora os adversários são desconhecidos, mas continuo me divertindo muito", admite o ponta esquerda, que nunca teve medo da violência de seus marcadores. "Ainda hoje tem uns que chegam mais forte. Respondo sempre com outro drible".

A facilidade para fintar e a irreverência no futebol levaram Edu à titularidade no melhor Santos da história aos 16 anos de idade. De quebra, deixando no banco de reservas Pepe, segundo maior artilheiro do clube, e Abel. "Lembro com saudades daquela época. Nos divertíamos muito dentro e fora das quatro linhas", revela.

Além de ter sido o brasileiro mais jovem a disputar uma Copa do Mundo, em 1966, na Inglaterra, com apenas 16 anos, ele pode se orgulhar de ter participado do título no Mundial do México, quatro anos depois. Ao todo, realizou 54 partidas pela seleção e vestiu a camisa do Peixe de 1965 a 1976. Teve ainda uma rápida passagem, por empréstimo, pelo Corinthians. Antes de encerrar abandanar a profissão, jogou no Monterrey, do México, e no carioca São Cristovão.

A carreira repleta de glórias e a inaptidão com outras atividades mantiveram Edu sempre próximo do futebol. "Desde que encerrei a carreira, venho trabalhando em escolinhas. Adoro conviver com crianças tendo o objetivo de torná-las cidadãs decentes".

O ex-craque mora com Maria Helena, sua esposa há 24 anos, na cidade de Santos, onde dá aulas na Pé na Bola. Duas vezes por semana, ele sobe a Serra do Mar e vai até a Magic Ball, em São Paulo, para transmitir seus conhecimentos.

Apesar de não "nadar em dinheiro", como alguns de seus companheiros na época de Peixe, Edu garante que mantém um padrão de vida bom. "Felizmente não tenho dores de cabeça em relação a isso, embora ainda tenha que trabalhar", explica o santista, que nunca teve vontade de ser treinador.

"Sou muito enérgico e não sei que reação teria se meu jogador fosse à linha de fundo e cruzasse a bola atrás do gol", conclui Edu, que ficou famoso por assistências perfeitas aos atacantes durante suas investidas pela esquerda.


 Raio-X
Foto Gazeta Press
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Nome: Jonas Eduardo Américo

Nascimento: Jaú (SP)

Data: 06/08/1949

Posição: ponta-esquerda

Times: Santos (1965 a 1976); Corinthians (1976 a 1977); Monterrey, do México (1977 a 1978) e São Cristovão (1978 a 1983).

Títulos: campeão mundial pela seleção brasileira (1970); campeão paulista pelo Santos (1967, 68, 69 e 73) e pelo Corinthians (1977)

Publicação:15/08/2003
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