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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . HÉLIO MAFFIA
Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press
Hélio Maffia com Luiz Pereira na década de 70 durante treino no Palestra Itália


O revolucionário do esporte bretão

Por Bruno Chazan, especial para GE Net

Se hoje, no futebol, a preparação física é quesito primordial para o sucesso de uma equipe, grande parte do mérito deve ser dado a Hélio Maffia. Juntamente com Admildo Chirol, Cláudio Coutinho e Carlos Alberto Parreira, ele foi um dos formadores da importância dessa atividade no Brasil. Por quase duas décadas, Maffia revolucionou a preparação física, inovando em métodos, infra-estrutura e conceitos. Foi vitorioso nos três grandes clubes da capital paulista – São Paulo, Corinthians e Palmeiras -, principalmente neste último, onde participou do período de glórias da "Academia".

Aos 70 anos de idade, Maffia se mantém ligado ao futebol. Mesmo não atuando diretamente como dirigente há 14 anos, ele continua exercendo influência no esporte, principalmente no Paulista, de Jundiaí, onde começou a carreira. Tanto que foi um dos responsáveis pela mudança de nome e uniforme do clube, que abandonou o nome da cidade em 2002 para retomar a antiga tradição. Maffia também é representante de uma entidade internacional de serviço ao esporte, o Panathlon Club. Costuma assistir a jogos no estádio, atividade que ainda lhe dá prazer. "Mas gosto também de vôlei e basquete, e vou aos ginásios acompanhar as partidas", ressalva.

O gosto pelo vôlei, especialmente, não vem de hoje. Antes de começar a carreira de preparador físico, Maffia foi jogador de um time de Jundiaí, ao mesmo tempo em que lecionava em colégios da cidade. Também jogou futebol, e pelo Paulista, onde conquistou o título de campeão da segunda divisão em 1968. Foi quando resolveu sair dos gramados e atuar no banco de reservas.

Chegou ao São Paulo em 1970, e foi logo bicampeão paulista. Em 72, transferiu-se para o Palmeiras, onde conheceu seu maior amigo no futebol, o técnico Oswaldo Brandão. Iniciaram ali uma parceria que rendeu ao clube dois títulos brasileiros (72 e 73) e três paulistas (72, 74 e 76), entre outros. A inovação na atividade física começou no Parque Antártica: Maffia foi o primeiro preparador a introduzir no Brasil uma bicicleta ergométrica, importada da Finlândia. "Esse mesmo aparelho continuou na Academia de Futebol até pouco tempo atrás", conta, orgulhoso. O sucesso foi tamanho que os dois foram parar na seleção brasileira, onde conquistaram o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos, em 1976. "Ficamos realmente muito amigos, tenho muito saudades dele", diz.

Maffia comenta a revolução nos métodos de preparação que aconteceu nesse período: "Antes tínhamos que fazer tudo manualmente, e todo o elenco recebia a mesma carga de treinamentos. Iniciamos um trabalho de individualização, dividindo os trabalhos de acordo com as características de cada jogador".

Depois do Verdão, Maffia ainda passou pelo Guarani, onde foi campeão brasileiro em 78, com o técnico Carlos Alberto Silva. Logo depois, foi contratado pelo Corinthians, onde participou da famosa Democracia Corintiana, trabalhando ao lado de outro grande parceiro, o ex-treinador Mário Travaglini. Resultado: o bicampeonato paulista, em 82 e 83. Deixou o clube em 84, com a chegada de Jair Picerni, e logo foi convidado para atuar na área administrativa do futebol. Foi supervisor de futebol do Palmeiras e Paulista, antes de deixar o esporte em 88.

Maffia aponta qual é, no seu entendimento, o seu sucessor na preparação física. "O Moracy Santanna, que foi meu auxiliar no Palmeiras, tem estudado muito. É um sujeito tranquilo, que fica na dele, como eu fazia. Aliás, esse é o segredo do futebol: cada um na sua", explica, com a categoria e simplicidade de um incansável vencedor.

 Raio-X
Foto: Gazeta Press

Nome: Hélio Maffia

Data de nascimento: 21/7/1932

Local de nascimento: Jundiaí, SP

Clubes: Jundiaí, São Paulo, Palmeiras, Guarani e Corinthians

Títulos: heptacampeão paulista, tricampeão brasileiro, bicampeão do Torneio Laudo Natel, bicampeão do Torneio Ramón de Carranza e campeão do Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos.

Publicação:05/02/2003
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