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Índio: professor mostra aos futuros craques a dura vida de um jogador comum

Foto Acervo/Gazeta Press
Foto Acervo/Gazeta Press
Por Daniel Fernandes

O lateral-direito Rubens Barbosa de Souza era chamado de Índio no futebol. Apelido adequado para um jogador que obteve relativo sucesso na década de 90, sobretudo quando defendeu o Santos, mas jamais foi considerado ídolo dos clubes que defendeu durante a carreira profissional. Entretanto, porque defendeu nove clubes e sempre "carregou o piano", Índio sabe como poucos sobre os bastidores do futebol.

Dessa maneira, a escolha de orientar meninos que sonham jogar futebol profissionalmente pareceu o caminho natural para Índio, que trabalha seis dias por semana - descansa na segunda-feira - em duas escolas licenciadas pelo Corinthians (Pirituba/Zona Oeste) e Santos (Caieiras). Lidando com meninos pobres ou de melhor condição social, o ex-jogador revela orgulho quando fala que seu principal objetivo é formar cidadãos.

"Nós temos um projeto chamado 'adote um atleta' para integrar aqueles que não têm condição de pagar os R$ 35, R$ 40 de mensalidade. Procuro oferecer uma aula descontraída. É uma escola de futebol, mas estamos preocupados com o social, preocupados em integrar os garotos", comenta o ex-jogador do Palmeiras.

No convívio com os garotos, Índio procura conscientizar sobre a necessidade de ter uma profissão, um diploma pendurado na parede. "(A vida) é difícil para muitas pessoas que você conhece. Eu não fiz faculdade e tive de procurar uma saída quando parei de jogar futebol, explica Índio. Para oferecer maior segurança a sua família, o ex-atleta pensa em estudar muito em 2004 e prestar vestibular para a faculdade de Direito no final do ano. "Eu sou procurador do Wellington, que é jogador do Corinthians e a faculdade de direito poderia ampliar meu conhecimento neste setor".

Índio iniciou a carreira profissional em 1988 atuando pelo Nacional. O time da rua Comendador Souza costumava revelar muitos jogadores e abastecer os clubes grandes da capital com novos talentos. O lateral permaneceu dois anos na equipe e depois seguiu para o Santos. Na época, a vida era difícil na Baixada Santista. O Peixe não conquistava um título desde 1984 e a pressão só fazia aumentar. Apesar da torcida, Índio obteve relativo sucesso na Vila Belmiro e permaneceu vestindo a camisa do clube por quatro anos (1990-1993).

"A época do Santos vai ficar na minha memória. No Santo, foi a minha melhor passagem, que me jogou para o cenário nacional", disse o lateral, que na época chegou a ser cogitado para a seleção brasileira, na época comandada por Carlos Alberto Parreira e que conquistaria o tetracampeonato nos Estados Unidos. A convocação não chegou, mas a transferência para o Palmeiras é lembrada com orgulho pelo defensor. Na época, a equipe alviverde era patrocinada pela gigante Parmalat e dinheiro não faltava. Por isso mesmo, ser lembrado pelo Verdão representava atuar ao lado dos principais jogadores do país.

Entretanto, Índio não obteve destaque no Palmeiras e acabou transferido, pouco tempo depois, para o Flamengo. Na equipe carioca, o lateral-direito permaneceria apenas três meses antes de assinar contrato com o Guarani. Começava a fase final da carreira de Índio. O jogador ainda defendeu quatro clubes - Goiás, Atlético-MG, São José e Matonense - antes de parar com o futebol profissional em 2000. Nesta época de peregrinação. Índio conquistaria um campeonato mineiro, outro goiano.

Apesar de defender muitos times, ficou a paixão pelo Santos. O time acabou adotado pelos filhos do jogador. Haoni e Juan, com oito e cinco anos respectivamente, torcem feito loucos pelo atual vice-campeão brasileiro. "Mas não foi nada forçado", garante Índio com bom humor. "Eu costumo levar eles na Vila Belmiro e também no Palestra Itália. Ainda acompanho o futebol", diz o ex-jogador, com saudades evidente do mundo da bola.

 Raio-X
Foto Acervo/Gazeta Press
Foto Acervo/Gazeta Press

Nome: Rubens Barbosa de Souza (Índio)

Data e local de nascimento: 5 de julho de 1967, na cidade de Almena (MG)

Clubes em que atuou: Nacional-SP, Santos, Palmeiras, Flamengo, Guarani, Goiás, Atlético-MG, São José e Matonense.

Principais títulos: Campeão Goiano e Mineiro

Publicação:06/02/2004
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