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Foto Luz Bittar/Gazeta Press
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Jairzinho:
o tricampeão esquecido na África
Por Bruno Ceccon, especial para a GE.Net
Jair Ventura Filho foi o artilheiro do maior
time de futebol já montado em todos os tempos. Tudo
aquilo que se pode exigir de uma equipe, a seleção
brasileira, que conquistou o tricampeonato em 1970, possuía
em quantidades matematicamente balanceadas. Até hoje,
Jairzinho, dono da camisa 7 no México, é o único
jogador que balançou as redes em todos os jogos de
uma Copa do Mundo. A performance do esquadrão comandado
por Zagallo fascinou o mundo e um 4 a 1 sobre a Itália
na final coroou o título verde-e-amarelo.
Quando Tostão perdia um gol, o Furacão estava
lá para conferir. Se Carlos Alberto arrancava com suas
passadas largas para o campo de ataque, Clodoaldo aparecia
na cobertura. Everaldo também subia com tranqüilidade,
sob os olhares atentos de Gérson. Uma falta perto da
área adversária era certeza de perigo com a
patada atômica de Rivellino. Brito e Piazza marcavam
implacavelmente na zaga e, se a bola cometesse a descortesia
de passar, Félix era sinônimo de segurança
debaixo das traves. Tudo isso com o onipresente crioulo da
camisa 10 mostrando toda a sua magia pelo gramado.
Depois de pendurar as chuteiras, Jairzinho começou
sua carreira de treinador. Na época em que trabalhava
no São Cristóvão, viu um futuro promissor
no menino dentuço e franzino que apareceu para tentar
a sorte como jogador de futebol. Isso é um dom
que eu tenho. É uma visão fantástica,
conta o Furacão, descobridor do talento de Ronaldo.
Atualmente ele treina a seleção do Gabão,
país pobre do centro-oeste africano, e continua garimpando
promessas. Estou fazendo um trabalho com as categorias
de base e já revelei muitos jogadores. Tenho essa facilidade,
conta o eterno camisa 7.
Jairzinho está na África há um ano.
Ele mostra vontade para ensinar um pouco do que aprendeu dentro
do gramado, mas lamenta a falta de condições
para trabalhar. Infelizmente não estou vivendo
um momento normal dentro do futebol. Aqui o esporte ainda
está longe do profissionalismo, não é
nem amador. A Federação está praticamente
desativada e isso prejudica o meu trabalho, comentou.
Segundo ele, o Ministério dos Esportes travou uma disputa
com a Federação e o futebol ficou esquecido.
O Furacão afirma que seus jogadores têm qualidade,
mas a falta de compromisso com o futebol acaba comprometendo
os resultados dentro de campo. Eles correm muito, isso
é uma coisa nativa do africano, mas não têm
profissionalismo. No entanto, o ex-jogador acredita
que seu trabalho está valendo a pena. Apesar
de ser uma coisa mais a longo prazo, já é possível
observar os efeitos. Eles gostam muito do futebol brasileiro
e praticam um futebol bonito, alegre.
O tricampeão fica lisonjeado com o respeito demonstrado
pelos africanos, mas tem como objetivo voltar ao Brasil e
repetir o sucesso desta vez como treinador. A meta de
todos é vencer e, se for no seu país, melhor
ainda. Ele aponta técnicos como Wanderley Luxemburgo,
Felipão e Leão como algumas das referências
na profissão. Todos eles merecem estar onde estão,
porque ser treinador no Brasil é muito difícil,
opinou.
Mesmo muito longe dos grandes centros, o Furacão
revela que o título mundial de 1970 ainda repercute
entre a população do Gabão. Até
hoje a imprensa daqui me pede vídeos de 1970. As pessoas
me respeitam muito e sempre elogiam meu trabalho. Eles estão
contentes comigo aqui e isso me deixa feliz. Para Jairzinho,
é impossível definir o sentimento após
o apito do árbitro na final contra a Itália.
Aquele foi o maior momento da minha vida. Algo fantástico,
uma explosão de felicidade, é uma coisa subjetiva.
Para um jogador, um título mundial é a consagração
total.
Pela conquista no México, Jairzinho faz parte do
imaginário de todos aqueles que gostam de futebol.
Ele não poupa elogios ao time e lembra detalhes da
decisão. Quando o Gérson marcou o segundo
e o Jairzinho marcou o terceiro, percebemos que o jogo estava
ganho diante da fragilidade da Itália. Pela maneira
como vencemos, aquele foi o melhor time de todos os tempos.
Falando de si na terceira pessoa, ele salienta a contribuição
que deu para o escrete verde-amarelo. Na gíria
do futebol, o Jairzinho sempre marcou os gols que deram mais
frieza à equipe.
O jogador marcou época no Botafogo. Atualmente ele
acompanha pouco a situação do clube, mas lamenta
o drama vivido pelo alvinegro. Eu só vejo pela
internet. Sei que o clube está passando por aquele
pesadelo novamente e fico entristecido, principalmente eu,
que sempre levei o nome do Botafogo aos lugares mais altos
nos 15, 16 anos que joguei lá. Ele conquistou
inúmeros títulos pelo time de General Severiano,
porém prefere tratar a todos com o mesmo respeito.
Fui tri juvenil, tri do Rio-São Paulo, tri carioca,
pan-americano e todos eles são importantes, completou.
O sucesso continuou no Cruzeiro: ganhamos a Libertadores,
fomos tetra no Mineiro e tive muitas felicidades em Minas
Gerais.
Jairzinho acha errado estabelecer qualquer espécie
de comparação entre os jogadores do passado
e os craques da atualidade. Cada um tem uma característica
principal, argumentou. O Furacão acredita que
o poder do futebol brasileiro é muito grande e acha
que o trabalho de Parreira à frente da seleção
não oferece grandes emoções. A
cada minuto temos um jogador novo. O Brasil acabou de ganhar
a Copa América, por exemplo. Temos Adriano, Luís
Fabiano, Ronaldinho. Ser treinador do Brasil é muito
fácil, difícil é trabalhar no Gabão!,
brincou.
| Raio-X |
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Foto Acervo / Gazeta
Press
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Nome: Jair Ventura Filho
Nascimento: 25/12/1944, Rio de Janeiro/RJ
Posição: Atacante
Clubes: Botafogo, Olympique de Marselha
(França), Cruzeiro, Portuguesa de Acarígua
(Venezuela), Noroeste, Fast Clube, Jorge Wilsterman
(Bolívia).
Principais títulos: Bicampeão
carioca, em 67 e 68, Torneio Rio São Paulo,
em 66 e Taça Brasil, em 68, pelo Botafogo;
Campeão Mineiro, em 75 e da Taça
Libertadores, em 76, pelo Cruzeiro, além
da Copa do Mundo, em 1970.
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